JUSTIÇA

Por que a prisão de um ex-presidente da Petrobras é um marco na Lava Jato

Com a prisão de Bendine, a Petrobras passa a ser agente do crime.


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  Fonte: HuffPost Brasil/Grasiele Castro

Aldemir Bendine...

Aldemir Bendine...   Foto: Sergio Moraes / Reuters

Postado em: 28/07/2017 às 18:38:37

Era início de 2015, Maria das Graças Foster deixa a presidência e outros diretores renunciam a cargos na Petrobras.

A então presidente Dilma Roussef tinha uma missão em suas mãos, indicar um sucessor para Foster capaz de anunciar os danos causados pela corrupção no balanço de 2014 e reerguer a estatal.

Depois de ouvir muitas recusas, chegou aos ouvidos de Dilma o nome de Ademir Bendine, que presidia o Banco do Brasil. Bendine, que iniciou a carreira no Banco do Brasil como menor aprendiz, convenceu Dilma de que era pessoa certa que ela procurava.

Dois meses depois do encontro, no comando da Petrobras, anunciou um rombo de R$ 21,5 bilhões nas contas da estatal, R$ 6,2 bilhões por causa da corrupção.

"A gente está com sentimento, diríamos até de vergonha, por tudo isso que a gente vivenciou. Eu faço um pedido de desculpa em nome dos empregados da Petrobras porque hoje eu sou um deles", disse à época.

Dois anos depois, o mesmo que estava com vergonha pelos prejuízos na estatal é preso pela suspeita de ter recebido R$ 3 milhões em propina da Odebrecht.

Segundo o Ministério Público Federal, com base na delação da Odebrecht, os pedidos de propina começaram na época em que comandava o Banco do Brasil e seguiu enquanto esteve na presidência da Petrobras.

 

Marco

A prisão de Bendine, na quinta-feira (27), é um marco na Oeração Lava jato.

Pela primeira vez um ex-presidente da Petrobras foi protagonista de uma ação da maior investigação de combate à corrupção do País.

Até então, a narrativa da operação se concentrava no núcleo político e se sustentava no argumento de que a empresa era vítima de um esquema.

Com a prisão de Bendine, a Petrobras passa a ser agente do crime.

assustador que, na altura das investigações, encontremos uma pessoa que foi indicada para estancar a corrupção e e tenha, segundo as evidências, praticado crimes nesse sentido. É assustador", resume o procurador Athayde Ribero da Costa, em entrevista coletiva para explicar a ação que prendeu Bendine.

 

O cobra

No pedido de prisão, o Ministério Público Federal ressaltou que o ex-presidente da Petrobras, que tem cidadania italiana, viajaria nesta sexta-feira (28) para Portugal e que a força-tarefa não havia identificado se Bendine tinha comprado passagem de volta.

A defesa nega intenção de Bendine em não voltar de viagem e apresentou à imprensa passagem de volta.

O advogado Pierpaolo Bottini acrescenta ainda que Bendine sempre se colocou à disposição para depor e colaborar com a Justiça.

A operação foi batizada de Cobra, em alusão ao apelido usado para se referir ao ex-presidente da estatal na planilha da Odebrecht.

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