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MP denuncia ex-servidor da Câmara de Maceió por estupros e mais dois crimes

Benício Vieira de Lima foi denunciado por estupro qualificado, sequestro e roubo majorado.


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  Fonte: G1 AL

Benício Vieira de Lima, servidor da Câmara Municipal de Vereadores de Maceió suspeito de cometer estupros em série

Benício Vieira de Lima, servidor da Câmara Municipal de Vereadores de Maceió suspeito de cometer estupros em série   Foto: Reprodução/TV Gazeta

Postado em: 22/04/2019 às 21:00:10

O Ministério Público Estadual (MP-AL) informou nesta segunda-feira (22) que denunciou Benício Vieira de Lima, ex-funcionário da Câmara Municipal de Maceió, suspeito de ser estuprador em série, por três crimes: estupro qualificado, sequestro e roubo majorado.

As denúncias foram ajuizadas pelos promotores de Justiça Lucas Carneiro e Dalva Tenório, das 59ª e 60ª Promotorias de Justiça da Capital, na última quinta-feira (18).

As ações penais relatam os crimes praticados nos dias 22 de novembro e 19 de dezembro de 2018 e em 13 de fevereiro deste ano, contra adolescentes de 14, 16 e 17 anos, respectivamente. De acordo com a denúncia, todos os crimes têm qualificadoras que agravam ainda mais os crimes praticados.

A polícia informou que há pelo menos 19 crimes sendo investigados contra o ex-servidor. As vítimas tinham entre 11 e 18 anos. Ele foi preso em casa no dia 15 de abril, no bairro de Guaxuma.

O suspeito era funcionário da Câmara e foi exonerado do cargo pelo presidente Kelmann Vieira (PSDB). Ele ocupava a assessoria em manutenção, segurança e demandas gerais do gabinete do vereador Chico Filho (PP), que disse que o caso o deixou surpreso, já que Lima era uma pessoa de confiança da família.

Casos denunciados

Na primeira ação, o Ministério Público explica que a vítima, menor de idade, de 14 anos, foi ameaçada e obrigada a praticar conjunção carnal com o réu.

“Essa vítima estava nas proximidades da Igreja São Judas, no bairro do Feitosa, quando uma pessoa, em um carro prata, lhe abordou. Em seguida, o denunciado mostrou uma arma de fogo e mandou que a menina encostasse no carro, senão, iria atirar. Quando ela encostou, o acusado pediu-a para que entrasse no veículo. Sob ameaça, a vítima obedeceu, e um pano foi colocado em seu rosto”, detalham os promotores.

Ainda, conforme o documento, na sequência, a adolescente foi levada para o escritório de um vereador por Maceió. E era lá que ele praticava os estupros, sendo usando de ameaça e violência.

A segunda denúncia é referente ao abuso sexual ocorrido em dezembro do ano passado. Nesse caso, o primeiro crime praticado não foi o estupro.

“No dia 19 de dezembro de 2018, no Feitosa, Benício Vieira de Lima constrangeu a vítima, com 16 anos, mediante grave ameaça. De acordo com o que foi apurado, o investigado perguntou à vítima se ela poderia informar onde ficaria a Igreja Universal. No momento em que a adolescente indicou a direção, ele abriu a porta do veículo, tirou uma arma de dentro do porta-luvas e mostrou a ela. Ameaçada, a vítima entrou no carro. Em seguida, sem falar o que queria, o denunciado deu partida no veículo e, quando entrou em uma rua nas proximidades das Lojas Americanas, anunciou o assalto, pedindo o celular. Ao colocar o aparelho telefônico no banco de trás, o acusado baixou o banco em que a adolescente estava e vendou seus olhos, dizendo que se ela gritasse, ele iria atirar em sua cabeça”, descreve outra parte da ação.

Ainda conforme o relato, depois de praticar o roubo, Benício levou a vítima ao mesmo escritório. “Ao entrar na residência, ele retirou a venda dos olhos dela, tirou a roupa da vítima e começou a tocar o seu corpo. Em seguida, o acusado também se despiu e mandou que a adolescente tomasse banho. Logo após, colocou o celular roubado e a arma de fogo em cima da mesa de um quarto, que estaria bastante bagunçado, e perpetrou os abusos. Segundo a vítima, o denunciado a obrigou a ‘fazer todo tipo de coisa’. E ela ainda contou que começou a sentir dor, pois ele foi muito agressivo no ato. E quando a vítima pediu para que o acusado parasse, ele lhe disse que se continuasse falando aquilo, iria chamar mais quatro amigos para estuprá-la também”, relata o MPE/AL.

Na última ação, os promotores de Justiça propuseram a terceira denúncia contra o mesmo acusado. A vítima, segundo o MP, teria sido uma garota de 17 anos, e o crime praticado este ano, também no bairro do Feitosa.

“A adolescente estava caminhando pelo logradouro conhecido como o principal do Feitosa, quando um veículo Sedã prata parou e perguntou informações sobre a localidade da Igreja São Judas. Em seguida, o denunciado pediu que ela entrasse no carro, tendo a vítima se negado. O investigado, então, mostrou uma arma de fogo que estava entre as pernas dele. Logo depois, sob a ameaça de morte, disse à adolescente para que não fizesse alarde e que ela entrasse no veículo, afirmando, inclusive, que se corresse, ele iria atirar”, afirma a petição.

Lembrando o mesmo endereço onde os atos sexuais violentos comumente ocorriam, a terceira vítima relatou detalhes do abuso aos investigadores: “Ele praticou com a adolescente conjunção carnal e anal. E ela contou que sentiu uma vontade de ir ao banheiro no momento em que ele praticava o sexo anal. Após defecar, a vítima sentiu um forte enjoo, chegando a vomitar. Então, o denunciado pediu que ela tomasse banho e voltasse ao quarto. Ao perceber que a garota estava bastante gelada, por estar passando mal, Benício Vieira de Lima mandou que ela se vestisse para ir embora”, conta mais um trecho da petição.

Ainda de acordo com o MP, “a prisão do denunciado possibilitou a descoberta de um verdadeiro estuprador em série, o que se revelou, até então, um dos maiores e mais graves do Estado de Alagoas. Outras persecuções penais já estão em curso, com inúmeras vítimas, todas trazendo à lume o mesmo modus operandi, violento e covarde”, afirmou o promotor Lucas Carneiro.

A promotora Dalva Tenório ressaltou a importância das denúncias serem feitas pelas vítimas.

“As duas promotorias de justiça com atribuição para atuar nos crimes praticados contra crianças e adolescentes estão localizadas no prédio do MP do Barro Duro, situado na Avenida Juca Sampaio, nº 3426. Pedimos para que as famílias não tenham vergonha e nem medo e nos procurem para formalizar as denúncias contra o abusador. Ele precisa ser penalizado por toda a violência sexual que praticou”, disse.

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