Mulher que desapareceu e disse ter sido sequestrada não estava grávida, afirma delegada
Família denunciou desaparecimento da mulher em Maceió, que dizia ter gravidez de alto risco. Ela reapareceu 4 dias depois, dizendo que deu à luz em cativeiro e que o bebê havia sido levado.

Fonte: G1 AL
Geilsa Silva dos Santos, 25, dizia estar grávida e depois que desapareceu, alegou que havia sido sequestrada e que o bebê tinha sido retirado dela Foto: Reprodução/TV Gazeta
jovem Geilsa Silva dos Santos, 25, que disse ter sido sequestrada grávida no dia 18 de abril em Maceió e dado à luz um bebê dentro do cativeiro, não estava grávida. A informação foi confirmada na tarde desta terça-feira (25) pela delegada Adriana Gusmão.
Em entrevista à reportagem da TV Gazeta, a delegada titular da Delegacia de Crimes Contra Crianças e Adolescentes (DCCCA), que investigava o suposto rapto da criança logo após o nascimento, disse que chegou a essa conclusão por meio de exames feitos na Geilsa.
“Concentramos os trabalhos nos depoimentos da Geilsa e diante dos relatos, solicitamos a realização de uma ultrassom obstétrica, que comprovou que nos últimos meses ela não esteve grávida”, disse a delegada.
O exame foi realizado na Maternidade Santa Mônica. Após o resultado, Geilsa Santos admitiu a falsa gravidez em conversa com uma psicóloga.
“Em um dos depoimentos, Geilsa disse que ficou grávida em dezembro e que teve um aborto espontâneo. Mas, como o marido não aceitava o fato e começou a rejeitá-la, ela começou a criar uma gestação psicológica", revela a delegada.
Em outro ponto do depoimento, entretanto, Geilsa afirma que, na verdade, não contou ao marido que havia perdido o bebê, e sustentou a gravidez até então.
"Assim, à época de ter o bebê, 9 meses depois, ela saiu de casa, perdida, sem saber o que fazer e ficou três dias desaparecida da família. Ao retornar, ela disse que inventou essa situação porque não queria negar a gravidez para o esposo”, completou a delegada Adriana Gusmão.
Quando ela reapareceu, quatro dias depois de sair de casa dizendo que iria a um posto de saúde, afirmou que ficou sob poder dos sequestradores e que, após dar à luz, o bebê foi levado pelos criminosos, que a abandonaram em um canavial. Para sustentar essa versão, mensagens de texto foram enviadas para o aparelho do marido dela por uma pessoa que se passava por sequestrador.
A delegada disse que ela não explicou quem enviou as mensagens, porém os investigadores suspeitam que ela pode ter tido o apoio de alguém que a ajudou a forjar o sequestro.
No depoimento prestado à delegada Adriana Gusmão, Geilsa disse ainda que nos dias em que ficou fora de casa dormiu na rua e se envolveu em brigas que provocaram os hematomas que ficaram visíveis no corpo dela.
“Como o desaparecimento de Geilsa envolveu comunicação caluniosa e mobilização de aparato policial para investigar o suposto crime, as investigações continuam para saber se mais pessoas participaram da situação. Com isso, vamos ouvir outras pessoas como o esposo dela, outros familiares e vizinhos”, completou a delegada.
O inquérito agora será encaminhado para o 4º Distrito Policial, no bairro do Pinheiro. Segundo a polícia, a jovem pode ser indiciada por falsa comunicação de crime.


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