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Tratar Cães e Gatos de estimação como Gente pode trazer sérias consequências para a sociedade

Enquanto a modernidade impõe essa inversão de valores impulsionada pelo modismo, cresce o número de crianças e idosos abandonados pela família.


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  Fonte: Artigo escrito por *Helio Fialho

Um cachorro beijando na boca do dono...

Um cachorro beijando na boca do dono...   Foto: Reprodução/Redes socias

Postado em: 22/07/2019 às 16:41:04

Nada contra uma pessoa adotar um cachorro, gato ou qualquer outro animal de estimação e a ele dedicar todos os cuidados e afeto possíveis. Até porque “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” é crime no Brasil, de acordo com o Artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (nº 9605), de 1998, sendo aplicada  pena de detenção de três meses a um ano, aumentada de um sexto a um terço em caso de morte do animal.

O problema é que muita gente vem aderindo à inversão de valores impostos pela modernidade, criando animal como se fosse gente e gente como se fosse animal. E, destarte, enquanto gatos e cachorros são tratados com muita regalia, pais, avós, irmãos, filhos e sobrinhos não raramente são tratados com imenso desprezo.

Como exemplo, podemos citar pessoas que criam cachorros, gatos, cavalos e dão aos animais de estimação um tratamento que foge da normalidade: assumindo-os como filhos; dando sobrenome da família; acolhendo-os na cama onde dormem; comprando vestimentas caras; levando-os para salão de beleza, shopping, cinema; carregando-os no colo como bebês e,  até mesmo, fazendo testamento em cartório, para deixarem, quando morrer, seus bens para os animais adotados.

No mundo moderno, um dos fatores que mais contribuem para que isso aconteça é o comportamento desamoroso dos indivíduos, impulsionando, assim, o aumento da violência e, com isso, a falta de confiança na criatura humana, fazendo com que a confiança antes depositada no ser humano seja transferida para um animal domesticado, fazendo valer  o adágio popular: “o cachorro é o melhor amigo do homem”.

Muitos psicólogos afirmam que pessoas que criam um cão ou um gato, dando ao animal de estimação uma atenção fora do normal, isto é, tratando-o como gente, são pessoas que  sofreram (ou sofrem) carência afetiva.  Certamente, em alguma fase da vida, elas  deixaram de receber  a atenção dos pais ou do companheiro, ou, ainda, de um membro importante da família (ou da escola) durante a infância,  adolescência ou idade adulta. E essa carência e/ou frustração faz com que as pessoas adotem um animal e dediquem a ele todo o sentimento de afeto que deixou de receber de um ente querido.  Nestes casos, os animais adotados atuam como agentes terapêuticos e promovem bem-estar aos donos. 

Contudo, sabemos que para tudo que ultrapassa os limites existe uma consequência. E se a modernidade impõe o modismo de criar animais como membros da família,  sem dúvida, a sociedade tende a pagar um preço muito alto por isso.

Enquanto animais são criados como gente, recebendo tratamento diferenciado, gozando de todas as regalias (até de beijo na boca), o número é crescente de crianças abandonadas nas ruas e, também, de pessoas idosas jogadas em asilos pela própria família. E ausência  de amor ao próximo e a falta de caridade para com o semelhante fazem aumentar desenfreadamente a violência na sociedade.

Este artigo não tem como objetivo tecer críticas negativas e tampouco fazer juízo de valor de pessoas que adotam animais e passam a maior parte do tempo se dedicando aos mesmos.   O texto apenas  alerta para esta triste realidade vivida pela sociedade moderna, que está se  deixando levar pela onda da adoção de caninos e felinos na condição de membro familiar.

Conhecemos muitos criadores de cães e gatos, os quais dedicam muito cuidado e carinho para com seus animais, porém, apesar do grande afeto, não os tratam como gente, pois os mantém em seu próprio território de irracional, que pode ser adaptado no quintal, na varanda, na garagem ou em outro compartimento que não seja a sala de visitas, a sala de jantar, os quartos e a cozinha da casa. E o fato de saberem colocar “cada macaco no seu galho” não diminui o amor que os donos sentem pelos animais.

Podemos afirmar, com fundamentação nas Sagradas Escrituras, para Deus nada tem mais  valor que a criatura humana, pois, no Plano de Salvação  executado pelo filho Jesus Cristo (João 3:16), foi incluído só o ser humano – não foi inserido o cachorro, o gato e qualquer outro irracional.  Até mesmo as narrativas veterotestamentárias sobre a Arca de Noé, que livrou os animais do Dilúvio ((Gênesis, capítulos  6 ao 8) não considera os animais como membros da família de Noé.

Com base na história do relacionamento entre o homem e o cão não há como negar que os cachorros são animais totalmente adaptados ao convívio com os seres humanos, mas para chegar ao estágio atual, os animais passaram por diversas fases de evolução.  E essa história teve início há mais de 20 mil anos, quando ainda nem latiam e não podiam ser considerados cachorros – porque eram lobos.

Os cães são descendentes dos lobos, mas o que se discute é como parte deles se aproximou do homem e acabou domesticado.  De acordo com a Sociedade Brasileira de Cinófilos (SOBRACI), esse laço histórico teve um início ruim. “Não foi uma amizade com começo fácil. Era um jogo de interesse para ambas as partes”.

“As teorias apontam que os alguns lobos andavam atrás dos homens para se aproveitar dos restos de comida. Instintivamente eles perceberam que ao lado das tribos teriam alimento fácil e passaram a dividir o território. Com os lobos por perto, os homens viram que estavam mais protegidos de ataques de outros animais e permitiram a aproximação”.

“Com o passar do tempo, os filhotes das gerações futuras dos lobos não caçavam mais sozinhos e tinham o homem como única fonte de alimentos. Foi aí que começou uma das amizades mais longas e sinceras do planeta: o cão e o homem. A partir desse período, o cachorro passou a enxergar o homem como sendo o seu macho alpha. Quanto mais o filhote percebe a presença do homem, mais ele entende como os homens são líderes deles – um protetor e provedor de alimentos, tudo na base da troca”.

“A humanidade seguiu evoluindo e a espécie canina, após passar por incontáveis seleções  e cruzamentos,  virou apenas um animal de estimação. Em sua maioria, integrantes da família, porém sem nenhuma função econômica. Não comem mais carne crua e sim ração desenvolvida especialmente para eles. Hoje, as antigas feras são o que chamamos de PET: conceito nascido na Escócia, no século 14 e que significa basicamente animal domado”.

“A mudança é tão drástica, que o animal que ainda carrega 98% do DNA dos lobos tem que sobreviver em espaços cada vez menores”. Uma adaptação que não é fácil (demora muito tempo), e, por isso, a humanidade está vivendo as consequências: o crescente número de cachorros errantes, um triste resultado do criminoso abandono de cães nas cidades.

Hoje, distanciados de suas origens, o cão ocupa o lugar do homem em mansões, apartamentos de luxo e, também, em casebres e palafitas, sendo alvo de mordomias, com direito a médico, psicólogo, salão de beleza, cardápios especiais, festa de aniversário e a cortejo fúnebre, quando morrem, por ser considerado o amigo fiel e a melhor companhia. 

É notório que vem crescendo no mundo moderno, lamentavelmente, o número de pessoas que se tornam reféns de cães e gatos. Essas pessoas são capazes de abandonar quaisquer compromissos e programações com a família e os amigos, para estarem ao lado do bicho de estimação porque, segundo elas, o animal fica sofrendo com a ausência do dono. E essa dependência torna-se mais acentuada em pessoas acima de 45 anos, principalmente quando já estão aposentadas, pois os cuidados para com o animal de estimação as fazem fugir da ociosidade.

Diferentemente da expectativa de vida do ser humano, principalmente do brasileiro, que é de 80 anos para as mulheres e 73 para os homens (dados do IBGE-2019), a expectativa de vida dos cães costuma variar entre 10 e 13 anos. Geralmente as raças de cachorro de pequeno porte vivem mais do que as de grande porte, embora nada é uma regra.   Por exemplo, o cão mais velho do mundo atingiu os 30 anos e era uma mistura de dachshund, beagle e terrier,  de acordo com o Guinness (livro dos recordes).    

Segundo a Revista Veterinária, em uma reportagem intitulada “Cães e Gatos estão vivendo mais”, de 30 de junho de 2016, A expectativa de vida dos cães e gatos  cresceu nos últimos tempos. Isso se deve as mudanças realizadas na relação do homem com estes animais, especialmente nos últimos anos. Há trinta anos era bastante comum que os cães, por exemplo, tivessem uma área externa reservada para eles, contando no máximo com um abrigo, uma tigela de ração e outra e água. Hoje em dia, isso já não é tão comum. Muitas pessoas passaram a coabitar com os animais dentre de suas casas, especialmente as que não possuem filhos ou vivem sozinhas, como forma de amenizar a solidão.

Uma publicação do portal Mídia News sobre “Inversão de Valores”, afirma que “A impressão que se tem é que o mundo encontra-se de pernas para o ar. Atualmente a sociedade vive uma grande inversão de valores, ou seja, uma transformação de não sabermos o que é certo ou errado, positivo ou negativo, moral ou imoral. As pessoas não mais reconhecem seus princípios, crenças e valores dentro de si”.

Fundamentado na Inversão de Valores, podemos afirmar que estão em alta a desvalorização do homem e a valorização do cachorro e do gato. E se já houve tempo em que bodes, porcos e jumentos foram apresentados como candidatos a vereador, prefeito e deputado, não tomemos como surpresa que, a partir de agora, cães e gatos sejam lançados como candidatos a cargos eletivos para o Legislativo, Executivo e Judiciário, já que muitos homens e mulheres ocupantes de cargos nos Três Poderes não passam de uma grande decepção, pois, arraigados na mais insana ambição, se encontram mergulhados em gigantescos escândalos de corrupção, o que caracteriza infidelidade extrema aos eleitores, cuja má conduta contraria a fidelidade canina.

(*o autor é jornalista, radialista, teólogo, especialista em Terapia de Família e bacharel em Direito)

   

 

Comentários

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  • José Renato Feder 12 de Março de 2021 Perfeito o texto, mal tratos é uma coisa, tratar com gente chega a ser desumano.
    Edivaldo vicente dias 28 de Maio de 2023 Porque nao gritar para o mundo isso para as pessoas acordarem e nao desistir do afeto humano porque a criação e sr humano voltara ao criador socorro