Somente três vereadores compareceram à sessão homenageativa a três personalidades alagoanas, sexta-feira, 23.
Sem justificar suas faltas, os vereadores boicotaram contra a realização da sesão solene para outorga de três títulos de Cidadão Honorário de Pão de Açúcar. As proposições foram votadas e aprovadas pelos mesmos edis que faltaram aos trabalhos legislativos
Foto: Reprodução/Cortesia
Nos últimos dias a Câmara Municipal de Pão de Açúcar tem sido alvo de reportagens nada satisfatórias, as quais só contribuem para expor de forma negativa a imagem do Legislativo. Primeiro veio à tona um possível acordo entre um grupo de vereadores para que a atual presidente da Casa assumisse apenas a metade de seu mandato de dois anos, para entregar a o cargo, através de sua renúncia, a outra vereadora, fato que não ocorreu porque, segundo este mesmo grupo de vereadores, a presidente Lena Machado “quebrou o acordo” firmado e considerado legal, uma prática muito comum entre eles, embora para a população não passa de um pacto imoral. Principalmente porque Pão de Açúcar precisa adotar um novo modelo de política onde as práticas coronelistas e os acordos esdrúxulos devem ser extirpados.
Outro fato que foi alvo de críticas e serviu até mesmo de chacota foi o discurso de um determinado vereador. Ele, ao usar a tribuna durante sessão na Câmara, no dia 2 de fevereiro, desafiou a todos que estavam presentes a lhe mostrar uma lei que provasse a existência do vocábulo “rateio”, se referindo à divisão das sobras de recursos do FUNDEB para os professores, e foi além afirmando que se alguém provasse o contrário, ele renunciaria o mandato.
Ao ser desafiado por uma professora municipal a renunciar, após esta ter mostrado uma cópia da lei por meio de um vídeo, a gravação viralizou nas redes sociais, expondo ainda mais negativamente a imagem da Câmara de Vereadores de Pão de Açúcar.
Para quem conhecesse o mundo da oratória política, das fórmulas mágicas, das promessas categóricas e dos discursos demagógicos, é muito usual, em momentos de ânimos acirrados e de embates, muitos políticos falarem movidos apenas pela emoção e completamente desprovidos de razão e conhecimento de causa – o que mais sapiente e proveitoso seria se optassem em permanecer em silêncio estratégico.
Como não bastasse, um grupo de vereadores, no último dia 23, colocou, mais uma vez, o Legislativo municipal no centro das críticas negativas. Dos onze integrantes do parlamento municipal, oito faltaram à sessão solene que homenageou com o título de Cidadão Honorário de Pão de Açúcar o ex-secretário estadual da Agricultura do governo de Renan Filho, Álvaro José do Monte Vasconcelos, e os médicos-cardiologistas Cid Célio Cavalcante e José Wanderley Neto, sendo este último, político de grande prestígio e influência, que esteve vice-governador do estado de Alagoas, no período de 2007 a 2011. Ele e, também, pai do atual presidente da Associação dos Municípios Alagoanos e prefeito de Cacimbinhas, Hugo Wanderley Caju.
No momento da sessão solene o público lotou a sala de sessões da Câmara de Vereadores para prestigiar a solenidade homenageativa que, por falta de quórum, quase não acontecia. Os oito vereadores ausentes: Ademir, Aloísio, Bel, Cabo Veio, Diomedes, João Batista, Tereza Brito e Zé de Duda.
Contando apenas com três vereadores – Lena Machado (bancada da situação), Ana Dayse (bancada da oposição) e Dyego Correia (bancada da oposição) – os títulos foram outorgados e Pão de Açúcar adotou mais três filhos ilustres.
Além do grande público, a solenidade foi prestigiada pelos presidentes da AMA, Hugo Wanderley Caju (PMDB), e da UVEAL, Fabiano Leão (PMDB), o vice-prefeito de Jaramataia, vereadores dos municípios de Cacimbinhas, Arapiraca e São José da Tapera.
Segundo informações da presidente da Câmara Municipal de Pão de Açúcar, que é a autora das três proposições honoríficas, os vereadores faltosos não justificaram suas ausências, dando a entender que sete dos oito edis altosos, insatisfeitos em razão da não renúncia da presidente da Casa, isto é, por ela ter “quebrado o acordo”, boicotaram contra a realização da sessão solene.
A atitude desses vereadores provocou a indignação do público presente e, ainda, dos três vereadores presentes e, principalmente, das autoridades homenageadas, que teceram duras críticas aos faltosos, fazendo ou não uso da tribuna.
Alguns dos faltosos justificaram suas faltas com as seguintes expressões: Não compareci porque recebi o convite de última hora; Faltei porque os homenageados não prestaram nenhum serviço a Pão de Açúcar; Não compareci porque eu já tinha outro compromisso para esta data.
Sejam quais forem as suas desculpas, difícil é convencer a população. Até porque é dever (não é favor) dos onze vereadores comparecerem às sessões realizadas às sextas-feiras, pois este é o único dia de sessão legislativa. E para cumprir este dever parlamentar não precisa ser convidado pela presidência da Casa.
Afirmar que os três novos cidadãos pão-de-açucarenses não têm serviços prestados ao município de Pão de Açúcar também não convenceu o povo, pois é prática cotidiana dos vereadores de Pão de Açúcar formular proposições para homenagear personalidades com este título honorifico, usando das mesmas justificativas.
Além disso, os mesmos que agora se posicionaram contra a entrega dos títulos, foram os próprios que aprovaram as três proposições apresentadas pela vereadora e presidente do Legislativo municipal. Neste caso, por que, então, não votaram contra a aprovação das três proposições no momento em que estas foram colocadas em votação durante a sessão plenária?!
Na verdade o que se tem presenciado é uma série de picuinhas que não promovem bem-estar à população e de atitudes mesquinhas que não engrandecem o município, principalmente quando se propõe desenvolver um novo modelo de fazer política em um município que ao longo de sua história vem sofrendo dantescos prejuízos provocados por práticas inescrupulosas e individualistas de políticos que só se preocupam com o próprio umbigo.
Ora, se os vereadores acreditam que a presidente da Câmara de Pão de Açúcar "quebrou o acordo", por que, então, eles não tomaram uma atitude mais sábia, mais madura, mais civilizada, ao invés de terem constrangido três personalidades famosas em Alagoas e que nehum envolvimento têm com esse acordo frustrado? A repercussão está sendo muito grande porque é justamente isso que as pessoas estão questionando.
Na Câmara de Vereadores de Pão de Açúcar é praxe o vereador faltar às sessões porque preferiu ficar jogando baralho; porque estava com medo de ser vaiado por um grupo de pessoas em protesto; porque preferiu viajar para fazer lazer; porque vai estar na pauta uma votação polêmica, onde ele prefere ficar em cima do muro; outros tantos motivos banais, para deixar de cumprir com a responsabilidade de representante do povo.
E o pior é que o vereador falta sem apresentar justificativa oficial e sequer tem as faltas descontadas na remuneração mensal, que é paga com o dinheiro público oriundo dos impostos que a população recolhe. Esse é um circulo vicioso que precisa ser fiscalizado pelo povo e denunciado aos órgãos competentes. Aliás, a “caixa preta” da Câmara de Vereadores de Pão de Açúcar há anos está precisando ser aberta pelas autoridades competentes e escancarada para a população, doa a quem doer.
Sobre algumas críticas feitas nas redes sociais a alguns integrantes dos poderes Executivo e Judiciário municipais pelo fato de os mesmos não terem comparecido à sessão solene de outorga de títulos honoríficos, ainda que tenham sido convidados, esses não são obrigados a comparecer, assim como não os são quaisquer outros convidados.
A obrigação de não faltar às sessões cabe somente aos onze vereadores locais porque estes são integrantes do Poder Legislativo Municipal de Pão de Açúcar. Os deveres e atribuições dos vereadores não podem e nem devem ser transferidos para membros de outros poderes. Assim é querer desviar o foco da obrigação, para querer entrar no foco da interferência. Isso é inadmissível porque existe harmonia entre os três poderes constituídos do Brasil, porém eles são independentes.
Portanto, urge extirpar as mentalidades retrógradas, nutridoras da política do fuxico e do disse-me-disse, pois o Legislativo Municipal de Pão de Açúcar carece sair da mesmice, alavancar, ser verdadeiramente composto por mentes brilhantes – para o bem!


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