MPE/AL pede em ação civil pública torcida única para jogos entre CSA e CRB
A decisão já vale para a partida deste próximo final de semana.

Fonte: João Dionísio de Freitas/Ministério Público do Estado de Alagoas
Foto: Notícia Quente
Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL) requereu liminar e o Juizado do Torcedor da Capital acatou o pedido feito por meio das Promotorias de Justiça do Torcedor e do Consumidor para que todos os jogos entre os times de futebol CSA e CRB, realizados durante o Campeonato Alagoano de 2017, aconteçam com torcida única. A decisão já vale para a partida deste próximo final de semana.
A ação civil pública proposta pelos promotores de Justiça Sandra Malta e Max Martins pediu liminarmente que o acordo extrajudicial, formulado no âmbito da Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, e a recomendação conjunta do Ministério Público, ambos feitos em março último, e que foram acatados por todos os presentes nas duas ocasiões, inclusive os dirigentes dos dois clubes de futebol, sejam obedecidos.
“Participamos de uma reunião com representantes da segurança pública, do Judiciário e dirigentes dos dois times. Todos concordaram com o que estava sendo proposto, especialmente, com a recomendação do Ministério Público. Entretanto, resolvemos entrar com a ação porque existia a clara possibilidade desse acordo ser descumprido e, por consequência, ficar ameaçada a segurança do torcedor”, declarou a promotora Sandra Malta.
Inclusive, na petição, os promotores chamam atenção para o fato de que, mesmo depois de assinado o acordo, o presidente de um dos times concedeu entrevistas afirmando que ‘lutaria’ pela presença dos torcedores do seu clube no ‘clássico das multidões’, nome dado às partidas entre CSA e CRB.
Na decisão, o magistrado Sérgio Carvalho, afirmou que as constantes trocas de ameaças nas redes sociais e a possibilidade iminente de outro confronto entre componentes das torcidas, levou ao deferimento do pedido realizado pelo MPE/AL. “O perigo de dano irreversível no que tange à vida, à incolumidade física, aos bens materiais e imateriais dos consumidores/competidores, que se encontram vulneráveis diante da escalada de violência leva ao deferimento da liminar pleiteada”.
Violência
Em 2005, o MPE/AL entrou com uma ação pedindo a extinção das torcidas organizadas Mancha Azul, composta por torcedores do CSA, e Comando Vermelho, fundada por admiradores do CRB. Os autos se encontram em grau de apelação, mas os membros das duas equipes estão proibidos de frequentar estádios com vestimentas que lembrem as agremiações.
“Já há alguns anos, o esporte conhecido como a maior paixão do brasileiro passou também a levar consigo um peso que vem lhe custando muito caro. E isso em razão da violência nos estádios de futebol, principalmente pelas torcidas organizadas. Maceió não ficou excluída dessa triste realidade e já exibiu cenas terríveis nesse cenário. O Ministério Público não vai permitir que esse tipo de situação perdure, precisamos que o estádios voltem a ser de quem realmente vibra com seus times”, declarou ela.
A ação retratou o fato dos episódios de violência registrados sempre envolverem membros das duas torcidas organizadas. Em maio de 2016, por exemplo, no Estádio Rei Pelé, dezenas de torcedores promoveram atos violência. As cenas se repetiram no último mês de fevereiro, quando os dois times voltaram a se encontrar. Só nesse dia foram presas pessoas, vestidas com uniformes das torcidas e envolvidas com atos de vandalismo.
Houve o flagrante de dois espancamentos de pessoas com os trajes dos clubes envolvidos na confusão. Além disso, logo após o jogo ocorreu confronto de torcedores, tentativa de depredação de patrimônio público e o flagrante de pessoas com camisas de torcidas organizadas consumido substâncias entorpecentes em via pública.
Confira aqui a ação civil pública na íntegra.


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