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O Pertinaz

O 'miope social' só tem olhos para ver a marca estampada na roupa, no calçado, no relógio, na bolsa e no carro que as pessoas usam.


  Foto: Notícia Quente/Helio Fialho

Postado em: 15/07/2018 às 11:46:57   /   por Helio Fialho

Não nasci para ser prisioneiro da selva de pedra e tampouco ser escravo das imposições da sociedade pútrida. Optei sentir o cheiro do mato, ouvir o canto dos pássaros, contemplar as flores do mandacaru e caminhar pelas estradas e ruas descalças do meu lugarejo.

Não nasci para conviver em harmonia com gente que não tem visão para enxergar a essência do ser humano e, por isso, só tem olhos para ver a marca estampada na roupa, no calçado, no relógio, na bolsa, no carro que as pessoas usam porque, para o míope social, pouco importa se os bens adquiridos  são frutos de atos desonestos. Para os insanos elitistas desnudos de princípios, o indivíduo não precisa ter firmeza de caráter, basta tão somente possuir bens materiais conquistados de qualquer modo, para ser definido de cidadão de bem.

Por conseguinte,  situado na contramão dos tradicionais, resistentes e nauseabundos padrões de comportamento humano, sinto-me um evanescente marciático que combate em vão a hipocrisia de religiosos (que não vivem o que pregam) e a demagogia de inescrupulosos políticos mercadores de utopia, os quais se camuflam de cordeiros amestrados, quando, na verdade, não passam de espectros do mal e lobos devoradores.

Não nasci para valorizar o mexerico e nem para alimentar o meu ego com a malevolência praticada contra os meus antagonistas porque sou consciente que aqui na Terra permanece  em vigor a ininterrupta e inflexível Lei da Semeadura, que nos obriga a colher o que plantamos.

Não nasci para viver com a minha consciência algemada, ainda que o silêncio da minha voz seja decretado por circunstâncias transitórias.

Não nasci para desperdiçar o meu precioso tempo com conversas e atitudes que não edificam o ser, pois a vida tem velocidade relâmpago e, no palco da existência, quando a gente menos espera, as luzes se apagam e o último espetáculo encerra para sempre.  

Nasci para evoluir no Planeta dos Terráqueos – vivendo experiências alegres e tristes; ouvindo a voz da razão questionar os impulsos da emoção; comendo livros; discutindo temas; depurando os conselhos dos sábios; fazendo uma prece para fortalecer o meu espírito vulnerável à peçonha letal de invejosos e caluniadores.

 

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