POLÍTICA

Partidos de esquerda vão ao STF por liberação de showmício nas eleições

Os partidos querem autorização para promover shows gratuitos, sem cobrança de cachê pelos artistas.


icon fonte image

  Fonte: HuffPost Brasil

Lula com artistas e intelectuais durante ato

Lula com artistas e intelectuais durante ato   Foto: Reprodução/HuffPost/© Ricardo Moraes/Reuters

Postado em: 26/07/2018 às 17:20:12

PSB, PT e PSol entraram com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo revisão de regra que proíbe showmícios durante a campanha eleitoral, em vigor há 12 anos no Brasil.

Os partidos querem autorização para promover shows gratuitos, sem cobrança de cachê pelos artistas.

Para isso, pedem que seja declarada a inconstitucionalidade parcial de artigo da Lei 9.504/1997, que veta "a realização de showmício e de evento assemelhado para promoção de candidatos, bem como a apresentação, remunerada ou não, de artistas, com a finalidade de animar comício ou reunião eleitoral", a partir da exclusão da expressão "ou não" do texto (artigo 39, parágrafo 7, acrescentado pela Lei 11.300/2006).

Veda-se o showmício com base na premissa de que o eleitor não tem a capacidade de avaliar criticamente as mensagens que recebe para fazer suas escolhas eleitorais. O eleitor é tratado como criança imatura.Petição apresentada por PSB, PT e PSOL.

As legendas afirmam que o veto a showmícios não remunerados configura "clara ofensa à liberdade de expressão, absolutamente incompatível com a Constituição de 88".

"Vale destacar que tanto a atividade artística como as manifestações de natureza política compõem o núcleo essencial da liberdade de expressão. Música não é apenas entretenimento, mas também um legítimo e importante instrumento para manifestações de teor político, como bem revela a riquíssima história da música brasileira", argumentam.

"Restrições às artes no contexto eleitoral não ofendem apenas os direitos dos artistas e dos candidatos que eles apoiem. Elas violam também o direito dos eleitores, que ficam privados do acesso a manifestações artísticas que poderiam ser relevantes para a formação do seu próprio convencimento político", continua a petição.

Os partidos dizem, ainda, que o conceito de liberdade de expressão parte da premissa de que as pessoas adultas têm condições de avaliar as mensagens que recebem para, então, refletir e tomar decisões.

"Veda-se o showmício com base na premissa de que o eleitor não tem a capacidade de avaliar criticamente todas as mensagens que recebe para fazer as suas escolhas eleitorais. O eleitor é tratado como criança imatura e não como cidadão de um Estado Democrático de Direito", concluem.

O relator do processo no STF é o ministro Luiz Fux, que determinou que o caso será analisado direto pelo plenário, em caráter definitivo, o que pode ocorrer ainda em agosto.

Fux afirma que "a matéria versada se reveste de grande relevância" e já determinou que Presidência da República, Câmara dos Deputados, Senado, Advocacia-Geral da União e Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre a questão.

 

Senado é contra mudança

 

O Senado foi o primeiro a se manifestar. Em parecer enviado ao STF nesta quarta-feira (25), a Advocacia do Senado defendeu a proibição de showmícios na campanha eleitoral.

"Há cerca de 12 anos existe a proibição de showmícios ou eventos assemelhados, remunerados ou gratuitos e, neste período, não houve qualquer impugnação quanto à regra. Tal fato demonstra que a norma tem aceitabilidade e é tida como constitucional", argumentaram os advogados do Senado.

(Com MSN)

 

O documento diz, ainda, que "a interferência do Poder Judiciário nas funções típicas do Poder Legislativo só pode ser concebida para casos excepcionalíssimos e constitucionalmente permitidos, o que não ocorre na ação em tela".

Comentários

Escreva seu comentário
Nome E-mail Mensagem