EDUCAÇÃO

'Meu grande suporte', diz jovem com doença degenerativa sobre pai que assiste às aulas com ele na Ufal

Paulo foi diagnosticado com amiotrofia muscular espinhal aos poucos meses de vida. Ele cursa psicologia e como tem dificuldade na mobilidade, o pai o acompanha todos os dias.


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  Fonte: G1 AL

abio acompanha Paulo em aulas do curso de psicologia na Ufal

abio acompanha Paulo em aulas do curso de psicologia na Ufal   Foto: Reprodução/Natália Normande/G1

Postado em: 14/08/2017 às 06:50:58

Para muita gente, o pai é um amigo, um orientador, um exemplo a ser seguido, mas para o jovem Paulo de Andrade, que tem uma doença degenerativa, o pai dele é bem mais que isso: "É meu grande suporte", diz.

Neste Dia dos Pais, o G1 conta a história de Fabio, pai de Paulo. O jovem tem amiotrofia muscular espinhal progressiva, uma doença que ataca o sistema nervoso, comprometendo o movimento dos membros e a respiração. Para que o filho tenha uma formação superior, Fabio assiste com ele a todas as aulas do curso de psicologia na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

 

"Tudo que ele quer, a gente apoia. A gente se molda para ele. Horários e a vida. Claro que trabalhamos e temos nossa própria vida, mas ele é o principal", falou Fabio.

 

Paulo está no 4º período de psicologia na Ufal e o pai sempre o acompanhou nas aulas (Foto: Natália Normande/G1)
Paulo está no 4º período de psicologia na Ufal e o pai sempre o acompanhou nas aulas (Foto: Natália Normande/G1)

Fabio explicou que o filho sempre foi incentivado em casa para cursar o ensino superior, mas ficou surpreso com a escolha do filho para estudar psicologia.

"No 1º ano do ensino médio, Paulo teve algumas crises de pneumonia e quase o perdemos. Então, ele precisou ficar em casa por um tempo. Ele fez o Enem como forma de concluir o ensino médio e quis fazer psicologia. Ficamos surpresos porque ele sempre se interessou pela parte de informática, mas sempre incentivamos a formação dele e os amigos que já estudavam na universidade também o animaram a estudar", diz o pai.

Ao G1, Paulo disse que a mudança foi motivada pela preocupação com o mercado de trabalho. "Eu passei a vida toda pensando que ia cursar algo na área de tecnologia e informática. No dia que eu precisei colocar no sistema qual curso eu iria fazer eu pensei e optei por psicologia. Decidi na hora. Acho que tenho mais acesso para trabalhar nessa área", contou Paulo.

No ano passado, Fabio precisou fazer uma cirurgia e ficou sem poder acompanhar o filho nas aulas. Para que Paulo não perdesse o período letivo, a Ufal, por meio do Núcleo de Acessibilidade, transmitiu as aulas por Skype.

"Trabalhos e provas, os professores mandavam por e-mail e o Paulo respondia. E eu filmava ele apresentando alguns trabalhos [que precisavam ser apresentados em sala] e o professor avaliava", relembra Fabio.

Além dos amigos e da família que ajudam na Universidade, o estudante tem acompanhamento de dois bolsistas da Ufal.

"Nosso trabalho é disponibilizar condições para que ele consiga estudar. No caso do Paulo, ele precisa dos textos de forma digital, então às vezes precisamos escanear ou anotamos em sala e digitamos no computador. Se ele não pode vir à aula, a gente grava a aula em áudio ou vídeo", explicou o bolsista Eduardo Santos.

A amiotrofia muscular espinhal foi descoberta quando Paulo tinha poucos meses de vida. Fabio disse que a doença era vista como rara na época e que precisou viajar para confirmar o diagnóstico.

"A pediatra viu que ele não ficava em pé, que as pernas não tinham força para sustentar o corpo. Fomos então para uma neuropediatra em São Paulo, e ela nos confirmou o diagnóstico. Aqui no Nordeste não se falava muito nessa doença", explicou Fabio.

Mas o super pai também tem o apoio da esposa, Zélia. Ele disse que ela trabalha os dois horários e cuida do Paulo de noite e de madrugada. "Tenho minha esposa que torna tudo mais fácil. Ela passa as madrugadas cuidando do Paulo e ela que faz todo o resto".

Para Paulo, todo o esforço do pai para contribuir com a educação se resume em gratidão.

 

"Ele é o motivo de eu poder estudar, de passar pela experiência de estar na faculdade. Só sinto gratidão", diz o estudante.

 

Pai e filho assistem à aula juntos (Foto: Natália Normande/G1)
Pai e filho assistem à aula juntos (Foto: Natália Normande/G1)

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