Morre em Maruim (SE), aos 88 anos, o pão-de-açucarense “Nelson da Padaria”, o
O sepultamento está marcado para as 16 horas desta sexta-feira no Cemitério São Francisco de Assis, em Pão de Açúcar (AL).
Nelson Pereira Lima, o Foto: Reprodução/Cortesia
Faleceu nesta quinta-feira (1), aos 88 anos de idade, na cidade de Maruim, estado de Sergipe, onde residia há anos, o padeiro Nelson Pereira Lima, conhecido como “Nelson da Padaria”. Segundo informações de familiares, ele vinha lutando contra problemas graves de saúde, chegando recentemente a amputar as duas pernas por causa de deficiência circulatória, o que fragilizou mais ainda seu estado de saúde.
O corpo será velado, a partir desta sexta-feira (2), na capela do Cemitério São Francisco de Assis, em Pão de Açúcar, terra natal do falecido. O sepultamento está marcado para as 16 horas.
Para quem não o conheceu, na década de 1960, Nelson foi proprietário de uma padaria que funcionava na mesma casa onde residia com a família, na Avenida Bráulio Cavalcante, precisamente no trecho conhecido como “Rua de Cima”, vizinha à Delegacia de Polícia de Pão de Açúcar.
Foi um torcedor apaixonado pelo Jaciobá Atlético Clube, sendo, na década de 60, um dos fundadores e investidores deste time de futebol que tantos títulos conquistou para a alegria de sua torcida.
Na qualidade de padeiro muito talentoso, logo ficou conhecido por causa de sua criatividade, pois fabricava uma variedade de pães e bolachas – francês (de milho), crioulo, suíço, canoa, doce, cocada, jacaré, sete capas, bolachão – que eram considerados os melhores produtos da cidade e, por possuírem sabores incomparáveis, conquistava cada vez mais a preferência dos fregueses.
A “Padaria de Nelson” tornou alguns pãozeiros muito conhecidos das famílias e da meninada daquela época, sendo os mais conhecidos: “Duda Pãozeiro”, “Zé do Bracinho”, “Beijinha” e “Luiz Tirristinho”.
Todos os dias, principalmente às três horas da tarde, nas ruas de Pão de Açúcar ecoavam os gritos insistentes dos pãozeiros que saiam a vender os saborosos pães da cidade. E cada vendedor de pão criava sua forma peculiar, isto é, seu marketing pessoal, para anunciar os produtos fabricados à base de farinha de trigo e fermento e, destarte, atrair seus clientes – “Pãozeiro!!!”... “Ói o pão!!! ... “Tirristinho, Tirristinho!!!”
A meninada fazia a festa quando ouvia o grito do pãozeiro, pois as crianças sabiam que o produto não podia faltar na mesa, para o “café da tarde” e para o jantar. E os pães da “Padaria de Nelson” tinha um gosto muito especial quando era consumido bem quentinho e com manteiga de leite de gado – eram saborosos demais!
Na padaria, além de contar com a ajuda de membros da família, como: “Tonha Rosa" (mãe), “Seu Euclides” (padrasto), “Zé de Tonha Rosa” (irmão), Vilma, “Petrucinho”, “Barraquinha”, Paulo e “Fatinha” (filhos), ele contava, ainda, com alguns auxiliares na fabricação dos saborosos pães: “Zé do Ouro”, Edezildo, “Geraldo Gambiarra” e outros.
O "rei do pão", como era conhecido por muitos compradores, ficou viúvo da esposa Lindinalva Soares Lima, com quem teve os filhos Vilma, Petrúcio (“Petrucinho” ou “Pepeta”), Antonio (“Barraquinha”), Paulo e Fátima (“Fatinha”). Depois casou com a senhora Maria de Jesus da Silva. Deste segundo casamento nasceram 10 filhos.
Nos idos de 1970, Nelson fechou a padaria e foi embora para a cidade de Santos, estado de São Paulo, onde trabalhou como padeiro, adquirindo mais experiências e ampliando seus conhecimentos no ramos de padaria.
Depois de algum tempo, ele mudou-se para Maruim (SE), onde abriu uma padaria e um bar. Por problemas de saúde, Nelson transferiu a administração do negócio para o filho “Nelsinho” e passou a viver de uma modesta aposentadoria.
E, no início da tarde desta terça-feira (1), Nelson mudou-se para a Mansão de Luz, deixando enlutados a família, os parentes e amigos, cumprindo, assim, a sua árdua missão neste planeta dos terráqueos, onde ele é pai de 17 filhos.
Porém, para aqueles que o conheceram, “Nelson da Padaria” não morreu. Ele continua tão vivo como se vivo estivesse - porque enquanto existir uma padaria; um pão quente com manteiga; um grito insistente de um pãozeiro a vender pão pelas ruas da cidade; uma pessoa que um dia saboreou o melhor pão da cidade – “Nelson da Padaria” sempre será lembrado. Descanse em paz, “rei do pão”!


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