'Trabalhei dez anos na região norte, nos estados do Pará e Amapá. Nunca vi nem tomei conhecimento de queimadas que merecessem tanto destaque'
'Acusar o Presidente do Brasil pelas queimadas deste ano na Amazônia é algo de cunho pessoal, e os que o acusam agora são os mesmos que nunca fizeram nada em defesa da Amazônia em governos anteriores'.

Fonte: Artigo escrito por *José Alcir dos Anjos
Foto: Reprodução/Facebook
ARTIGO
Ontem à noite eu estava ouvindo "A Voz do Brasil" e sentí o quanto estão sendo alvo de notícias as queimadas na Amazônia. Ouví sobre a proposta do governo francês de ajudar a combater os focos de incêndio, oferecendo ajuda financeira no valor de R$ 83 milhões de reais, gesto recebido num tom de seriedade e agradecimento por alguns políticos brasileiros, chamando a atenção o fato de que os mesmos nunca se preocuparam com esse problema, que é histórico. Outros, por questões de natureza política, culpando o Presidente Bolsonaro por esse acontecimento lamentável, e que também, antes, em outros mandatos, nunca se preocuparam com as queimadas.
Trabalhei dez anos na região norte( 1997/2007), exatamente nos Estados do Pará e Amapá. No Estado do Amapá, neste período que é verão, nunca vi nem tomei conhecimento de queimadas que merecessem tanto destaque através dos canais de comunicação, dos seus representantes eleitos, do povo, como também a vontade de encontrar um culpado. Da capital Macapá até a cidade de Oiapoque( divisa com a Guiana Francesa) são duas horas de vôo por cima de uma floresta fechada e fascinante! É como se o mundo fosse uma imensa floresta.
Já no Pará é diferente. Eu observava que na rota Belém/Carajás/Marabá, olhando da janela do avião, áreas imensas devastadas e a presença de vários e vários pontinhos brancos ocupando o espaço onde, antes, era selva. Tratava -se de manadas gigantescas pastando na terra que ninguém defendeu para que não fosse devastada. Quem devasta a floresta, quem cria gado e possui fazendas é o rico, além do poder que possui de não ser incomodado. O pobre vai é pra cadeia, como ocorreu com certo cidadão que foi preso no Pará porque tirou uma casca de uma árvore para fazer remédio para sua esposa que estava doente. Isso, sim, é crime num país onde o cinismo, o nepotismo e a mentira andam eternamente abraçados.
Em 1997 ( 22 anos ) eu morava em Marabá com minha família. Os efeitos das queimadas era insuportável. À fumaça amarelada e constante, somava-se o pó preto que caía sobre a cidade, provocando um incômodo terrível nas vias respiratórias de seus habitantes, que lotavam os postos de saúde em busca de ajuda médica. Nesse período não recordo de nenhum movimento interno da sociedade civil nem dos políticos por ela eleitos, ou de outros países, em defesa da Amazonia.
Acusar o Presidente do Brasil pelas queimadas deste ano na Amazônia é algo de cunho pessoal, e os que o acusam agora são os mesmos que nunca fizeram nada em defesa da Amazônia em governos anteriores, em que pese o que está acontecendo recentemente possuir indícios de prática de ato criminoso, proposital, decorrente da maldade humana.
Infelizmente, no Brasil só se fala em providências quando o inevitável acontece, a exemplo do Rio São Francisco, que vem "emagrecendo" a cada ano que passa e, mesmo assim, não vemos ações práticas voltadas para sua preservação, podendo, um dia no futuro, se transformar num grande lençol de areia.
Mas, como é cultural procurarmos um culpado, deduzo que o causador de tudo isso foi o vento! Foi a calmaria. As caravelas seguiam para a Índia mas, devido a falta de vento, por aqui chegaram no ano de 1.500 trazendo os viajantes que deram origem, praticamente, a um povo heróico e retumbante!!!???
(Por José Alcir dos Anjos, em 28.08.2019. * o autor é graduado em Administração e Direito e pós-graduado em Gestão Pública).


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