‘Permissividade dos pais’ – inimigo perigoso e implacável na criação dos filhos
Pais permissivos, cúmplices, que não sabem impor limites ao filho, estão contribuindo para a formação de alguém que crescerá desprovido de valores éticos e morais, sem respeito ao próximo e aos direitos e privacidade de outrem.

Fonte: Por Helio Fialho*
Na relação entre pais e filhos, obedecer à hierarquia familiar é de fundamental importância... Foto: Reprodução/Google.
ARTIGO
Muitos estudiosos afirmam que o pior inimigo que os pais enfrentam para a criação dos filhos, nos dias atuais, é o aparelho celular. Contudo, pode-se garantir que o inimigo mais perigoso, implacável, na relação entre pais e filhos é a permissividade dos pais. Isso porque criam suas crianças sem quaisquer parâmetros.
Ora, na relação entre pais e filhos, obedecer à hierarquia familiar é de fundamental importância para a obtenção de excelentes resultados, incluindo o surgimento de cidadãos detentores de boa índole. Sendo assim, por mais que exista interação entre ambos, a ordenação familiar não deve ser deixada de lado, pois os pais jamais devem criar seus filhos com um grau de amizade excessiva a ponto de interferir nos princípios e valores que norteiam a família e fortalecem a autoridade paterna/materna – porque o pai deve ocupar o lugar de pai, a mãe deve ocupar o lugar de mãe e o filho deve ocupar o lugar de filho. E ainda que sejam bastantes companheiros, os pais, no desempenho da responsabilidade/missão nunca devem abrir mão do respeito filial.
Pais permissivos, cúmplices, que não sabem impor limites ao filho, estão contribuindo para a formação de alguém que crescerá desprovido de valores éticos e morais, sem respeito ao próximo e aos direitos e privacidade de outrem.
Não é agradável e tampouco elogiável uma criança ou adolescente invasivo e “entrão” – consequência de uma criação com ausências de limite e disciplinamento.
A intensidade do amor materno/paterno não pode e nem deve ser medido pelo grau de cumplicidade e permissividade. Ao contrário do que muitos imaginam, a não permissividade dos pais talvez seja o mais autêntico gesto de amor, para evitar expor ao mundo uma pessoa emocionalmente desestruturada, capaz de perder completamente a cabeça ao ouvir uma negativa para seus desideratos.
O médico-psiquiatra, psicanalista e terapeuta de família, Moisés Groisman, no livro O CÓDIGO DA FAMÍLIA (página 207), orienta: “Pais e filhos não pertencem à categoria de amigos ou confidentes. Têm um parentesco, pertencem a gerações diferentes, não têm idades semelhantes, e os pais, ao constituírem a família, têm a obrigação de ensinar aos filhos o que é permitido e o que não é permitido.”
Já o livro AS CRIANÇAS APRENDEM O QUE VIVENCIAM, dos autores Dorothy Law Nolte e Rachel Harris, fala sobre o poder do exemplo dos pais na educação dos filhos. “A maneira como nós, os pais, resolvemos nossas diferenças e lidamos com as crises familiares prepara o ambiente para nossos filhos aprenderem como lidar com conflitos – seja com hostilidade e briga ou com diálogo construtivo e empenho por uma solução.”
No livro LIÇÔES DE VIDA: ORIENTAÇÕES E ACONSELHAMENTOS PARA UMA BOA CONVIVÊNCIA, ao discorrer sobre o tema “Forme Regras para o Seu Filho” (página 115), escrevi: “Democratizar a família não significa anarquizar o lar. O filho tem que saber seus limites. Deve entender que dentro da hierarquia familiar seus pais não são seus irmãos ou primos. Os pais devem ser tratados como autoridades do lar. Um tratamento desrespeitoso exige advertência.
O descumprimento de regras desmoraliza o pai ou a mãe que as aplica. Portanto, se o seu filho quebrar regras, é legítimo aplicar punição. Se ele quebrar o horário que foi determinado para retornar a casa, proíba-o de sair de casa da próxima vez. O corte da mesada do mês é, também, uma boa opção como forma de sanção, dependendo da gravidade do ato praticado.
Saiba que os presídios e os manicômios estão lotados de filhos que foram criados sem conhecer a palavra limite. Pais que muito protegem, muito prejudicam. A verdadeira liberdade é aquela que é vivida obedecendo a regras. Por isso, nunca se sinta culpado em criar limites para os eu filho”.
Assim procedendo, com certeza, os pais estão dando gigantesca contribuição para a formação de cidadãos portadores de bons costumes e, consequentemente, para a formação de uma sociedade mais ordeira, mais justa e mais humana.
*O autor é especialista em Terapia de Família e Casal.


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