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O gênio enganador que ajudou a eleger Donald Trump

O FBI está investigando se Stone teve algum papel na interferência de Moscou na campanha das presidenciais de novembro.


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  Fonte: EL País/Joan Faus

 Roger Stone em fevereiro, em Nova York

Roger Stone em fevereiro, em Nova York   Foto: reprodução/EL País/Brendan McDermid

Postado em: 10/07/2017 às 08:17:11

Quando tinha oito anos, Roger Stone fez o que chama de seu primeiro truque político. Às vésperas da eleição presidencial de 1960, sua escola fez uma votação fictícia. Ele queria que ganhasse o democrata John F. Kennedy e para convencer os colegas decidiu inventar uma mentira: contar no refeitório que o republicano Richard Nixon queria que as crianças fossem à escola aos sábados. Kennedy venceu confortavelmente.

Esta foi seguida por inúmeros embustes ou falsas verdades que fizeram de Stone o mais provocador e enganador dos assessores políticos conservadores. Trabalhou para quase todos os presidentes republicanos ao longo das últimas quatro décadas. Aos 64 anos, roupas histriônicas e com uma tatuagem do idolatrado Nixon nas costas, é uma figura-chave para entender a política norte-americana. E também o auge de Donald Trump, do qual foi lobista e ideólogo na sombra desde que se conheceram, em 1979. Sem Stone, os lobbies teriam menos poder e na política haveria menos luta para denegrir o adversário sob a tese de que vale tudo para ganhar uma eleição.

Transita nos limites da moralidade e costuma invadir os bastidores das grandes polêmicas, de Watergate à recontagem dos votos na eleição de 2000, que o democrata Al Gore perdeu. Seu olho para a roupa suja e sua influência são mitificados ou desdenhados, mas sempre se acaba falando dele. Agora, ele está novamente no olho do furacão no caso da suposta conexão russa do estafe de Trump. O FBI está investigando se Stone teve algum papel na interferência de Moscou na campanha das presidenciais de novembro. E no dia 24 de julho prestará depoimento, a portas fechadas, na Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados que analisa a trama russa.

 

Ele nega qualquer irregularidade. Rejeita a acusação de que sabia com antecedência do ciberataque contra o Partido Democrata ou da publicação pelo Wikileaks da informação roubada. “Como provavelmente fui espionado de junho a novembro, qualquer pessoa que tenha visto os meus e-mails, mensagens e chamadas sabe que não tive contato com ninguém que representasse os russos”, diz o consultor em uma entrevista por telefone. “Não há nada a investigar.”

Mas suas aparições e mensagens públicas alimentaram a especulação. Antes de o Wikileaks divulgar os e-mails de John Podesta, o chefe de campanha de Hillary Clinton, Stone alardeou que tinha “se comunicado” com Julian Assange, o fundador da organização, e que tinha material sobre a candidata democrata, que seria divulgado antes das eleições. Também antecipou que Podesta teria problemas “em breve”. E depois da piratagem aos democratas, trocou mensagens no Twitter com Guccifer 2.0, um hacker vinculado aos serviços de inteligência russos.

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