Pão de Açúcar: A Festa de Bom Jesus dos Navegantes está atraindo multidão
Um megulho na história da mais tradicional festa de Pão de Açúcar
Antiga procissão de Bom Jesus dos Navegantes - Porto de Pão de Açúcar (AL) Foto: Acervo de imagens
A Festa de Bom Jesus dos Navegantes não depende da Prefeitura para atrair a multidão porque é uma festa popular que, inicialmente, era somente de cunho religioso e se concentrava exclusivamente na Praça do Bonfim, local onde está localizada a igreja que deu origem ao nome da praça e de onde sai a procissão fluvial do santo homenageado, no domingo de festividades. A procissão fluvial contava com a presença marcante de dezenas de canoas de tolda, chatas e canoas de pescaria. Nas primeiras edições do evento, a imagem do Bom Jesus dos Navegantes era transportada em uma canoa de tolda. Com o passar dos anos, a imagem passou a ser conduzida em um navio e, atualmente, em uma balsa.
Com o passar do tempo foram inseridas algumas inovações à programação, a exemplo da tradicional Corrida de Canoas nas águas do Velho Chico, uma iniciativa de nomes, na época, ligados à Colônia de Pescadores: Cícero Pinheiro, Felinto Capoeira, João Buzano, Odilon de Terto, Ernesto Galego e outros, os quais tiveram o apoio de alguns comerciantes locais bem sucedidos, a exemplo de Manoel Mendes Pastor (Manoelito).
A partir do ano de 1978, na gestão do então prefeito Eraldo Lacet Cruz, verificou-se uma concentração muito grande de pessoas na Praça do Bonfim durante os dias festividades, sem que a Praça do Bonfim comportasse mais o crescente número de pessoas, fato que provocava a migração de uma grande quantidade de pessoas para a Rua da Frente (orla fluvial), embora neste local não tivesse nenhuma atração para a diversão das pessoas.
Por iniciativa do prefeito Eraldo Lacet Cruz, depois de ouvir alguns de seus assessores e o próprio pároco, resolveu transferir os parques de diversão para a Rua da Frente. A partir desta iniciativa, o fluxo de pessoas para a orla fluvial foi extraordinário.
Isto fez com que a Praça do Bonfim ficasse apenas com as atividades religiosas e com mais espaço para as pessoas que preferiam ficar concentradas próximas à igreja. Enquanto isso, na orla fluvial, a concentração de pessoas, com o passar dos anos, era cada vez maior.
No ano de 1993, no primeiro ano de gestão do então prefeito Antonio Carlos Lima Rezende (Cacalo), pela primeira vez foi trazido um trio elétrico para abrilhantar a programação profana da Festa de Bom Jesus dos Navegantes. Neste ano, o Trio Elétrico Totozão, vindo da cidade sergipana de Propriá, abrilhantou a festa com shows musicais, na orla fluvial, precisamente na imediações do Iate Clube Pão de Açúcar.
A partir daí, todos os anos, durante a Festa de Bom Jesus dos Navegantes, a Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar tem sido a responsável pelos shows musicais gratuitos realizados na orla fluvial.
Durante a gestão do então prefeito Jasson Silva Gonçalves (Dr. Jasson) foi inserida na programação festiva da Prefeitura, no palco da orla fluvial, um show musical católico com a presença de uma atração musical vinda da Canção Nova. Também foi na gestão de Dr. Jasson que os integrantes da comissão organizadora da festa passaram a utilizar aparelhos de rádio comunicador para a organização da festa.
Durante as gestões do prefeito Jorge Dantas, nos períodos de 1997 a 2004 e de 2013 a 2016, foram feitas inovações consideráveis na programação desta festa, a exemplo de prova de natação, prova de remo, futebol society, corrida de bote de um pano, apresentações culturais na Praça do Bonfim, premiação aos canoeiros na Toca do índio (em homenagem ao saudoso Odilon de Terto), Sexta Cultural e outras.
Em 2017, são notadas algumas mudanças feitas pela Prefeitura na estrutura da festa, incluindo a transferência do palco de atrações musicais, para uma praça em frente ao antigo sobrado onde se hospedou D. Pedro II, na orla fluvial. Também houve o retorno de parques de diversão para trechos antes ocupados por estes, na Avenida Ferreira de Novais, nas proximidades do Iate Clube. A concentração de paredões na Avenida Bráulio Cavalcante é, também, notada nesta edição da festa.
Neste sábado (7), à partir das 19 horas, será realizada a tradicional “procissão dos carros”, saindo da Igreja do Bonfim para percorrer as principais ruas da cidade. E no domingo (8), pela manhã, acontecerá o cortejo fluvial pelas águas do Velho Chico com a imagem do Bom Jesus dos Navegantes, que será conduzida por uma balsa e acompanhada de dezenas de embarcações.
E, assim, a tradicional Festa de Bom Jesus dos Navegantes segue resistindo ao tempo, sofrendo mudanças, muitas vezes radicais, porém, a religiosidade do evento continua sendo preservada pela comunidade católica.
Programação – Shows Musicais na Orla Fluvial
Sexta-feira (6)
21:00 h – Denisson Silver;
23:00 h – Jonas Esticado;
01:00 h – NuKomando
Sábado (7)
23:00 h – Zelito & Expresso Forronejo
01:00 h – Bandana
Domingo (8)
12:00 h – Cheuell
15:00 h – Tatau
21:00 h – Show católico com Vida Reluz
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Festa que se verificava no dia seis de janeiro, na Igreja do Senhor do Bonfim, revestindo-se de um entusiasmo extraordinário. O início da festa sempre se antecipava para os dias dois, três, quatro e cinco de janeiro, por se atribuir cada noite desses dias a uma classe ou profissão. Todos os anos a distribuição obedecia à seguinte ordem: 1ª das Moças; 2ª dos Rapazes; 3ª dos Casados e 4ª dos Artistas.
Desse modo, havia uma disputa acirrada das comissões representativas de cada classe ou profissão, no sentido de esmerar-se com brilhantismo na ornamentação da Praça e da igreja, com a finalidade de emprestar maior pompa a sua noite.
O quadro dessa tradicional e importante festa religiosa era abrilhantado pela Banda Marcial local, que de acordo com as comissões organizadoras obedecia ao seguinte programa: execução de três dobrados musicais nos horários das cinco da manhã, doze e dezoito horas, acompanhado do espocar de bombas e girândolas de foguetes. Esta parte do programa constituía a “matina”.
Tudo como que se imantava e era atraído pelos encantos da festa. Fazendeiros do interior, ou seja, da zona rural, intencionalmente, acompanhados das esposas e de suas filhas solteiras, chegavam à cidade com certa antecedência. E, juntando o últil ao agradável, enquanto os pais visitavam os amigos mais íntimos residentes no centro urbano da cidade, suas filhas cumpriam seus deveres de cristãs e prestavam seu culto ao Deus Cupido.
Havia, nesta festa, atrativos para todos os gostos, todas as idades e todas as bolsas. Para as crianças, o “curri” (carrocel), as gulodices e outros divertimentos compatíveis com a idade.
Para os adultos, as pompas do rito, os fogos, os balões do pirotécnico Mestre Chiquinho, as músicas, os botequins e as barracas. E, principalmente, os passeios ao longo da Praça do Bonfim (João Pessoa) com sua característica e espontânea seleção social de primeira e segunda roda, para não confundir a burguesia com a plebe. Muitas jovens que, pelo regime patriarcal então vigente, não frequentavam a sociedade, no decorrer das noites das festividades, acompanhadas dos pais, participavam desses passeios. E lá iniciavam seus “flirtes”, muitos deles “coroados de êxito”, pois levavam à realização do sétimo mandamento – o indissolúvel.
Como tradição, na véspera do dia seis de janeiro, as festividades tomavam mais brilho, não só por ser a última noite da festa, como também por ser a “Noite dos Artistas”. Grande era o ajuntamento de pessoas vindas de diversas partes do município, à festa tradicional de Pão de Açúcar.
No dia seis, dia de encerramento, à tarde, realizava-se a notável procissão fluvial de Bom Jesus dos Navegantes, grande era o número de embarcações a vela do porto local, como ainda as procedentes de outras cidades, existentes em toda a extensão do curso navegável do Baixo São Francisco. Em certas ocasiões e quando coincidia do naviozinho Comendador Peixoto se encontrar no porto da cidade, este participava do cortejo fluvial, concorrendo, assim, com sua aquiescência par dar maior beleza à referida procissão.
Fonte: Um Lugar no Passado, do autor Gervásio F. dos Santos.


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