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Pão de Açúcar perde o seu folclórico

Ele tornou-se conhecido pela maneira de vestir-se e falar e, também, pelas apostas em jogos de futebol e pelos empréstimos que fazia em pequenas quantias.


Pão de Açúcar perde o folclórico

Pão de Açúcar perde o folclórico   Foto: Reprodução/Redes sociais

Postado em: 07/08/2017 às 12:39:00   /   por Helio Fialho

Morreu na noite deste domingo (6), em sua residência localizada no Alto Fonseca, na cidade de Pão de Açúcar, Antonio Lima Ferreira, conhecido pela alcunha de “Didi” ou “Neguinho”, vítima de infarto, aos 71 anos de idade.

Amante do futebol, ele se tornou muito conhecido pela maneira extravagante de vestir-se e sua forma infantil de falar, além de possuir uma cabeleira  estilo cangaceiro e usar nas mãos muitos anéis como costumavam fazer os cabras de Lampião. Didi também gostava de usar uma grossa corrente de metal no pescoço.

Com suas roupas chamativas e sempre trocando o “r” por “l” quando falava, ele conseguia dialogar de forma bem humorada com crianças, jovens e adultos, transmitindo alegria por onde passava.

Nos idos de 1960/70/80, este pão-de-çaucarense costumava percorrer ruas e bairros organizando apostas em pequenas quantias, muitos antes da criação da Loteria Esportiva, da Caixa Econômica Federal. E as pessoas que  faziam suas apostas e acertavam o placar dos jogos recebiam seus pagamentos em espécie, efetuados por ele com muita pontualidade.

Para muitos, Didi era considerado "um louco”, porém, para aa pessoas mais sensíveis e humanas, ele era tido como um indivíduo que sofria apenas de distúrbio comportamental, pois tinha raciocínio rápido em cálculos matemáticos, não esquecia de cobrar a nenhum de seus devedores, fossem esses  crianças ou adultos, a quem ele costumava emprestar dinheiro em pequenas quantias.

 E assim, todos os dias, Antonio Lima Ferreira, o Didi, percorria as ruas  do centro e as periferias da então pacata cidade de Pão de Açúcar, para oferecer suas apostas e empréstimos, onde aproveitava para conversar sobre sua fé depositada em “Nossa Sinhola” e para falar, ainda, sobre nomes de políticos alagoanos conhecidos, incluindo “Renan Calelo”. E quando chegava a hora regressar para sua residência, digo, a “hola”, de retornar para casa, ele logo exclamava:  Chegou a minha “hola” de  ir “embola” plotegido por Nossa “Sinhola”!

Didi costumava tratar às pessoas como “neguinho” e, por isso, recebeu este apelido, também.

 Com seu estilo próprio de ser e viver, ele tornou-se uma figura folclórica na cidade de Pão de Açúcar, terra onde dificilmente perdia uma partida de futebol nos campos do Internacional e do Jaciobá. Se declarava torcedor apaixonado pelo Clube de Regatas Flamengo, do Rio de Janeiro.

De família humilde e irmão do famoso “Gato Ligeiro”, um pedreiro tirado a lutador que sempre estava a desafiar a polícia com suas arruaças, nos idos de 1960, Didi era muito pacato e construiu sua história no seio da plaga de Jaciobá, berço onde nasceu e viveu fazendo apostas, empréstimos em pequenas cifras e construindo muitos amigos de todas as idades e classes sociais.

O corpo está sendo velado em sua residência, no Alto Fonseca. O sepultamento dar-se-á  na tarde desta segunda-feira, às 16 horas, no Cemitério São Francisco de Assis.

Ao receber a notícia da morte deste personagem que fez parte de sua infância, o escritor, poeta e atual secretário municipal de Finanças, Alcir dos Anjos, escreveu: "Didi irá para um lugar especial no plano espiritual. Coração desprovido de maldade. Apesar de ter sido, no ponto de vista material, um homem pobre, deixou uma riqueza de respeito ao próximo e de bondade".

Para os que o conheceram, a morte de Didi deixa uma lacuma nesta torrão banhado pelo Velho Chico. Descanse em paz na Mansão Eterna,  folclórico, lendário e imortalizado Didi!

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