Psiquiatra morre e tem o corpo doado à universidade alagoana para estudos científicos
Tadeu Brandão Cavalcante Júnior morreu aos 42 anos e pediu para ter seu corpo doado para estudos científicos para a cura do câncer.
O psiquiatra Tadeu Brandão Cavalcante Júnior... Foto: Reprodução/Cortesia
Numa época em que o egoísmo, a ambição e a falta de amor imperam no mundo e, por isso, cada vez mais são escassas as pessoas que se preocupam com o futuro da humanidade, em Alagoas, um dos estados brasileiros marcados pela violência e pelos escândalos, um fato inédito ocorreu contrariando as estatísticas sobre a crescente falta de amor: a doação, para a universidade, com a finalidade de estudos científicos, do corpo do conhecido psiquiatra Tadeu Brandão Cavalcante Júnior, de 42 anos (ele completaria 43 no dia 7 de março), que morreu na terça-feira passada (5), em consequência de câncer.
Quando detectou a doença, em junho de 2018, ele estava trabalhando no CAPS da cidade de Teotônio, como perito do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas. Mesmo lutando contra a doença, o psiquiatra continuou trabalhando em seu consultório na Clínica Integra, localizada na Rua Íris Alagoense, próxima da Praça Centenário (Maceió) e só no dia 8 de janeiro deste ano, devido à piora no estado de saúde, parou suas atividades laborais e veio a ser internado no dia 10.
Na companhia da esposa Karla Poliana de Barros, que é psicóloga, Tadeu enfrentou a doença e contou em todos os momentos com os cuidados da mulher que escolheu para amar “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”.
Ele nunca falava em morrer, porém, meses antes de falecer, durante um diálogo com a esposa sobre o destino do corpo, Tadeu Cavalcante revelou que “um dia, quando ele morresse, queria que seu corpo fosse doado para fins de estudo à universidade”.
E assim sua vontade foi feita. O psiquiatra faleceu no último dia 5 e teve seu corpo doado para a Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL). O velório do alagoano Tadeu Brandão Cavalcante Júnior foi realizado no Parque das Flores, onde recebeu as homenagens póstumas de familiares e amigos. Depois foi levado para ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), para ser doado à UNCISAL.
Segundo a viúva Karla Poliana, “as flores recebidas foram levadas pelos amigos e por mim para a Garça Torta e jogadas ao mar, por ser a nossa praia preferida”.
É importante destacar que o psiquiatra faleceu em casa porque, atendendo a seu pedido, os médicos do hospital onde ele encontrava-se em tratamento intensivo, o liberaram para internação domiciliar.
E na hora de sua partida para a Pátria dos Espíritos, em clima de muita emoção e romantismo, houve declaração de amor, expressão e beijo de despedida e o último abraço do casal enamorado, em celebração ao amor eterno.
“Nos minutos antes dele morrer, eu coloquei música, li para ele, falei sobre meus sentimentos e dos amigos, sobre o orgulho que ele era, e disse que, se ele quisesse partir, que fosse em paz. Ele me cheirou (como sempre fez), me beijou e com pouca força levantou o braço e colocou em volta do meu pescoço”, disse emocionada a viúva Karla Poliana à reportagem do Notícia Quente.
História como esta do psiquiatra Tadeu Brandão comove pessoas, exalta o amor e a solidariedade, quebra os grilhões do egoísmo, reacende uma luz no fim do obstruído túnel da fraternidade e revigora os estudos científicos em busca da cura do câncer e de tantas outras doenças.
Que a história narrada pela viúva e psicóloga Karla Poliana de Barros, que é, também, doadora de órgãos, possa servir de exemplo para a humanidade, que marcha implacavelmente nos caminhos do individualismo e da descrença – porque o psiquiatra Tadeu Júnior, apesar de ter vivido apenas quatro décadas, tempo suficiente para pensar na coletividade e tornar-se um autêntico samurai da saúde mental e um grande, imortalizado mestre da humanidade que, sem conotação religiosa, aprendeu que o corpo humano é apenas o invólucro do espírito.
E por ter sido uma atitude rara, certamente sua lição de vida servirá de farol fulgurante para esta e futuras gerações.
Para quem não o conhecia, Tadeu Júnior também trabalhou como psiquiatra no CAPS Rostan Silvestre, CAPS Ad Harmony (em Alagoas); no estado de Pernambuco trabalhou em Lagoa do Ouro, Garanhuns, Angelim e Iati.
O grande físico alemão Albert Einstein já dizia que “O verdadeiro valor de um ser humano é determinado pela sua capacidade de libertar-se de si mesmo”. E o iluminado psiquiatra Tadeu Júnior viveu, libertou-se de si mesmo e se doou ao seu semelhante. (POR HELIO FIALHO)


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