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O Jaciobá é Campeão, porém, o desabafo do presidente do clube foi inconsequente e inoportuno!

Ao invés de se expressar com humildade, neste momento em que o time campeão precisa muito do apoio de todos, o presidente Jorginho foi arrogante em suas palavras..


Jaciobá é campeão da Segundona...

Jaciobá é campeão da Segundona...   Foto: Reprodução/Assessoria FAF

Postado em: 12/11/2018 às 07:05:55   /   por Helio Fialho

O Jaciobá Atlético Clube venceu o Campeonato Alagoano de Segunda Divisão, a “Segundona”, mesmo perdendo pelo placar de 1x0  para a equipe do Sete de Setembro (de Maceió), na tarde do último sábado (10), no Estádio José Gomes da Costa, em Murici, pois o time de Pão de Açúcar, de acordo com o regulamento, entrou em campo com vantagem e podia perder até por 3x0.

Com esta conquista, o município de Pão de Açúcar, depois de 20 anos,  pode ter um time na primeira divisão do Campeonato Alagoano de Futebol 2019.

Não há como negar que esta façanha merece ser comemorada por tratar-se de algo que provoca orgulho e contentamento aos pão-de-açucarenses, sendo estes torcedores ou não do “Azulão do Sertão”, fundado em 25 de janeiro de 1964.

Jamais neguei ser torcedor do Centro Sportivo Internacional, conhecido como “O Galo do Sertão”, pelas grandes conquistas,  nos idos de 1970/80.

Para a tristeza de seus torcedores, o Internacional vem enfrentando, assim como muitos clubes de futebol que no passado foram gloriosos, mas hoje vivem mergulhados em extrema decadência.

Dentre os times decadentes estão: Delmirense, Redenção (de Paulo Afonso), Ipiranga (de Santana do Ipanema), São Domingos (de Maceió), Propriá e América (de Propriá), Guarany (de Porto da Folha), Maruinense,  Cotinguiba (de Aracaju), Vasco (de Aracaju), Boquinhense, Cruzeiro (de Arapiraca), Atalaiense e tantos outros.

No entanto, para os triunfantes guerreiros jaciobenses, tiro o chapéu e os reverencio neste momento triunfal em que trouxeram uma importantíssima taça para esta terra que um dia foi taba dos extintos índios Urumaris que a batizaram de Jaciobá – “Espelho da Lua”. 

Esta façanha do Jaciobá Atlético Clube, que há anos viveu grande decadência, merece grande comemoração pelos jogadores, dirigentes e torcedores porque o time de Pão de Açúcar se reergueu e escreve mais uma página honrada na história do futebol alagoano e, em especial, do futebol desta comuna ribeirinha assolada por prolongada estiagem e extremamente carente de desenvolvimento.

Para o presidente Jorginho, ex-jogador do time, que  também viu seu pai Bacuca e seu tios Checa e Gazula vestirem a camisa do tradicional time azul e branco, o amor e a paixão pelo Jaciobá está enraizado e é uma tradição da família Pereira.

Neste meu texto, quero destacar a brilhante transmissão da partida pelas emissoras Jaciobá FM e Pão de Açúcar Web, com narração empolgante de Rogério Lima e comentários abalizados de José Vicente Neto e reportagem de Paulo Silva, os quais deram um verdadeiro show de transmissão aos amantes do rádio, passando toda a emoção do jogo para os torcedores que não puderam comparecer ao estádio.

Ao final da partida, completamente dominados pela imensurável emoção da inédita conquista, ouviam-se os gritos de alegria dos jogadores, torcedores e dirigentes do time campeão.

Logo após o jogo, como é praxe nessas ocasiões,  o presidente do Jaciobá, Jorge Pereira, conhecido popularmente como “Jorginho”, foi entrevistado pelo repórter Paulo Silva e fez um desabafo recheado de alegria, gratidão e muita mágoa, coisa que considero normal dentro do futebol, principalmente quando se conquista um título com muito sacrifício.

Sendo assim, não podemos deixar de reconhecer os méritos deste desportista e amante do futebol.

Reprodução/Gazetaweb

 

Mas, fazendo uso do meu direito de profissional de imprensa, da minha liberdade de expressão e do meu direito democrático de opinar, é claro, com ética e responsabilidade, discordo de dois pontos das declarações do presidente Jorginho: o fato de o mesmo ter misturado o ato meramente futebolístico  com ato político partidário, atitude comentada, até mesmo, por um político e amigo seu, no momento em que este foi entrevistado pelo repórter da Jaciobá FM.

O presidente do Jaciobá foi feliz quando parabenizou aos jogadores e ao técnico; no momento em que discorreu sobre o sacrifício que fez para pagar o salário dos jogadores e do técnico e, até mesmo, quando envaidecido, ele declarou que “assumiu a presidência do clube para mostrar que entende de futebol”.  Até aí tudo bem porque são coisas do futebol.

Todavia, discordo completamente da falta de ética do presidente do Jaciobá, quando ele declarou em tom de mágoa, dando conotação política ao caso, que o prefeito Flavinho, de Pão de Açúcar, ”não deu nem um pão para os jogadores comer durante o campeonato” e que (em tom irônico) “vai levar a taça conquistada para mostrar ao prefeito”.

Ao invés de  se expressar com humildade, neste momento em que o time campeão precisa muito do apoio de todos, o presidente Jorginho declarou, ainda, em tom de arrogância e de menosprezo para com a autoridade municipal, que vai colocar o Jaciobá para disputar a primeira divisão do Campeonato Alagoano, “com a ajuda de Jorge Dantas e do governador Renan Filho” – oxalá que ele consiga!

Percebo que o presidente do Jaciobá, apesar de ser um grande vencedor,  está precisando derramar baldes de gelo sobre a cabeça e calçar as sandálias da humildade.

No tocante às palavras de outros entrevistados,  concordo plenamente que aquele não era o momento para fazer política”, porém, lamentavelmente,  fizeram!

Concordo, também, que “o prefeito Flávio não vai se negar a ajudar ao Jacobá”. Até porque ele, na condição de cidadão (pessoa física), todas as vezes que foi procurado, sempre ajudou ao Jaciobá e ao Internacional, clubes de sua terra natal.  

Na condição de cidadão pagador de impostos, filho e amante desta plaga, enxergo que, neste momento de grande crise econômica nacional, o nosso município tem outras necessidades mais urgentes, e, por este motivo, discordo que a Prefeitura de Pão de Açúcar venha bancar a folha de pagamento do time do Jaciobá (como muitos torcedores querem) porque esta não é uma obrigação do Município, já que se trata de dinheiro público, principalmente quando sabemos que a nossa tão carente “Pão de Açúcar está passando por um processo de reconstrução”, como tão bem destacou em seu comentário, o advogado e radialista José Vicente Neto,   logo após ouvir o contundente desabafo do presidente do Jaciobá dirigido ao prefeito Flavinho.

É preciso entender que os tempos mudaram. Já foi o tempo em que as prefeituras pagavam tudo, isto é, bancavam as farras dos prefeitos, dos secretários, dos “subcarimbadores”  e, até mesmo, pagavam as joias das primeiras-damas. Isso acabou. Hoje as leis não são permissivas a esses abusos, pois se tornaram mais rígidas à prestação de contas do dinheiro público com muita transparência.    

É obrigação da Prefeitura de Pão de Açúcar, sim, pagar em dia o salário dos servidores, as contas aos fornecedores, investir em obras físicas e sociais que promovam bem-estar e qualidade de vida aos munícipes e desenvolvimento para o município. Mas não é uma obrigação da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar bancar um time de futebol,  principalmente quando o município sequer dispõe de recursos financeiros suficientes para suprir todas as suas necessidades.  

Sei que para manter um time de futebol disputando um campeonato a nível estadual é muito dispendioso e, para isso, é importantíssimo e indispensável o apoio financeiro dos torcedores, de empresários e de outros segmentos da sociedade, em especial, da iniciativa privada.

E para angariar recursos financeiros com a finalidade de ajudar a manter o time na disputa, seus dirigentes precisam ser muito dinâmicos e criativos, para colocar em prática várias campanhas arrecadadoras de fundo para o clube de futebol, sendo bem-vindos: os festivais de prêmios; a abertura de contas bancárias para depósitos dos torcedores; a realização de feiras da pechincha com produtos de doações; campanhas de sensibilização junto aos servidores públicos, objetivando receber pequenas doações financeiras através de transferência bancárias ou de pagamento de carnês; a realização de eventos que atraiam grande público pagante e outros.

Urge aos dirigentes do Jaciobá buscarem alternativas rentáveis ao time, pois além de dinheiro para pagar aos jogadores, ao técnico e a outros profissionais, o time vai precisar estruturar seu estádio para receber alguns jogos.

Reprodução/Felipe Sena/Cortesia

 

Também percebo que o time não planejou devidamente sua entrada na elite do futebol alagoano em 2019, pois, se tivesse planejado, seu estádio já contaria com a instalação de refletores, arquibancadas, alambrado, para oferecer as condições necessárias para receber as partidas que poderão ser disputadas em Pão de Açúcar, caso o time consiga inscrever-se no Campeonato Alagoano de Primeira Divisão 2019.

Partindo da suposição que um órgão público pretenda construir quaisquer obras dentro do estádio do Jaciobá, a agremiação (pessoa jurídica) terá que cumprir as exigências burocráticas da legislação em vigor no Brasil, cujo trâmite do processo é considerado moroso, além de exigir que o clube esteja com toda a documentação devidamente atualizada e sem apresentar pendências.

Neste caso, como o presidente do Jaciobá, Jorge Pereira, declarou que conta com uma promessa do governador Renan Filho, acredito que toda a documentação que será exigida do Jaciobá esteja devidamente atualizada.

E partindo, também, da suposição que a Prefeitura de Pão de Açúcar, a pedido, venha disponibilizar qualquer tipo de ajuda financeira e/ou queira construir qualquer obra no estádio do Jaciobá, o clube terá que submeter-se a este mesmo processo, por exigência da lei.  Caso o contrário, o prefeito (ou o governador), deixando de atender às exigências da legislação para ser generoso ao time do Jaciobá, estará cometendo ato de improbidade e complicar-se-á perante a Justiça.     

É importante destacar que o presidente do Jaciobá Atlético Clube, no início da “Segundona”, também teceu duras críticas ao prefeito Flavinho, dizendo que o gestor de Pão de Açúcar não estaria ajudando financeiramente ao time. E agora, logo após o encerramento do campeonato, ele volta a dirigir críticas contundentes ao gestor municipal.

Mas por que isso está acontecendo? Será mesmo que “o prefeito de Pão de Açúcar se negou a ajudar ao Jaciobá”? Ou Flavinho apenas está sendo zeloso para com o dinheiro público e obediente ao devido processo legal?

Esta é uma questão que precisa ser analisada sem paixão de torcedor e sem fanatismo de adversário político, porém, só à luz da razão!

 

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  • 12 de Novembro de 2018 O Guarany subiu, também neste ano, para a Primeira Divisão do Campeonato Sergipano. Vale o registro.