NOTÍCIAS

TCU determina que governo avalie necessidade de deixar controle da Eletrobras

Governo deve enviar justificativa antes da chegada do processo de privatização da Eletrobras no TCU


icon fonte image

  Fonte: G1 com Gazetaweb

Projeto que libera privatização foi enviado ao Congresso na terça (05)

Projeto que libera privatização foi enviado ao Congresso na terça (05)   Foto: Reuters

Postado em: 06/11/2019 às 21:18:57

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou nesta quarta-feira (6) que o Ministério de Minas e Energia verifique se há razão para manter o controle estatal sobre a Eletrobras e se as motivações que levaram a criação da estatal deixaram de existir.

Segundo decisão do plenário da corte de contas, essas explicações devem ser enviadas ao TCU antes de qualquer processo sobre a privatização da empresa.

Na terça-feira (5) o governo encaminhou ao Congresso Nacional o projeto de lei que autoriza a privatização da Eletrobras.

A privatização ocorrerá por emissão de ações, o que vai diluir a participação da União a menos de 50%. O projeto também não prevê mais as ações especiais com poder de veto, as chamadas "golden share".

Pelo texto encaminhado, o processo de capitalização estará ligado à retirada de hidrelétricas do chamado regime de cotas.

Criado em 2013, o regime de cotas estabeleceu que a energia produzida por uma parte das usinas da estatal seria vendida aos consumidores a valores mais baixos que o de mercado.

Com a retirada dessas usinas do regime, a Eletrobras poderá voltar a vender a energia a preço de mercado (mais alto). Pela mudança no modelo das usinas, a União estima que vá receber R$ 16,2 bilhões.

Auditoria

O plenário aprovou o parecer do ministro Aroldo Cedraz, relator de auditoria que analisou a situação da Eletrobras. No processo o TCU determinou ainda que o governo esclareça se o setor privado disponível atualmente no país é suficiente para sustentar os investimentos necessários para o setor de energia.

No processo, a corte de contas também determina que o governo defina e explique o que será feito com uma série de pontos que eles avaliam como riscos para a Eletrobras antes do processo de privatização:

falta de remuneração adequada por atividades desempenhadas pela empresa como a gestão do programa Luz para Todos;

tratamento que será dado ao Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) com relação à Eletrobras;

tratamento que será dado à Eletrobras Eletronuclear e à Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, que precisam ficar sob o controle estatal.

O projeto encaminhado ao Congresso Nacional, no entanto, já trata de muitos dos temas levantados pelo TCU, como a determinação de que a Eletrobras mantenha o pagamento das contribuições associativas ao Cepel por quatro anos e a previsão de criação de uma sociedade de economia mista ou empresa pública para manter o controle estatal da Eletronuclear e de Itaipu.

Situação econômica

Ao justificar o projeto para privatização da Eletrobras, o governo aponta que as dificuldades econômicas enfrentadas pela empresa reduziram a sua participação na expansão da oferta de energia elétrica.

Segundo o governo, em 2011, a participação da estatal na oferta nacional de geração de energia elétrica era de 36%. Ao final de 2018, essa participação havia caído para 31%. Na área de transmissão, Eletrobras chegou a deter 58% do sistema em 2012, e, ao final de 2018, sua participação caiu para 47%.

Comentários

Escreva seu comentário
Nome E-mail Mensagem