PF faz buscas na casa do governador do Piauí e no gabinete da primeira-dama
Operação investiga desvios de recursos do Fundeb e do Pnate em superfaturamento de contratos de transporte escolar

Fonte: Rede TV - com Agência Brasil
Policiais federais fazem buscas na sede da Secretaria Estadual de Educação, em Teresina Foto: Reprodução/Divulgação/Polícia Federal
A Polícia Federal (PF) realizou buscas na casa do governador do Piauí Wellington Dias (PT), no gabinete da primeira-dama Rejane Dias (PT), em Brasília, em empresas e na casa do irmão da deputada, e na sede da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), em Teresina.
De acordo com a PF, Dias - que também é deputada federal - é o alvo das buscas na investigação. Em nota, ela informou que "recebe tranquilidade os desdobramentos da referida Operação" e que está à disposição para esclarecer o caso. A Seduc também declarou que está colaborando com as investigações
A Operação Topique investiga supostos desvios de recursos da Educação do estado por meio de pagamentos superfaturados em contratos de transporte escolar. Segundo a polícia, servidores públicos e empresários teriam se associado para superfaturar contratos de transporte escolar. A PF não deu mais detalhes sobre as suspeitas relacionadas ao governador ou os irmãos de Rejane Dias.
Operação Topique
As buscas que ocorreram na manhã desta segunda-feira (27) fazem parte da terceira fase da Operação Topique, que teve início ainda em 2018. Ao todo, 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços em Teresina e em Brasília, com autorização da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber.
Segundo a PF, o governo do estado continuou contratando as empresas suspeitas, mesmo depois das fases anteriores da investigação. Entre os anos de 2015 e 2016, servidores da cúpula administrativa da Seduc teriam se associado a empresários do setor de locação de veículos. Foram desviados, no mínimo, R$ 50 milhões de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica - Fundeb - e do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar - PNATE.
De acordo com a PF, “as ações de hoje dão continuidade às investigações formalizadas nas operações Topique e Satélites, ocorridas em agosto de 2018 e em setembro de 2019”. Nelas foram investigados empresários e servidores públicos estaduais envolvidos em esquema que desviava recursos públicos, a partir de contratações irregulares e com sobrepreço de serviços de transporte escolar.
Entre os crimes que teriam sido praticados estão os de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e crimes de licitação, praticados no âmbito da Secretaria de Educação do Estado do Piauí, informou a PF em nota.
“Mesmo após duas fases ostensivas da operação, o governo do Piauí mantém contratos ativos com as empresas participantes do esquema criminoso que totalizam o valor de R$ 96,5 milhões, celebrados entre os anos de 2019 e 2020”, diz a nota.
Segundo os investigadores, os recursos públicos desviados foram quantificados em relatórios de auditoria da CGU, obtidos a partir de pagamentos superfaturados em contratos de transporte escolar.
“As empresas beneficiadas, destinatárias de pagamentos em volume cada vez maior a partir de 2015, formavam um consórcio criminoso estável e estruturado, simulavam concorrência em licitações e, com participação de servidores públicos, se beneficiavam de contratos fraudulentos”, explica a PF.
Indícios obtidos ao longo das investigações mostram que as mesmas empresas atuam em fraudes licitatórias, em dezenas de municípios do Piauí, desde 2008. O desvio de recursos foi possível por meio dos lucros obtidos com a subcontratação parcial ou integral dos serviços que foram terceirizados, “em condições de total insegurança para os alunos da rede pública de ensino”.


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