Secretários de Renan Filho vão à ALE explicar calote, obras e ida à China
Gestores vão esclarecer aos deputados crises nas áreas da Educação, Esportes, Infraestrutura e Desenvolvimento Econômico

Fonte: Portal Gazetaweb - Por Jonathas Maresia
Deputados querem explicação do secretariado de Renan Filho Foto: Reprodução/Gazetaweb
O mês de setembro promete ser de muita dor de cabeça para o secretariado do governo de Renan Filho (MDB), que terá que comparecer à Assembleia Legislativa Estadual (ALE), após solicitação dos deputados, para explicar sucessivos problemas nas pastas de Educação, Esporte, Infraestrutura e Turismo e Desenvolvimento Econômico.
Luciano Barbosa, Maurício Quintella e Rafael Brito devem ir à Casa Legislativa para falar sobre a 'Missão à China', devolução a Brasília de recursos destinados ao Esporte, o calote contra as prefeituras que aderiram ao Programa Escola 10, além da não utilização de R$ 253 milhões em recursos federais que estão à disposição do governo, mas, estranhamente, não são utilizados pela gestão.
"Não é razoável que um Estado como Alagoas, um dos menores e mais carentes do País, devolva recursos públicos federais porque não foi capaz de executar aquilo que se propôs a fazer", reagiu Gustavo Santos, procurador-chefe do MP de Contas ao abrir a investigação.
A presença dos quatro secretários na ALE amplifica ainda mais o desgaste do governador Renan Filho, não só com o Legislativo, mas também com a sociedade alagoana, já que sua gestão tem efetuado diversas devoluções de recursos federais por incompetência da gestão, que tem sido visto como algo lamentável pela população, por se tratar de um Estado pobre e carente de investimentos.
Quem deve ir primeiro é o secretário Rafael Brito, que se intitulou como chefe da delegação que foi à China, no mês passado, mesmo com a presença do governador como integrante da comitiva. O objetivo, supostamente, era prospectar possíveis novas empresas para Alagoas. Contudo, o anúncio oficial se restringiu, mesmo com o gasto de R$ 600 mil, a duas empresas que já atuavam em Alagoas. Além da ida à China, os deputados querem saber mais detalhes sobre o Consórcio Nordeste.O gasto de R$ 600 mil e a notícia requentada por Renan Filho sobre as empresas que já atuam em Alagoas foram denunciadas pela Gazeta de Alagoas, no final de julho. A matéria assinada pelo jornalista Carlos Nealdo colocou por terra a versão do governo de Alagoas e mostrou, na verdade, que a empresa GPK já havia manifestado em 2018 a instalação no estado. Por sua vez, a ZTT já havia anunciado, em 23 de outubro de 2015, a ampliação do espaço no polo industrial de Marechal Deodoro.
Na Assembleia Legislativa, quem puxou o convite de Rafael Brito foi o deputado Davi Maia (DEM). "As notícias que têm saído depois que o governo retornou da China, ou seja, tudo o que o governo anunciou como resultado já estava programado e já era investimento corrente que aconteceria, o que deixa a missão um pouco inócua", diz Maia. A ida de Rafael Brito tem por objetivo jogar um pouco mais de luz sobre os resultados dessa viagem, completa o deputado.
Luciano Barbosa terá que explicar calote milionário contra prefeituras
Além da contenda com a pasta do Turismo, os deputados também querem ouvir do próprio secretário estadual de Educação, Luciano Barbosa, explicações sobre o calote que o programa Escola 10 deu em diversas prefeituras alagoanas que participaram da ação no ano passado. Já são nove meses que o governo fez uma solenidade no Centro de Convenções de Maceió, mas, até agora, o que restou foi o registro nas redes sociais.
Na quinta-feira, o líder do governo na Assembleia, deputado Sílvio Camelo, revelou que, com a calote de Renan Filho, os prefeitos precisaram tirar recursos de outras áreas para arcar com o planejamento financeiro que fizeram com os recursos da premiação. O governo precisou atuar para evitar a convocação.
Antes mesmo de qualquer sinal de convocação por parte da ALE, Luciano Barbosa já havia provocado os deputados por meio de uma postagem no Instagram, onde escreveu que, "enquanto os cães ladram, a caravana passa", numa referência aos discursos dos parlamentares na ALE, que, na semana passada, criticaram a gestão de Barbosa na Educação. No caso do secretário, ainda pesa contra ele o fato de ser vice-governador do Estado, o que acabou elevando as provocações via Instagram direcionadas aos deputados, mesmo que veladamente e sem citar nomes.
ALE quer saber sobre a paralisia do Canal do Sertão
Já o secretário de Infraestrutura, Maurício Quintella, terá uma missão não menos espinhosa que seus colegas de governo: vai à ALE explicar porque o Canal do Sertão se tornou um "elefante branco" encravado no semiárido, além de explicar o fato de o governo não utilizar os mais de R$ 250 milhões de verbas federais que estão à disposição e, apesar disso, não são utilizados para o desenvolvimento do estado de Alagoas.


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