Temer diz que Brasil não pode admitir morte de brasileira na Nicarágua sem tomar providências
O Itamaraty cobrou explicações do presidente sandinista Daniel Ortega, alvo de uma série de protestos nos últimos meses

Fonte: Estadão - Por Felipe Frazão e Célia Froufe, enviados especiais a Joanesburgo
Foto: Reprodução/Estadão/Facebook
O presidente do Brasil, Michel Temer, disse nesta quinta-feira, 26, que o País não pode admitir a morte da estudante Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, sem tomar providências a respeito, mas não citou possíveis medidas que podem ser adotadas por Brasília.
Raynéia vivia na Nicarágua e foi assassinada a tiros em circunstâncias ainda não esclarecidas. A pernambucana cursava medicina na Universidade Americana em Manágua, capital do país.
“Não é possível que nós admitamos simplesmente a lamentável morte de uma brasileira, sem que tomemos providências. Providências estão sendo tomadas diariamente”, disse Temer após reunião com o presidente da China, Xi Jinping, pouco antes da abertura oficial da 10.ª Cúpula dos Brics, na África do Sul. “Estamos tomando todas as providências anunciadas pelo nosso embaixador e ministro das Relações Exteriores para solucionar (o caso) o mais rápido possível.”
O Itamaraty cobrou explicações do presidente sandinista Daniel Ortega, alvo de uma série de protestos nos últimos meses. Os atos têm sido reprimidos por forças de segurança leais ao governo, entre oficiais e paramilitares, além de partidários do mandatário.
Embora o governo nicaraguense não divulgue dados oficiais, entidades de Direitos Humanos do país calculam que mais de 300 pessoas já morreram no levante de oposicionistas, contrários à reforma da previdência promovida por Ortega – o estopim das manifestações.
Embaixador convocado
Além de pedir explicações à Nicarágua, o Ministério das Relações Exteriores convocou para consultas o embaixador brasileiro no país caribenho, Luís Cláudio Villafañe Gomez Santos.
“Como manifestação de sua profunda indignação com a trágica morte da estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima, em Manágua, e para que ele possa informar pessoalmente sobre o ocorrido e sobre a situação naquele país, o governo brasileiro chamou para consultas o embaixador do Brasil na Nicarágua, Luís Cláudio Villafañe Gomez Santos”, disse o Itamaraty em nota.
O Ministério também condenou “o aprofundamento da repressão, o uso desproporcional e letal da força e o emprego de grupos paramilitares em operações coordenadas pelas equipes de segurança”, e repudiou “a perseguição de manifestantes, estudantes e defensores dos direitos humanos”.
(Com MSN)


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