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Parabéns Pão de Açúcar, pelos 168 Anos de Emancipação Política!!!

Minha homenagem a esta terra banhada pelo Velho Chico e abençoada pelo Cristo Redentor, onde o desenvolvimento naufragou.


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  Fonte: Por Helio Fialho

Parabéns Pão de Açúcar, pelos  168 Anos de Emancipação Política!!!

Parabéns Pão de Açúcar, pelos 168 Anos de Emancipação Política!!!   Foto: Reprodução/Redes sociais/AMA

Postado em: 03/03/2022 às 10:53:13

ARTIGO

O município de Pão de Açúcar está completando, nesta quinta-feira (3), 168 Anos de Emancipação Política (Lei n° 233, de 03 de março de 1854). Nesta terra que tem 411 anos de povoamento (1611) e 145 anos de elevação à categoria de cidade (Lei nº 756, de 18 de junho de 1877), percebe-se claramente que o desenvolvimento passou longe ou, se tentou chegar por aqui, afogou-se nas águas do rio São Francisco. 

É importante destacar que a Freguesia, sob a invocação do Sagrado Coração de Jesus, foi criada pela Lei nº 227, de 11 de julho de 1853.

Aqui estou referindo-me a uma terra de encantos e belezas, berço da cultura, cujos filhos são possuidores de uma extraordinária vocação artística. Não estou falando sobre uma plaga desprovida de talentos e despida de belezas, pois, Pão de Açúcar é, de fato, uma das maravilhas do Baixo São Francisco.

Terra de povo hospitaleiro, criativo e festeiro. É assim que defino os filhos de Jaciobá (Espelho da Lua), território que, no passado, foi taba dos extintos índios Urumarys. O tempo já provou que os pão-de-açucarenses são vocacionados para a música, poesia, artesanato, letras e tantos outros tipos de artes e, por isso, é um povo diferenciado que se destaca onde tem chegado.

Contudo, apesar de seus atrativos e patrimônios, Pão de Açúcar fechou suas portas para o progresso e desenvolvimento e nunca conquistou o reconhecimento oficial de “município turístico” – é apenas um *município com potencial turístico e **município prioritário para o desenvolvimento do turismo,  apesar de ser considerada uma das mais antigas de Alagoas.

Ao contrário de outras plagas, Pão de Açúcar, ao longo de todo esse tempo, acostumou-se a perder. Perdeu quase a totalidade de seu patrimônio histórico e cultural. Já não possui seus antigos sobrados que, sem a proteção do poder público municipal, foram demolidos, deixando muito mais pobre sua história. E ao compararem Pão de Açúcar do passado ao Pão de Açúcar do presente, as pessoas logo perceberão que  antigas indústrias, cinemas, lojas, educandários, bares, restaurantes, lugares de diversões, blocos carnavalescos, times de futebol, antigas embarcações, ônibus interestaduais, clubes recreativos, eventos importantes e tantas outras coisas ficaram para trás, devido à ausência políticas de preservação e, ainda, por desinteresse político.  

Todavia, não posso afirmar que os coronéis da política pão-de-açucarense desapareceram, pois, estes, mais modernos, maquiavélicos aperfeiçoados e muito mais astutos, permanecem impondo atraso à nossa terra e poucas oportunidades criam para os jovens e, por isso, muitos vão embora do torrão natal, em busca de sobrevivência em outras cidades (isso ocorreu no passado e continua acontecendo nos dias de hoje).

Ao atraso e dissabores gerados por esse modelo de política coronelista, resiste, também, uma parte significativa de moradores desta cidade ribeirinha que estagnada está no tempo e permanece descarrilada nos trilhos do atraso, restando apenas muita esperança no coração dessa gente sofrida e paciente. 

E, nesta data, com o coração transbordando de esperança mais que contentamento, na condição de filho e amante, quero render minha singela homenagem a Pão de Açúcar – meu berço querido e sofrido – terra onde estão sepultados muitos dos meus entes queridos (incluindo o meu pai, João Fialho de Mello, e o meu bisavô paterno, capitão José Targino Gonçalves Fialho)  e um número grande de familiares e inesquecíveis amigos.

Que esta terra tão sublime continue, por muitos e muitos anos, sendo banhada pelas águas do Velho Chico e abençoada pelo Cristo Redentor! Que o atraso e os maus políticos sejam extirpados definitivamente deste Paraíso da Água Doce! Que o povo não permita mais ser enganado pelos mensageiros de promessas categóricas e fórmulas utópicas! É o que eu desejo, para o bem-estar de nosso povo e de nossa gente!

Parabéns, Pão de Açúcar, pelos 168 Anos de Emancipação Política!!!

*Selo entregue pelo Ministério do Turismo/EMBRATUR, em 07 de março de 1996. **Selo entregue pelo Ministério do Turismo/EMBRATUR, em 1999.

 

 

 

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