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Não é uma atitude civilizada amigos ficarem distanciados por causa de escolhas políticas partidárias.

Assim como no futebol e na religião, é possível pessoas terem preferências antagônicas e conviverem de forma harmoniosa. Basta saber respeitar a escola do outro.


  Foto: Reprodução

Postado em: 22/02/2019 às 09:56:03   /   por Helio Fialho

Não vejo como atitude civilizada amigos ficarem distanciados por causa de escolhas políticas partidárias. Até porque a política passa e as verdadeiras amizades permanecem. Assim como no futebol e na religião, é possível pessoas terem preferencias antagônicas e conviverem de forma harmoniosa. Sou torcedor do Botafogo e tenho irmãos e filhos torcedores do Flamengo e Vasco da Gama e, mesmo assim, continuamos com a mesma intensidade de harmonia e afeto.

Tenho observado algumas pessoas com as quais sempre mantive um grau de grande amizade, que hoje, por motivação política partidária, demonstram muita indiferença quando nos encontramos. Alguns desses “amigos”  quando me veem até fingem que estão conversando ao celular, evitando cumprimentar-me.  Enxergo esses ex-amigos como detentores de extrema imaturidade porque, infelizmente, não sabem dividir as coisas. Esses falsos amigos não me fazem falta. 

Costumo dizer que, na política, os aliados de hoje são os adversários de amanhã e os adversários de ontem são os aliados de hoje. Sendo assim, a lógica da política não difere da lógica do futebol –  simplesmente inexiste.

Na verdade, o que precisa existir é o respeito à liberdade de escolha do outro, principalmente porque cada cabeça é um mundo e cada indivíduo é livre para manifestar  sua preferência por qualquer time de futebol, grupo político, denominação religiosa, gosto musical, opção sexual  e quaisquer outras coisas na vida. 

Vivemos, lamentavelmente, numa terra muito atrasada, onde o “ódio político” sempre faz suas vítimas. A história sangrenta da política de Pão de Açúcar faz-me afirmar, sem receio, que as mentalidades retrógradas precisam evoluir no tocante às relações humanas, caso contrário, o rancor e o fuxico vão continuar destruindo vidas por causa da intolerância política que fez morada nesta plaga ribeirinha fincada no sertão de Alagoas – tão carente da união dos filhos e de seus moradores.

A democracia dá ao cidadão o direito de escolher determinado candidato, grupo ou partido político. E esse mesmo cidadão tem todo o direito de sair de determinada agremiação  política quando bem quiser e entender – porque sua liberdade de escolha deve ser sempre respeitada, ainda que sua decisão venha desagradar pessoas alienadas que só enxergam o eleitor como mera propriedade de chefes políticos.  Até porque alguns que se autodenominam “cacique”  querem cobrar fidelidade política, ao tempo em que não enxergam que abandonaram seus aliados no momento em que eles mais precisavam de um gesto amigo.  

Seria bom que esses tais líderes e liderados fanáticos  enxergassem que pessoas conscientes e com excelente formação intelectual jamais vão aceitar ser tratadas como massa de manobra, ou seja,  nunca vão tolerar  ser tratadas como pessoas que não sabem a que vieram e nem sabem para onde vão e, por isso, só sabem que vão ao sabor dos conselhos dos dirigentes dos movimentos e ideologias dos quais participam ou seguem.

Aceitar tal comportamento coronelista, asqueroso, é, no mínimo, falta de amor próprio (para não dizer falta de vergonha na cara).

Portanto, fico mais triste que decepcionado quando percebo que amizades são abaladas, ou, desfeitas por motivação partidária. Pessoas que agem assim, sem dúvida, permitem ser dominadas pela mesquinhez e pelo egoísmo e, por isso, elas  tornam-se vulneráveis a envelhecer na senzala da solidão e da amargura, pois são criaturas com feridas crônicas na alma.

Não é raro pessoas brigarem por motivação política. Esquecem elas que o líder político que não conquista seus adversários está fadado ao fracasso – porque o político que não sabe somar não serve para ser político. Destarte, por mais que pareça estranho, é normal os piores adversários políticos tornarem-se grandes aliados.

E partindo desta verdade, o indivíduo que descarta uma boa amizade por questões políticas partidárias não passa de “idiota com cabeça de camarão”.   Pessoas que assim procedem são dignas de pena – porque o tempo é o senhor da razão.

Tenho dito.

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