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PM que fuzilou dois colegas era conhecido pela gentileza e educação

A motivação do crime ainda não foi esclarecida oficialmente, mas a reportagem apurou que o duplo homicídio pode ter sido provocado por frequentes desentendimentos entre os policiais


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  Fonte: Gazetaweb - Por G1

Sargento tinha dito à reportagem que apenas fazia o papel dele de seguir o manual da Polícia Militar

Sargento tinha dito à reportagem que apenas fazia o papel dele de seguir o manual da Polícia Militar   Foto: Reprodução/Gazetaweb

Postado em: 17/05/2023 às 21:54:26

Um homem calmo, educado, respeitoso e, principalmente, gentil.

Assim é descrito o sargento Claudio Henrique Frare Gouveia, de 53 anos, por conhecidos, colegas de farda, comerciantes próximos ao batalhão onde ele trabalhava, nas redes sociais e por alunos de uma associação onde ele ensinava patinação.

Mas, num dia de fúria, na segunda-feira (15/5), ele teria usado um fuzil para matar dois colegas de farda, o sargento Roberto da Silva e o capitão Josias Justi, comandante da PM na cidade de Salto, no interior de São Paulo. Em seguida, Gouveia se entregou a outro sargento.

A motivação do crime ainda não foi esclarecida oficialmente, mas a reportagem apurou que o duplo homicídio pode ter sido provocado por frequentes desentendimentos entre os policiais, principalmente por conta das escalas de trabalho.

Casado, o capitão Justi deixa dois filhos, de 3 e 5 anos. Já o sargento Silva, também casado, deixa três filhos, de 15, 18 e 29 anos. Ambos foram enterrados no cemitério Pax, em Sorocaba.

Procuradas, a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar não deram detalhes sobre o caso e se resumiram a dizer, por meio de uma nota, que "todas as providências de Polícia Judiciária Militar estão em andamento neste momento e a Corregedoria da Instituição acompanha as apurações".

Há um mês, a reportagem da BBC News Brasil entrevistou o sargento Claudio Gouveia.

Durante uma conversa de quase uma hora, a reportagem buscou entender por que ele era considerado nas redes sociais, especialmente no YouTube, um dos policiais "mais gentis do Brasil" e o que ele pensava disso.

Durante a entrevista, o sargento Gouveia agradeceu os elogios recebidos nas redes sociais e afirmou que apenas fazia o trabalho dele, seguindo o manual da Polícia Militar.

"A polícia foi aprendendo [ao longo dos anos] com as situações adversas que ela foi encontrando e foi melhorando. Não tive nenhuma ocorrência grave na minha vida, na minha carreira. Hoje, eu estou com 32 anos de polícia. Passei por diversos batalhões por consequência do meu trabalho", afirma.

Nascido no Paraná e criado em Araçatuba, no interior de São Paulo, o sargento Gouveia já atuou também na capital paulista, em batalhões da zona sul e central.

Em Salto há dez anos, ele contou para a BBC que entrou na polícia por influência do pai.

"Ele foi agricultor por muito tempo, analfabeto. Era o sonho dele entrar no Exército ou virar policial. E parte dos brinquedos que ele dava para a gente eram viaturas e distintivos. Nisso, servi o Exército e surgiu a oportunidade de prestar concurso. Prestei, passei e estou até hoje, incentivado pelo meu pai", contou ele.

Ele disse ter iniciado a carreira na polícia em 1991 e que se orgulhava de não ter se envolvido até então em nenhuma ocorrência grave.

Durante toda a entrevista, ele manteve um tom elogioso à corporação e citou uma evolução na conduta da tropa como um todo.

'Enquadros gentis'

Em um vídeo de pouco mais de um minuto, registrado por uma câmera acoplada ao capacete de um motociclista abordado na região de Salto, o sargento Gouveia conversa com o homem de maneira cordial e respeitosa.

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