'Sentimos que não foi feita justiça', diz irmão de Giovanna Tenório após resultado de julgamento
Mirella Granconato, acusada de mandar assassinar Giovanna foi absolvida pelo crime de homicídio e condenada por ocultação de cadáver. Família da vítima quer novo julgamento.

Fonte: G1 AL/Suely Melo
Mirella Granconato Ricciardi Foto: Reprodução/TJ AL/Caio Loureiro
Após a sentença que absolveu Mirella Granconato Ricciardi pelo crime de homicídio da universitária Giovanna Tenório na noite da quarta-feira (11), familiares da vítima ficaram inconformados e pedem que seja feito um novo julgamento.
Muito abalados, a mãe o irmão de Giovanna conversaram com a reportagem do G1 nesta quinta (12).
O irmão da vítima, Francisco Xavier, disse que a decisão foi incoerente. "A gente tem certeza que a culpada é a Mirella Granconato, e por isso ficamos abalados com a decisão. Sentimos que não foi feita a justiça", disse.
Logo após o anúncio da sentença, o promotor de Justiça Antônio Villas Boas, responsável pela acusação no processo disse que iria recorrer da decisão.
“Vamos recorrer por entender que a decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos. Além disso, foi incongruente. Não se justifica”, expôs.
Atônita, a mãe de Giovanna, Catarina Tenório Andrade, disse que não esperava o resultado apresentado pelo júri, mas demonstra confiança na justiça. "Vamos continuar rezando e peço a mãe Aparecida que nos ajude. Pois são seis anos de angústia e de espera, mas com paciência porque sei que a mão de Deus está no comando de tudo".
Apesar de Mirella ser absolvida pelo crime de homicídio, ela foi condenada pela ocultação do cadavér. Diante da situação, ela deve cumprir pena em liberdade prestando serviços para comunidade, como também, pagar uma indenização no valor de R$ 20 mil à família da estudante.
"Como é que a pessoa é absolvida pelo assassinato e é culpada pela ocultação? Ficou uma coisa estranha e temos certeza que vai ser recorrido. Não queríamos passar por tudo isso de novo. É um sofrimento para a família, mas vamos até o fim para que seja feita a justiça", relata o irmão.
O advogado da família, Diego Duca, disse que irá recorrer da decisão do júri para que o julgamento seja anulado. "Não tenho dúvidas que o tribunal de Justiça irá anular [o julgamento] , porque foi uma decisão manifestada contrária a todas as provas dos autos. Assim irá ocorrer um novo julgamento, com um novo corpo de jurados", explica.Segundo ele, o juiz deveria ter observado a contradição na decisão e ter explicado para os jurados "Embora o júri popular não tenha a necessidade de fundamentar a decisão, isso não os isenta de julgar com coerência. O magistrado ao perceber isso deveria ter feito uma nova votação, o que não aconteceu no dia de ontem", diz Duca.
O irmão de Giovanna disse que tem certeza que acontecerá um novo julgamento devido à provas irrefutáveis do envolvimento de Mirella no assassinato da irmã.
"Vamos ficar pro resto da vida com a dor da perda, com o vazio que a gente tem, que é a falta da Giovanna, uma pessoa que sempre fez o bem. Tenho certeza que essa decisão vai ser reparada e que a culpada vai pagar. E que ela saia de lá para fazer o bem, pois ninguém merece passar pelo que a gente está passando", completou Francisco Xavier.
Depoimento
O júri popular considerou procedente as alegações da defesa de Mirella Granconato, assim como, o depoimento dela que negou envolvimento no crime.
"Não fiz isso. Mais do que ninguém aqui dentro eu quero que a verdade apareça para eu voltar para casa hoje. Quero minha vida de volta. Meus familiares estão passando constrangimento. Quero a verdade e que ela apareça. É o que eu espero", expôs Mirella durante o júri.
Acusação
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Mirella Granconato sendo ouvida pelo Júri (Foto: Divulgação/MP-AL)
Mirella chegou ao banco dos réus como autora intelectual do crime registrado em junho de 2011 que tirou a vida da estudante universitária Giovanna Tenório.
No entendimento da acusação, Mirella Granconato encomendou a morte de Giovanna Tenório porque a estudante teria um relacionamento amoroso com Antônio de Pádua Bandeira, que a época era esposo de Mirella.
Ela ficou casada com Bandeira por cerca de 9 anos e estão separados há pouco mais de um ano. Eles têm dois filhos, um de 7 e outro de 10 anos.
Bandeira não é acusado no processo. Ele chegou a ser preso preventivamente, mas nunca foi denunciado. Quando o juiz perguntou à Mirella se ele tem envolvimento no assassinato, a ré disse que não sabe. "Se eu soubesse, diria".
No entanto o motorista de caminhão Alberto Bernardino da Silva, que prestava serviços para Bandeira, foi condenado a 29 anos de prisão em setembro deste ano pela morte da universitária. Na ocasião, o júri popular entendeu que ele foi o autor material responsável pela morte e ocultação do corpo da universitária.
Crime
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Giovanna desapareceu em 2 de junho de 2011, próximo à faculdade onde estudava fisioterapia, no bairro do Farol. O corpo da vítima foi encontrado dias depois, em um canavial entre os municípios de Rio Largo e Messias.


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