Porteiro que citou Bolsonaro no caso Marielle recua de versão ao depor à PF
Funcionário de condomínio não confirmou que presidente tenha autorizado entrada de suspeito

Fonte: Gazetaweb
Porteiro que citou Bolsonaro no caso Marielle recua de versão ao depor à PF Foto: Walterson Rosa/Folhapress
O porteiro do condomínio em que Jair Bolsonaro mora e que citou o presidente nas investigações da morte da deputada Marielle Franco, recuou durante o depoimento prestado à Polícia Federal nesta terça-feira (19). Ele afirmou que ocorreu um erro ao lançar na planilha de controle o nome do presidente como o responsável por autorizar a entrada de Élcio Queiroz no Vivendas Barra.
O funcionário ainda disse a polícia, que teria se sentido confuso e pressionado durante os depoimentos dados à Polícia Civil em outubro. Mas apesar disso, o porteiro esclareceu que ninguém o "forçou" a prestar a versão em que cita Bolsonaro.
Ele foi ouvido no inquérito aberto para apurar o seu próprio testemunho no caso Marielle. A investigação foi solicitada pelo ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) para apurar "tentativa de envolvimento indevido" do nome de Bolsonaro nas investigações sobre o assassinato da vereadora.
O inquérito corre em sigilo e o Ministério Público Federal afirma que só se manifestará na conclusão do caso.
Nas duas vezes em que foi ouvido por investigadores da Polícia Civil, em 7 e 9 de outubro, o porteiro teria confirmado que foi "seu Jair" quem autorizou a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz, um dos acusados pela morte de Marielle, no condomínio. Élcio teria ido à casa do policial militar reformado Ronnie Lessa, o outro réu pelas mortes de Marielle e do motorista Anderson Gomes. A Polícia Civil e o MP (Ministério Público) do Rio afirmam que eles saíram de lá para cometer o crime. Bolsonaro morava nesse mesmo condomínio até tomar posse na Presidência da República.
O controle de acesso ao condomínio tem uma anotação manual que registra a entrada de Élcio para a casa 58, onde morava Bolsonaro. Há também planilhas de acesso feitas em computador, mas ainda não há informações se elas corroboram ou não a versão inicial do porteiro.
Registros da Câmara dos Deputados mostram que Bolsonaro, então deputado federal, estava em Brasília no momento da ligação. No entanto, não se sabe se, eventualmente, Bolsonaro atendeu o sinal da portaria por meio de uma transferência para seu telefone celular.
Por isso, a tendência é que a Polícia Federal aguarde a perícia dos dispositivos de armazenamento e gravação de chamadas da portaria do condomínio para ter certeza de que a nova versão do porteiro condiz com a realidade.


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