Procurador mexicano diz ter sido demitido injustamente durante investigação de esquema da Odebrecht
Justificativa oficial foi de que Santiago Nieto teria violado código de conduta ao denunciar, em entrevista, diretor de estatal ligado a campanha do atual presidente.

Fonte: G1
Peña Nieto em 23 de janeiro de 2017 Foto: Reuters/Edgard Garrido
Um procurador que conduzia uma investigação sobre um escândalo de corrupção relacionado à campanha do presidente do México, Enrique Peña Nieto, e a empreiteira Odebrecht disse na quarta-feira (25) que foi demitido sem justificativa. O Senado prepara uma votação para decidir se o restitui ou não.
O procurador-geral interino do México demitiu Santiago Nieto, procurador-geral para crimes eleitorais, na semana passada, alegando que ele violou um código de conduta.
A demissão sumária ocorreu poucos dias depois de uma entrevista explosiva ao jornal "Reforma" na qual Santiago Nieto acusou Enrique Lozoya, ex-presidente da petroleira estatal Pemex e um membro de alto escalão da equipe da campanha de 2012 de Peña Nieto, de lhe escrever pedindo que fosse declarado inocente da acusação de direcionar dinheiro da empreiteira Odebrecht à campanha do presidente.
A demissão de Nieto revoltou políticos da oposição e até ameaçou adiar discussões de parlamentares sobre o Orçamento do ano que vem.
Na entrevista televisionada, Santiago Nieto negou ter violado qualquer lei ou ter revelado qualquer informação sigilosa. "Não violei nenhum código de ética", afirmou o procurador, que comandava o inquérito contra Lozoya e a campanha do presidente.
Na quarta (25), a Presidência do México reconheceu que Peña Nieto se reuniu com diretores da Odebrecht entre 2010 e 2013, mas negou que ele tenha recebido recursos da construtora brasileira para sua campanha em 2012.
Em reportagem, o "Reforma" diz, por sua vez, que a Braskem, empresa controlada pela Odebrecht e pela Petrobras, doou dinheiro e acompanhou "em tempo real" a campanha presidencial de Peña Nieto em 2012, citando como fonte Carlos Fadigas, ex-diretor da companhia.
Votação
O Senado deve votar nos próximos dias para decidir se restitui Nieto ou não, mas ainda não está claro quando a votação ocorrerá e se será pública.
Um sinal de como os ânimos se exaltaram devido ao assunto foi a promessa de parlamentares oposicionistas de adiar a votação do orçamento de 2018 até o caso de Nieto ser resolvido.
A disputa está complicando os esforços para dissipar as alegações de corrupção, que podem prejudicar o governista Partido Revolucionário Institucional (PRI) na eleição presidencial do ano que vem.
Não foi possível fazer contato com Nieto de imediato para se obter comentários na quarta-feira. Tanto o presidente quanto Lozoya, seu aliado próximo, já haviam negado envolvimento com qualquer irregularidade ligada à campanha de 2012.
Ciente de que a corrupção se tornou um tema central para a eleição de 2018, o PRI supervisionou as prisões de vários ex-governadores estaduais. Lozoya representa um desafio maior, dada sua proximidade do presidente mexicano.


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