CULTURA

Tem início em Piranhas, nesta quinta-feira (26), o 'Seminário Sertão Cangaço'

O evento discute os 80 anos de morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, na Grota de Angicos.


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  Fonte: Da Redação

  Foto: Reprodução/Google

Postado em: 26/07/2018 às 12:19:00

A cidade de Piranhas será palco do Seminário Sertão Cangaço, de 26 a 28 de deste mês, evento cultural que já se tornou tradição e reúne historiadores de renome nacional.

O seminário terá como local o Centro Cultural Miguel Arcanjo, localizado no Centro Histórico da cidade, e reunirá diversos historiadores e pesquisadores de várias regiões do País (Nordeste, Norte, Sudeste e Sul). O objetivo é conhecer a origem do cangaço, o estilo e as estratégias usadas pelos cangaceiros durante seus ataques, cujas histórias enriquecem a cultura e o folclore do sertão nordestino.

Através de palestras, apresentações culturais e mesas redondas, discutindo temas  relacionados ao cangaço, à cultura e ao turismo, o seminário proporcionará aos participantes importantes conhecimentos.

Nesta quinta-feira (26) a abertura oficial contará com a participação da Filarmônica Mestre Elísio. Em seguida, será realizada uma mesa redonda para discutir “80 Anos de Angico” e, também, serão lançados os livros: “Mulheres Guerreiras”, “O Retorno dos Cangaceiros” e  “A Maior Batalha”. Apresentações culturais encerrarão o primeiro dia de evento

No dia 27 (sexta-feira), diversas palestras serão realizadas: “Armas de Cangaço”, com o historiador e documentarista João Marcos Carvalho; “Arqueologia Documental do Cangaço: Armamentos nos Retratos do Sertão”, com o palestrante Cavo Casarim Cassiano; “Projeto Persigas e Brigadas: Atualizações” e “Sítio Escola Fazenda Patos”,  com o palestrante Fernando Duran. Em seguida, será o lançamento do livro “Lampião, o Cangaço e Outros Fatos no Agreste Pernambucano”, do escritor Júnior Almeida. Logo em seguida, serão realizadas apresentações de trabalhos acadêmicos, documentários e roda de conversa, tendo encerramento com apresentações culturais.

No dia 28, encerramento do Seminário Sertão Cangaço, com a celebração da tradicional Missa do Cangaço, na Grota de Angico, e apresentações culturais no Espaço Ecológico Angicos.

o evento está sendo promovido pela Prefeitura de Piranhas através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. As inscrições são gratuitas para participar do evento, com direito a certificado, e podem ser feitas acessando o link: https://doity.com.br/seminario-sertao-cangaço-2018

 

Piranhas e o Cangaço

Piranhas, que já pertenceu a Pão de Açúcar, é conhecida como a "Cidade Lapinha", e hoje é considerada um dos destinos alagoanos mais procurados pelos turistas. Esta cidade banhada pelo Velho Chico está ligada diretamente à rica e fascinante história do Cangaço. No dia 29 de outubro de 1936, a cidade viveu um episódio sangrento quando foi atacada por cangaceiros. Esta data se tornou, para algumas famílias, uma lembrança dolorosa.

Segundo alguns historiadores do tema, o cangaceiro Gato encontrou a morte depois desse ataque a Piranhas, depois da prisão de sua amada Inacinha, pelo tenente João Bezerra. Inacinha estava grávida e neste combate saiu ferida. O tiro entrando nas nádegas e saindo no abdômen. Por muita sorte a criança não foi ferida. Gato pede ajuda a Corisco e este organiza esse ataque. No trajeto, Gato sai disseminando a morte, sendo assassinados por ele os moradores Abílio, Messias, Manoel Lelinho, Antônio Tirana e o jovem João Seixas Brito, tendo este último sido sangrado e assassinado barbaramente com apenas 15 anos de idade.  

Depois de intenso tiroteio, que contou com a participação de moradores ilustres, dentre esses: Chiquinho Rodrigues (fazendeiro e líder político), Cyra Brito (esposa do Tenente João Bezerra), João Correia de Brito (prefeito de Piranhas, na época), Joãozinho Carão, Joãozinho Marcelino, o cangaceiro Gato saiu baleado e morreu três dias depois do confronto, chegando ao fim um dos homens mais cruéis que engrossaram as fileiras do cangaço.

Ainda hoje existe uma polêmica sobre o tiro que atingiu o cangaceiro Gato. Uns dizem que o autor do disparo foi Chiquinho Rodrigues (em um sobrado, ele participou do tiroteio), outros defendem que o certeiro disparo foi deflagrado por Joãozinho Carão (no cemitério da cidade, ele e outros homens combatiam os invasores).

O certo mesmo é que o cangaceiro Gato morreu porque ousou invadir a cidade que tem como padroeira Nossa Senhora da Saúde que, coincidentemente, Lampião tinha a santa como madrinha e, por isso, em respeito e devoção à madrinha, sempre aconselhava seus cabras a nunca invadir Piranhas, o que poderia resultar em castigo.

Outro fato marcante na história de Piranhas foi a mensagem “Boi no Pasto. Venha Urgente”, enviada, no dia 27 de julho de 1938,  através de um telegrama do sargento Aniceto Rodrigues (que se encontrava em Piranhas) para o tenente João Bezerra (que se encontrava em Pedras, hoje Delmiro Gouveia), transmitida pelo telegrafista da Estação da Rede Ferroviária Federal de Piranhas, Valdemar Damasceno.

Esta histórica mensagem telegráfica avisava sobre a presença de Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros de sua volante na   Grota de Angicos, sendo este esconderijo em terras ribeirinhas sergipanas.

E foi na madrugada de 28 de julho de 1938 que a polícia militar, divida em quatro grupos comandados pelos seguintes militares: Tenente João Bezerra, Sargento Aniceto Rodrigues, Sargento Juvêncio e o Aspirante Francisco Ferreira, fez o cerco ao esconderijo, que resultou na morte de onze cangaceiros, entre esses: Lampião, Maria Bonita (companheira do rei do cangaço), Luiz Pedro, Quinta-Feira, Colchete, Marselha, Enedina (esposa do cangaceiro Cajazeira, que era Zé de Julião), Elétrico, Mergulhão, Moeda e Alecrim estes dois últimos eram irmãos).

Em Piranhas nasceu, morou e faleceu o soldado Josias Valão, que fez parte da volante policial que durante anos perseguiu o cangaço. Ele ficou conhecido pelas histórias narradas sobre o cangaço, inclusive, chegou a conceder várias entrevistas à imprensa e a pesquisadores que o procuravam para colher informações sobre o cangaço.

Sobre a morte de Lampião, na manhã de 28 de julho de 1938, o ex-soldado Josias Valão, conhecido em Piranhas como “o caçador de cangaceiros”,  recorda que todos os cuidados tinham sido adotados para pegar de surpresa o cangaceiro. “O trem chegou à Estação de Piranhas sem apitar. Foi a primeira vez que isso aconteceu”, costumava contar o ex-soldado.

Ele  dizia, também, que o fato de a volante trajar roupa igual a dos cangaceiros, causou a morte do soldado Adrião, sendo esta a única baixa registrada na força policial. “Muitos cangaceiros escaparam com vida porque passavam entre a volante gritando que eram companheiros da volante. E na dúvida, ninguém atirava e só depois é que sabiam que se tratava de cangaceiro", contava Josias Valão.

Fonte: Correio Notícia, Blog do Mendes, Pão de Açúcar: História e Efemérides e TV Gazeta (Bom Dia Alagoas).

 

 

 

 

 

Lampião, maria Bonita e outros cangaceiros. Foto: Reprodução/Google

Virgulino Ferreira,o Lampião - Foto: Reprodução/Google

Cabeças dos cangaceiros exterminados na Grota de Angicos. Foto: reprodução/Google

O ex-soldado  piranhense Josias Valão, da volante que combateu o Cangaço.

Foto: Reprodução/Alagoas 24 Horas.

 

 

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