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Morreu o nosso Pelé!

Ele se tornou folclórico pelos gingados, dribles e show de pandeiro


Pelé de Santiago

Pelé de Santiago   Foto: Pão de Açúcar Notícias

Postado em: 09/12/2016 às 06:41:27   /   por Helio Fialho

Faleceu, no início da tarde de quarta-feira (7), aos 72 anos, em sua residência,  o folclórico Antonio Estevam dos Santos, conhecido popularmente como “Pelé de Santiago” ou “Tonho Pelé”. Nascido no povoado ribeirinho de Santiago, ele recebeu o apelido de “Pelé” porque, na época de juventude, tinha o rosto semelhante ao de Edson Arantes do Nascimento, o verdadeiro Pelé, o rei do futebol.

Torcer pelo Clube de Regatas Vasco da Gama era mais uma coincidência entre o Pelé de Três Corações e o Pelé de Santiago.

Talvez, por ter recebido o apelido de “Pelé”, ele gostava tanto de futebol e de exibir-se batendo bola e fazendo embaixadinhas com muita classe, principalmente, quando contava com um grupo de pessoas que o aplaudia.  Porém, em campo, não possuía o mesmo talento que o rei do futebol.

Pelé do Santiago era conhecido como “o rei do pandeiro”. Tocando este instrumento ele era mesmo majestoso... o rei da cadência!

Nos anos de 1970 e 1980, chegou a integrar o grupo regional de alguns sanfoneiros conhecidos em nossa região:  Zé Negão, Bastião do Fole, Zé Aleixo e outros. Dava gosto ver “Tonho Pelé” tocando pandeiro nos salões de forró pé de serra que naquela época faziam parte das festas rurais.

Com o passar do tempo, Pelé trocou o pandeiro pelo líquido etílico e foi se complicando. Tornou-se dependente químico e nunca aceitou submeter-se a tratamento. E quando estava “sob o efeito do deus Baco” costumava andar pelas ruas da cidade, quase sempre vestido em uma camisa do Vasco, fazendo gingados, dando aulas de dribles e até mesmo dançando ao som de qualquer música que ouvia em quaisquer lugares. Por isso, tornou-se uma pessoa folclórica e não raras vezes fazia a alegria da criançada.

Tonho Pelé não era um sujeito letrado, mas foi um mestre em boas maneiras e em boa convivência com o semelhante, pois ele era um sujeito excessivamente pacato.

O tempo passou, o álcool o dominou e sua saúde foi goleada pela aguardente. A essas alturas do campeonato já não tinha mãe, já não tinha esposa e, mergulhado na solidão, passou a receber apenas os cuidados do único filho, fruto do relacionamento com a senhora Bernadete, de saudosa memória.

Ultimamente não saia às ruas e passava o dia inteiro sem sair de casa, mas ficava sentado à porta de sua casa, localizada no conhecido “Beco do Padre”.  Percebia-se que Antonio Estevam estava sendo consumido por uma grave doença, resultado de uma vida solitária e sem os devidos cuidados, pois seu único filho passa o dia inteiro trabalhando para sustentar a família, além de morar em outro endereço.

O ex-pandeirista não estava conseguindo se alimentar. Ele reclamava de muitas dores no estômago e vomitava todas as vezes que comia. O filho o levou para o hospital algumas vezes por causa dessa doença, porém, o paciente não conseguiu ficar bom.

E nesta quarta-feira (7), infelizmente, perdemos o nosso Pelé. Ele não conseguiu driblar a morte e foi morar na Eternidade.

Pelé de Santiago foi uma pessoa que passou pela vida e não conseguiu fazer mal a ninguém. Aliás, só conseguiu fazer mal a si próprio porque não evitou os males causados pela bebida.

Ele era irmão de outra conhecida e folclórica majestade do Povoado Santiago: Antonia Rosa, a “rainha do rubacão”. “Já dei tanto conselho aquela criatura para ele deixar de beber”, dizia a saudosa e imortalizada “Tonha Rosa de Santiago”, sempre que alguém perguntava por “Tonho Pelé”.

Ele foi sepultado no Cemitério São Francisco de Assis, nesta quinta-feira (8), pela manhã, de forma muito discreta e sem funeral pomposo, assim como acontece diariamente com milhares de cidadãos neste País, onde a sociedade prefere fazer celebrações póstumas de honraria a ladrões milionários, a homenagear cidadãos honestos e pobres quando morrem.   

Mas enquanto existir um gingado, um drible, um forró pé de serra e o som cadente de um pandeiro, o Pelé de Santiago e de Pão de Açúcar sempre será lembrado por todos que o conheceram.

Descanse em paz, Tonho Pelé!

 

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