Nota de Repúdio do jornalista Helio Fialho pela censura sofrida durante a cobertura jornalistica de um acidente
'Recebi voz de prisão de um policial truculento e despreparado porque fotografei a vítima de um acidente de moto, na AL 220, na tarde desta quarta-feira, nas proximidades de Olho D´Água das Flores'
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Quando retornávamos de Arapiraca pela AL 220, no nosso veículo Sandero, plotado com a logomarca do portal “Notícia Quente”, precisamente no trecho próximo à entrada da cidade de Olho D´Água as Flores, na margem esquerda da rodovia (para quem vai para Pão de Açúcar), na tarde desta quarta-feira (2), por volta das 17 horas e 10 minutos, me deparei com a cena de um acidente de moto, no qual a vítima era uma pessoa do sexo feminino.
Bem próximo da pequena aglomeração, percebi que a vítima se encontrava sentada sobre o acostamento. Ela estava com escoriações sobre o corpo e um nódulo grande na testa, em consequência de uma pancada que sofrera na testa (confesso que não sei como ocorreu porque não deu tempo para eu apurar as causas do acidente).
De imediato, fui tratando de fotografar a rodovia, as pessoas, a polícia e a vítima do acidente. Logo após, dirigi-me a um dos policiais que estavam no local, para obter informações sobre o acidente, com o objetivo de fazer uma matéria sobre o referido acidente, para publicar no portal Notícia Quente.
Enquanto eu começava a conversar com um policial, que estava mais próximo de mim, a vítima do acidente, com a ajuda de outras pessoas, conseguiu levantar-se para sair do local. Foi quando a orientamos (eu e o policial com o qual eu estava buscando informação), para que não saísse do local, pois a mesma precisava esperar os primeiros socorros, que já estavam vindo.
De repente, fui surpreendido por outro policial, que me acusava de ter "filmado e fotografado a vítima" – e que eu não podia fazer isso, pois a vítima do acidente era menor de idade. E que "eu estava preso" por ter feito as imagens, além de ter me chamado de "irresponsável". Justifiquei ao policial truculento que eu não havia feito filmagem, mas havia feito apenas algumas fotografias. Ele insistiu e dar-me voz de prisão e pediu para um dos colegas de farda tomar o meu celular.
Este outro policial não me prendeu e pediu para que eu mostrasse as imagens que eu havia feito da vítima, dizendo ele, também, que eu não estava autorizado a fazer isso porque a vítima era menor de idade. Ele, de maneira educada, pediu-me para ver as imagens e prontamente as mostrei. Ele pediu-me para eu apagar as quatro fotografias da vítima, dizendo-me que as demais fotos podiam ficar sem apagar.
Fiz ver a este policial que não cabe à polícia mandar eu apagar imagens e tampouco impedir a publicação das mesmas, pois tal ato seria uma decisão minha, na qualidade de jornalista, podendo, ou não, eu responder pelos meu atos, a depender do material que fosse publicado.
Enquanto eu conversava com este policial, que até me disse já ter trabalhado em Pão de Açúcar, o outro policial truculento agia com brutalidade e ameaçava, também, a minha esposa, que saiu do veículo e veio até o local da aglomeração, saber o que estava acontecendo comigo. Ela foi tratada com a mesma indelicadeza e truculência, além de o mesmo ter se negado a dizer o nome dele para ela, quando foi indagado.
Censurado, xingado, impedido de atuar como profissional de imprensa (MTE/AL 1644), taxado de irresponsável, ameaçado de prisão, muito constrangido, tive que deixar o local do acidente, onde ocorreu, também, este lamentável incidente, sem poder fazer a minha reportagem. Todavia, os avisei que tomaria as minhas providências e denunciaria o ato de censura.
As pessoas, com as quais tenho conversado sobre este lamentável ocorrido, acham a atitude do referido policial muito estranha, pois não há justificativa para tanto descontrole emocional de sua parte.
Confesso que não sei responder, pois, não o conheço, nunca o vi e sequer sei seu nome.
Por motivo do abuso de autoridade de um policial truculento, despreparado, e indigno de vestir a farda da briosa Polícia Militar do Estado de Alagoas, já que impôs, de forma arbitrária, censura a um jornalista que, no exercício de sua profissão, apenas tentava registrar mais um acidente ocorrido na AL 220, venho aqui manifestar o meu VOTO DE REPÚDIO!!!
Confesso que desde 1978, ano em que iniciei minha carreira como jornalista, jamais tive o meu trabalho censurado, pois sempre procurei trabalhar pautado na ética, na decência e sob a égiide da responsabilidade, buscando sempre contribuir com o jornalismo alagoano.
Denunciarei o agressor à imprensa; ao Comandante da Polícia Militar; ao secretário de Segurança Pública do Estado de Alagoas; ao Ministério Público Estadual; ao governador de Alagoas e a outras autoridades do nosso estado, para que atitudes como esta não venham se repetir. Veja as fotos que não foram censuradas pela polícia.
Policiais trabalhando na segurança do local onde ocorreu o acidente...
Policial trabalhando no controle do tráfego de veículos, enquanto a vítima é socorrida...
Vânia Rezende, na rodovia em busca de informações sobre a atitude do policial...
A policia controlando o tráfego de veículos... e pessoas ao redor da vítima do acidente...
Nesta foto pode-se ver o policial truculento, de costas... e Vânia Rezende conversando
com o policial truculento...
Viatura da PM que conduziu os policiais até o local do acidente...
Viatura da PM que conduziu os policiais até o local do acidente...
Viatura da PM que conduziu os policiais até o local do acidente. Pode-se ver o número
da placa do veículo. Fotos: Helio Fialho/Notícia Quente.
(*durante minha viagem a Arapiraca, assim como, durante minha permanência naquela cidade, e no momento em que eu estava colhendo informações sobre o referido acidente, ocorrido na AL 220, eu fiz uso da máscara de proteção; de álcool em gel; mantive o distanciamento orientado pelos órgãos de saúde, devido à pandemia da Covid-19).
**Matéria atualizada, às 04h52min, em 03 de dezembro de 2020.


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