Vandalismo em Pão de Açúcar: Monumento do Professor Antonio de Freitas Machado é alvo de pichações
Não importa se os atos tenham sido praticados por adultos ou crianças, se usaram giz ou qualquer outro meio, o fato ocorreu e, portanto, pichar patrimônio público é inaceitável, é falta de educação e de respeito, é CRIME, de acordo com a LEI Nº 12.408.
Monumento do Professor Antônio de Freitas Machado... Foto: Notícia Quente/Helio Fialho
Não importa se os atos tenham sido praticados por adultos ou crianças, se usaram giz ou qualquer outro meio, o fato ocorreu e, portanto, pichar patrimônio público é inaceitável, é falta de educação e de respeito, é CRIME, de acordo com a LEI Nº 12.408, de 25 de maio de 2011. O artigo 6º desta Lei reescreve o artigo 65 da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, com a seguinte redação: “Art. 65. Pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano: Pena – de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa”. A palavra conspurcar é sinônimo de sujar, manchar, macular, enodoar, emporcalhar, enxovalhar, poluir.
O patrimônio é público e significa que ele é nosso, porém, ser nosso não significa fazer o que quisermos, mas aquilo que for permitido pelos acordos sociais, manifestos sob forma de Leis.
Senti profunda tristeza, uma imensa dor na alma, uma grande decepção – quando, ao passar em frente ao pioneiro e saudoso Ginásio Dom Antônio Brandão, durante uma caminhada, percebi uma grande a base que sustenta o busto do imortalizado poeta e um dos mais notáveis educadores pão-de-açucarenses, o professor Antônio de Freitas Machado.
Logo o monumento do educador Antônio de Freitas Machado ser alvo da ação de estudantes mal-educados? Como pode tamanha ironia?!
Certamente haverá alguém para dizer que as pichações absurdas foram feitas por “crianças inocentes”, o que não justifica tamanho ato de vandalismo. Contudo, se realmente os atos criminosos foram praticados por menores ingênuos, os pais e/ou as pessoas responsáveis por esses menores precisam ser responsabilizados, além de os menores pichadores serem advertidos pelos pais e pela direção da escola onde eles estudam – porque “é preciso educar as crianças, para não ser preciso punir os homens”, já dizia o democrata e sapiente Presidente Kennedy.
As crianças do meu tempo, apesar de peraltas, respeitavam a figura do professor, as pessoas mais velhas, as datas cívicas, os heróis da nossa história e o patrimônio público. As crianças de hoje, por serem beneficiadas e protegidas por uma legislação permissiva, tornaram-se mais ousadas, desrespeitosas e sem parâmetros.
Com a chegada dessa onda desastrosa apelidada de “coisas dos tempos modernos”, muitos pais quebraram os pilares da educação familiar e transferiram, de forma equivocada, a responsabilidade familiar para a escola.
É importante saber que a educação familiar é a base de uma sociedade saudável. Os filhos recebem a primeira educação de seus pais. São os pais que ensinam aos filhos o que é certo e errado e os fazem refletir sobre seus atos e escolhas. É muito importante eles cuidarem dos filhos, procurando sempre escutá-los, educá-los e estarem presentes em todos os momentos.
Hoje em dia, os pais trabalham fora o dia inteiro e não tem tempo para os filhos, o que não deveria ser acontecer. Existem casos de os pais deixarem os filhos o dia inteiro na escola, o que os tornam extremamente carentes de carinho, atenção e outras peculiaridades só disponíveis no convívio familiar – porque a escola jamais irá substituir o papel da família e o professor nunca irá assumir a responsabilidades dos pais, pois os profissionais da educação escolar cumprem e desempenham tarefas específicas e curriculares.
As novas gerações não devem lembrar, mas houve um tempo em que as disciplinas de Educação Moral e Cívica (EMC) e Organização Social e Política Brasileira (OSPB), das quais fui professor no Ginásio Dom Antonio Brandão, faziam parte do currículo escolar. As matérias tornaram-se obrigatórias a partir de 1969, por meio do Decreto Lei nº 869, que determinava o ensino em escolas de todos os graus e modalidades. Elas eram caracterizadas pela exaltação do nacionalismo e do civismo nos alunos. Infelizmente, sob o frágil argumento de não ser considerada parte de um regime democrático, Educação Moral e Cívica foi extinta da grade curricular brasileira em 1993, por meio da Lei 8.663, assinada pelo ex-presidente Itamar Franco.
Não obstante, para não me engasgar, quando como peixe, rejeito as espinhas porque sei que as duas coisas misturadas torna o alimento prejudicial à saúde. Partindo desta realidade, sou e sempre serei contra as atrocidades cometidas pela ditadura militar, assim como sou contra que a estátua do Presidente Médici, erguida na Avenida Ferreira de Novais, em maio de 1972, na orla fluvial de Pão de Açúcar, permaneça neste logradouro público e não dê lugar ao busto do abnegado e saudoso professor Ascânio Rodrigues Correia que, através de uma lei municipal, tem o seu nome emprestado ao local. Neste caso, o busto do Presidente Médici ficaria apenas como uma peça de museu, por ser uma obra de arte do escultor João Lisboa.
Sendo assim, na minha concepção, abolir uma matéria que previa o culto à pátria, bem como aos seus símbolos, tradições e instituições, isto é, a exaltação ao nacionalismo e, ainda, abordava conteúdos que aprimoravam o caráter do aluno por meio de apoio moral e dedicação tanto à família quanto à comunidade, foi um equívoco imensurável, além de ter sido uma anarquia exacerbada e transfigurada de excesso de democracia – um gravíssimo atentado ao zelo da moralidade, à brasilidade e aos bons costumes.
Portanto, no País onde a moral, a brasilidade e os bons costumes deram lugar à corrupção, à imoralidade e aos maus costumes, a disciplina Educação Moral e Cívica precisa urgentemente retornar aos currículos escolares, pois, se os estudantes que picharam o monumento do professor Antonio de Freitas Machado tivessem estudado esta matéria, com certeza, não teriam praticado este ato absurdo que jamais deve ser interpretado como “arroubos da juventude” e “coisas dos tempos modernos”. E podem até mesmo ser, porém, intoleráveis!


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