Morre 'Flor da Margem', aos 84 anos, uma das mais notáveis figuras folclóricas de Pão de Açúcar
Ele contraiu a Covid-19 e foi encaminhado para tratamento em um hospital de Santana do Ipanema, sendo liberado e vindo a óbito, logo em seguida, na residência de um filho que mora no Povoado Entremontes, por complicações causadas pelo novo coronavírus.
orre 'Flor da Margem', aos 84 anos... Foto: Reprodução/Redes Sociais
Morreu, na manhã desta quinta-feira (21), João Vieira dos Santos, conhecido popularmente como “Flor da Margem, aos 84 anos, uma das mais notáveis figuras folclóricas de Pão de Açúcar.
Segundo informações de um parente, ele contraiu a Covid-19 e foi encaminhado para tratamento em um hospital de Santana do Ipanema, sendo liberado e vindo a óbito, logo em seguida, na residência de um filho que mora no Povoado Entremontes (zona rural de Piranhas), por complicações causadas pelo novo coronavírus. O corpo foi velado no Povoado Entremontes, na residência de um dos filhos do falecido, desde à tarde de ontem, e foi sepultado no cemitério desta mesma localidade, às 7 horas da manhã desta sexta-feira (22).
Estilo estravagante
Nascido em uma comunidade rural ribeirinha de Pão de Açúcar, Flor da Margem e a família, no fim da década de 1970, mudaram-se para a cidade de Pão de Açúcar, onde tornou-se muito conhecido na região, principalmente pelo estilo muito estravagante de vestir-se (roupas estampadas e com cores muito vivas), além de usar cabelos compridos, bigode grande, chapéu aba longa, óculos escuros, anéis, pulseiras, braceletes e grossos cordões de metais sobre o pescoço, cujos adereços chamavam muito a atenção das pessoas.
E foi o estilo folclórico e único de Flor da Margem, que inspirou o saudoso poeta Enivaldo Souza Vieira (ENSOV) a escrever uma poesia em sua homenagem: “Django de Pão de Açúcar”.
Trabalhador rural, viúvo, “Flor da Margem” (apelido que justifica sua origem de morador ribeirinho do São Francisco e seu estilo único de ser e viver), gostava da roça e de cuidar de animais. Também gostava de fazer versos, toadas e aboios improvisados para animar as farras e as brincadeiras das quais participava com os amigos.
Hoje, lamentavelmente, o excêntrico e folclórico “Flor da Margem” murchou, porém, suas pétalas chamativas continuarão muito vivas em nossas lembranças.
Deus o receba na Mansão de Luz. O Espírito Santo console à família enlutada. Descanse em paz Flor da Margem. Saudade eterna.
DJANGO DE PÃO DE AÇÚCAR
(Enivaldo Vieira)
Passeando na cidade
estraguei o meu conento
encontrei disparidade
vi Django num jumento
na maior felicidade
não digam que foi visagem
se notei o pistoleiro
alguém dirá: é bobagem
o seu nome verdadeiro
deve ser FLOR DA MARGEM
repito pra quem não sabe
e não comer engano
num andar de qualidade
com seu chapéu mexicano
paletó que tudo cabe
parece uma sacanagem
ou um grande matador
seus bigodes, tem bagagem
mas chamam este terror
apenas de FLOR DA MARGEM
alguns dizem ser Joãozinho
mas cuidado, companheiro
não é água nem é vinho
terror quase verdadeiro
sempre chega de mansinho
pode garantir passagem
para descano maior
você venha com coragem
mas tenha nome de cor
pra lembrar de FLOR DA MARGEM...
(Poesia extraida do livro Antologia Poética Pão de Açucar - Alagoas, UNIVAP, 2002)
"Flor da Margem" - Reprodução/Lucas LIma/
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