Minha homenagem póstuma ao músico Manoel Messias Barroso, conhecido como 'Mané Cego'
Com o seu amor e dedicação à música da plaga de Jaciobá, ajudando na formação de muitos talentosos profissionais, ele deixa uma página registrada na história de sua terra natal.
O músico Manoel Messias Barroso... Foto: Reprodução/Redes sociais
Recebi, por volta das 12 horas e 30 minutos desta sexta-feira (6), a lamentável notícia da morte do músico pão-de-açucarense Manoel Messias Barroso, conhecido popularmente como “Mané Cego”, “Manoel da Banda”, “Manoel do Colégio”, “Manoel Músico”. Todos estes apelidos foram colocados por colegas de profissão (músicos) e, também, por seus alunos e discípulos.
“Mané Cego”: devido à deficiência visual que o fez usar óculos de elevado grau e com lentes muito grossas; “Manoel da Banda”: porque foi integrante e instrutor da Banda Sociedade Musical Guarany e das marciais e fanfarras do Ginásio Dom Antônio Brandão e do Colégio São Vicente; “Manoel do Colégio”: porque atuou como funcionário do Colégio São Vicente ("Colégio das Freiras") durante alguns anos; “Manoel Músico”: devido à sua formação musical, tocando instrumentos de sopro.
É importante destacar que Manoel Messias Barroso vem de uma família tradicional, de músicos e de militares que sempre contribuíram para o engrandecimento de Pão de Açúcar e de Alagoas.
Com o seu amor e dedicação à música da plaga de Jaciobá, ajudando na formação de muitos talentosos profissionais, ele deixa uma página registrada na história de sua terra natal.
Manoel Barroso foi meu instrutor, na época em que participei da Banda Marcial do Ginásio Dom Antônio Brandão, e durante as comemorações cívicas alusivas à Independência do Brasil (7 de Setembro) e à Emancipação Política de Alagoas (16 de Setembro), sempre desfilávamos com galhardia pela principal artéria da cidade, a Avenida Bráulio Cavalcante.
Já passados mais de 40 anos, as lembranças dos saudosos desfiles cívicos continuam muito vivas em mim: a regência de Manoel Barroso durante os ensaios e em dias de desfile, inovando o repertório da “Banda do Ginásio” com os sucessos musicais da época, além da execução de maravilhosos dobrados; o apito disciplinador do nosso imortalizado diretor Dr. Atila Pinto Machado, que insistia que nós, alunos, acertássemos todas as viradas para a “esquerda” e “direita”, e que marchássemos de forma impecável .
E nesta minha viagem no túnel do tempo, o músico Manoel Messias Barroso tem sua forte presença garantida – porque ele é um agente da história, um dos protagonistas dos inesquecíveis desfiles cívicos de Pão de Açúcar!
Com a sua morte, apesar de a doença o ter afastado da atividade musical e dos desfiles cívicos, Pão de Açúcar perde um grande músico e um filho ilustre que sempre buscou oferecer o melhor de si para a formação musical de uma geração que hoje encanta e orgulha o “Espelho da Lua”.
Coincidentemente (ou propositadamente) Deus o chamou para morar na Mansão de Luz, em plena Semana da Pátria (agora Semana do Brasil) e em véspera do aniversário da Independência do Brasil, época em que os clarins das bandas musicais, marciais e fanfarras ecoam impulsionados pelo amor a esta pátria chamada Brasil!
Que aprendamos com espírito cívico e de brasilidade de Manoel Barroso, que hoje partiu para o Plano Espiritual e nos deixa sua história e suas lições de civismo.
Descanse em paz, nos braços do Pai Celestial, abnegado músico e filho desta terra banhada pelo Velho Chico! Saudade perpétua.
Que a família enlutada seja consolada pelo Divino Espírito Santo, neste momento de dor e saudade!
Em tempo: O corpo do falecido está sendo velado na residência onde ele morava com a família, à Rua Boa Vista. E o sepultamento dar-se-á às 9 horas deste feriado de 7 de Setembro, no Cemitério São Francisco de Assis.
Manoel Messias Barroso...
Foto: Reprodução/Redes sociais


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