LITERATURA

Livro 'Lampião – a sua verdadeira morte – Angicos não houve o fim!' será lançado neste sábado em Pão de Açúcar

Neste livro, o autor Antonio Pinto afirma que o cangaceiro Lampião morou em Pão de Açúcar, era conhecido como 'João Novato', morreu no HGE, em 1982, e foi sepultado no Cemitério São Francisco de Assis.


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  Fonte: Redação - Por Helio Fialho

Capa do livro do autor Antônio Pinto...

Capa do livro do autor Antônio Pinto...   Foto: Reprodução/Arquivo/Antônio Pinto

Postado em: 04/03/2020 às 16:55:00

"LAMPIÃO - A SUA VERDADEIRA MORTE - ANGICOS NÃO HOUVE O FIM!". Este é o título do livro de autoria de Antônio Pinto, em cuja sinopse consta: "O famoso e lendário Lampião e suas mortes: a primeira versão oficial dada pela Polícia de Alagoas, na Gruta de Angicos (SE), pertencente ao Município de Poço Redondo (SE), no Ano de 1938. Agora, apresento sua real e verdadeira morte e sepultamento de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, que tinha o pseudônimo de “João Novato”. O Rei do Cangaço faleceu em 1982, em Maceió (AL,) por problema clínico, no Hospital de Emergência (HGE), e seu corpo transladado para o sepultamento na cidade de Pão de Açúcar (AL), onde foi sepultado no antigo Cemitério São Francisco de Assis".

 

O livro, que “não é uma obra de ficção”, conforme declara o autor, pesa 139 gramas, tem 14x21 centímetros de tamanho, está registrado no ISBN sob o número 9788583385677, foi publicado pela Editora Buqui, do Rio Grande do Sul, na segunda quinzena de fevereiro de 2020, e será lançado oficialmente pelo autor, às 15 horas do próximo dia 7 (sábado), na Tarde de Autógrafos, que será realizada na Rua Professora Rosália Sampaio Bezerra (antiga Rua do Ginásio), nº 449, em frente à casa que pertenceu ao senhor João Novato. Para os interessados, o exemplar está sendo vendido ao preço de R$ 32,00, podendo ser adquirido na livraria da editora ou através do próprio autor.

 

Sobre o polêmico livro, a reportagem do Notícia Quente questionou o autor Antônio Pinto, 57 anos, que também é artista plástico e membro da Academia de Letras de Pão de Açúcar. Para quem ainda não o conhece, ele nasceu e cresceu na cidade alagoana, sertaneja e ribeirinha de Pão de Açúcar, Alagoas, e foi enfático ao responder: “eu não sou um historiador do cangaço, apenas narro a história real de um homem que conheci e convivi porque fui seu vizinho”.

 

Segundo, o escritor, a descoberta sobre a real identidade de João Novato só foi possível através da iconografia, isto é, de estudo descritivo da representação visual de imagens, símbolos, códigos, sinais, objetos, comportamentos, comparações, coincidências e, também, após ter confirmado com uma sobrinha-neta deste cidadão emblemático, conhecido popularmente como “João Novato”, que chegou para morar em Pão de Açúcar, no ano de 1966, sem jamais ter revelado para ninguém, nem para os amigos mais chegados, de onde ele veio, trazendo a mulher “Rita”, o cunhado “Elísio” e a sogra “Inocência”.

 

Sua primeira morada foi uma casa de esquina, na Praça São Pedro, onde funcionava uma bodega. Segundo, ainda, o autor, João Novato era um cidadão muito misterioso, sofria de cegueira no olho direito, sobrevivia de suas economias em ouro e moedas, que guardava dentro de casa, e possuía o hábito de caçar porque tinha pontaria certeira.

 

Antônio Pinto também revelou que, às segundas-feiras, dia da feira livre na cidade de Pão de Açúcar, o enigmático João Novato costumava receber em sua casa o irmão José Novato, morador da Ilha de São Pedro, município de Porto a Folha, estado de Sergipe, onde faziam reuniões secretas – e até hoje ninguém sabe o que tanto eles conversavam – porque nem mesmo os membros da família e os amigos mais íntimos eram convidado a participar.

 

A residência de João Novato era frequentada diariamente por amigos e apreciadores das cartas de baralho, os quais participavam de disputas de “três setes”.

Geralmente os jogos de baralho eram recheados de histórias do cangaço, as quais eram contadas através de livros e, ainda, por pessoas que admiravam os temas do cangaço, a exemplo dos amigos João Firmino, Durval Mendonça e Aldemar de Mendonça.

 

E João Novato sempre ouvia as contações de histórias dos bandoleiros do sertão nordestino, contudo, costumava permanecer calado, sem apresentar empolgação, como se discordasse, em silêncio, dessas narrativas.

 

Mas uma coisa que ele gostava mesmo, segundo o escritor, era de ouvir o toque da sanfona. E quando o ritmo era xaxado, João Novato não conseguia conter a vontade de cair na dança e xaxava com jeito de cangaceiro.

 

O bloco “Os Cangaceiros”, criado pelo barbeiro e amigo João Firmino, que foi um dos sanfoneiros que muitas vezes tocou para Lampião e seus cabras, na Fazenda Belém (município de Porto da Folha – SE), de propriedade da família Brito, chamava também a atenção desta figura enigmática, onde chegou a ser um de seus componentes.

 

O túmulo de João Novato foi recentemente restaurado pelo escritor, para que este lugar possa, a partir desta surpreendente revelação, receber a visitação do público, uma forma de homenagear o amigo e vizinho de sua família.

 

Logo após a tão anunciada “tarde de autógrafos”, será realizado um cortejo simbólico, conduzindo a cruz que ficará fincada no túmulo de João Novato e estampará a seguinte inscrição: Virgolino Ferreira da Silva – Lampião – *1897 + 1982.

 

O livro é bastante polêmico porque contesta os historiadores do cangaço de todo o país, além de contrariar as convicções da neta do “Rei do Cangaço”, a jornalista e historiadora Vera Ferreira, que, apesar de não ter tido acesso ao livro, discorda completamente da versão apresentada por Antônio Pinto, pois “não aceita quaisquer versões que contrariem a versão verdadeira da morte de Lampião e Maria Bonita, em Angicos”.

 

A neta de Virgolino Ferreira da Silva também afirmou que, assim como Antônio Pinto, outras pessoas também apareceram com versões inverídicas sobre a morte de Lampião, cujas provas obtidas por ela e sua mãe Expedita Ferreira Nunes, durante muitos anos de pesquisas, são suficientes para desmentir narrativas sem fundamentos.

 

Indicado por Vera Ferreira, através de sua amiga Leila Matos, a reportagem do Notícia Quente entrou em contato com o historiador potiguar Sérgio Dantas, para que ele pudesse opinar sobre o livro “LAMPIÃO – A SUA VERDADEIRA MORTE – ANGICOS NÃO HOUVE O FIM!” Depois de algumas tentativas em vão, através e ligações telefônicas, o historiador Sérgio Dantas, por meio de uma mensagem escrita e enviada por WhatsApp, respondeu: “Helio, eu estou afastado do assunto e não tenho mais grande interesse nele. Ademais, como não vi o livro, não tenho como opinar. Abraço.”

 

Destarte, dizendo não ser historiador do cangaço, ao meio de crenças e descrenças, de criticas e elogios, de aprovações e desaprovações, o pão-de-açucarense Antônio Pinto lançará sua primeira obra literária, no próximo dia 6 de março, às 15 horas, na cidade de Pão de Açúcar. Serão polêmicos e marcantes a tarde de autógrafos e o cortejo que conduzirá a cruz de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, até o Cemitério São Francisco de Assis, cujo convite está sendo feito à população em geral através de uma carro de som e às autoridades locais por meio de convite escrito.

 

Pão de Açúcar e o Cangaço

Sabe-se através da história do cangaço que Pão de Açúcar, fincado no semiárido alagoano e banhado pelo rio São Francisco, foi um dos quatro últimos municípios mais frequentados do sertão nordestino pelos bandos de Lampião, Corisco e outros líderes do cangaço. Os outros três foram Piranhas (AL), Canindé do São Francisco (SE) e Poço Redondo (SE), sendo este último o que mais homens ofereceu ao cangaço. Segundo o livro “História e Efemérides”, do autor Aldemar de Mendonça, na zona rural de Pão de Açúcar foram registrados vários fatos envolvendo Lampião e outros cangaceiros.

 

- A invasão ao Povoado Meirus, no dia 12 de janeiro de 1927, onde os cangaceiros incendiaram o beneficiador de algodão do proprietário João Pereira de Mello, depois de haver matado a tiros 102 cabeças de gado bovino, na fazenda Bom Conselho, do senhor Luiz Gonzaga de Campos Machado.

- No dia 02 de dezembro de 1930, Lampião e seu grupo pernoitam na fazenda Quixaba, conduzindo, presos, o coronel João Nunes, da polícia pernambucana, e Gustavo Limeira. No dia seguinte seguem para o Povoado Ilha do Ferro, localidade ribeirinha pão-de-açucarense, de onde na canoa “Americana”, atravessam o rio São Francisco. Em Bonsucesso (SE), Lampião resolve soltar os dois presos, face à palavra empenhada do coronel João Nunes, de que o dinheiro exigido para a sua liberdade chegaria logo.

- No dia 23 de junho de 1935, o grupo de bandidos, composto por Zé Fortaleza, Medalha, Suspeita e Limoeiro, conduz, preso, para a Fazenda Soledade, o velho Vitório e, seguindo para a fazenda Horizonte, matam o referido ancião e castram seu filho, conhecido como “Beijo”. No dia 19 de setembro do mesmo ano, os quatro bandidos foram mortos por Antônio de Amélia, na Fazenda Aroeiras.

- No dia 24 de junho de 1935, na fazenda Torrões, zona rural de Pão de Açúcar, foi assassinado Otacílio Campos, pelo grupo de bandidos chefiado por Luiz Pedro.

- Em agosto de 1935, nasceu na fazenda Beleza, zona rural de Pão de Açúcar, o filho do casal Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) e Dadá (Sérgia Ribeiro da Silva), sendo o recém-nascido (Silvio Bulhões) doado pelo próprio Corisco ao padre José de Melo Bulhões (Padre Bulhões), da cidade de Santana do Ipanema, que, na época, recebeu um bilhete onde o cangaceiro fazia o pedido para que o menino fosse bem criado.

 

Coincidência ou não, o fato é que a revelação sobre João Novato ter sido o próprio Lampião, que adotou este nome depois de ter escapado do cerco de Angicos, está sendo feita por um suposto neto de Corisco, que é morador da terra onde viveu Joaquim Cruz Rezende e João Firmino, que foram dois grandes amigos do Rei do Cangaço. Enquanto a produção de novas versões e histórias sobre a vida de Virgolino Ferreira da Silva não param, Lampião continuará imortalizado, fato que o torna cada vez mais presente na cultura nordestina.

 

Casa onde morou João Novato, na Rua professora Rosália Sampaio Bezerra, nº 449, em Pão de Açúcar.

Desenho do autor Antônio Pinto. Foto: Reprodução

Bloco carnavalesco "Os Cangaceiros", criado nos idos de 1960, pelo barbeiro João Firmino.

João Novato com o chapéu de Lampião (centro).    Foto: Reprodução/Antônio Pinto

 

Túmulo de João Novato, "o verdadeiro Lampião", restaurado pelo autor.

Foto: Reprodução/ Antônio Pinto

 

Cruz que será fincada no túmulo de João Novato. Foto: Reprodução.

 

Escritor e artista plástico Antônio Pinto. Foto: Reprodução/Arquivo do autor

 

 

 

 

 

Comentários

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  • Erick Lima 04 de Março de 2020 Sensacional a obra literária. Li e gostei muito!
    Josue de Santana Macedo 05 de Março de 2020 Prezado amigo Por gentileza me envie dados bancários para que possa fazer o depósito. Um abraço