BRASIL

Líderes sindicais se dividem e trocam acusações

Bueno e Fonseca preferem não entrar nesse debate. Eles se dizem apartidários e preferem não ser identificados com posicionamentos radicais – e nem se aprofundar nas consequências políticas da greve.


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  Fonte: Estadão - Gilberto Amendola

 Entrada para a Refinaria de Duque de Caxias está fechada desde o início da greve, na segunda-feira. Foto do dia 23/05, quarta-feira

Entrada para a Refinaria de Duque de Caxias está fechada desde o início da greve, na segunda-feira. Foto do dia 23/05, quarta-feira   Foto: Reprodução/© Wilton Júnior / Estadão Conteúdo

Postado em: 26/05/2018 às 07:12:42

Eles não podem dividir uma mesma boleia, mas são os dois principais dirigentes da categoria que está bloqueando estradas e afetando o abastecimento em todo o País. O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, de 57 anos; e o presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, de 76 anos, são adversários no intrincado mundo dos grupos, confederações e federações que dizem representar a luta dos caminhoneiros.

Na última quinta-feira, Fonseca abandonou a reunião das entidades com o governo. Ele se levantou da mesa de negociações assim que percebeu que seus pares estavam prontos para aceitar uma trégua de 15 dias nas paralisações – entre eles, Diumar Bueno. Fonseca saiu do encontro afirmando que só encerraria o movimento depois de “assinada e carimbada a lei que retira dos combustíveis PIS/Cofins e Cide”. Já Bueno preferiu permanecer e, embora não tenha saído completamente satisfeito, deu um voto de confiança ao governo.

Ou seja, com dois líderes pregando posições antagônicas, a categoria, que reúne mais de 1 milhão de profissionais, ficou sem saber qual liderança seguir: Fonseca ou Bueno?

Fonseca foi quem atirou primeiro – dizendo que Bueno seria “cria dele” e que, assim como outras lideranças, estaria no movimento por “vaidade ou dinheiro”. Para ele, ao aceitar a proposta do governo, Bueno não estaria defendendo os interesses dos caminhoneiros, mas do patronato. Por fim, Fonseca acusa o colega de categoria de não ser caminhoneiro – pisando, assim, no calo mais dolorido do presidente da CNTA.

Truck. Os adversários de Bueno costumam mencionar que ele não é caminhoneiro, mas um “ex-piloto de Fórmula Truck (corrida de caminhões). De fato, ele correu na categoria até 2012 – ano em que sofreu aquele que é considerado até hoje o acidente mais “espetacular” desse tipo de competição.

O fato ocorreu durante treino livre para o GP de Guaporé, no Rio Grande do Sul. O caminhão que Bueno dirigia atravessou a pista de corrida a 184 km/h e se chocou contra um muro de proteção – que não conseguiu contê-lo. Reportagens do período afirmam que o veículo despencou de uma altura de 15 metros. Bueno passou 30 dias internado (6 deles na UTI) e teve 52 fraturas – lesionando as duas pernas, o braço direito, a bacia, a face e os pés. “Vi a morte me acenando”, lembrou.

A menção de seu passado como piloto não agrada Bueno. Segundo pessoas próximas, ele considera as lembranças de sua carreira pregressa uma tentativa de diminuir sua atuação como sindicalista. “Minha atividade sindical começou na década de 1980. Enfrentei muita coisa para tentar organizar a categoria – que não tinha tradição sindical e era ligada ao sindicato dos taxistas”. Ao lembrar do pai, que também foi caminhoneiro, Bueno se emocionou e diz não admitir críticas de “quem não sabe manobrar um caminhão”.

Bueno rebateu as críticas de Fonseca afirmando que é a Abcam que não representa a categoria. “Além disso, Fonseca sempre foi da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Ou seja, sempre esteve do outro lado. Do lado do patrão”, afirmou.

Além de um embate pelo controle da categoria, a troca de farpas entre os dois, às vezes, parece ser sobre qual deles seria “mais caminhoneiro”. Se Bueno lembra do pai, Fonseca não fica atrás e diz ser sobrinho da primeira mulher caminhoneira do País. Ele também afirma ter participado de uma greve da categoria em 1974. “Desde então, estou sempre participando das movimentações e causas. Sou um caminhoneiro de verdade. Ainda tenho um caminhão estacionado na frente da minha casa”, falou. “Olha, eu já tinha até parado, mas as pessoas, os caminhoneiros, me chamaram para participar das negociações. Eles sabem que eu tenho experiência e que comigo as coisas andam”, completou.

Sem líder. Entre os caminhoneiros da linha de frente (aqueles que estão bloqueando estradas), a liderança do movimento não é clara. Ouvidos pela reportagem, a maioria não reconhece nenhum dos dois. Nem Bueno, nem Fonseca. Mais do que isso: desconfiam que as entidades estejam sendo usadas pelos patrões. Além disso, os grupos parecem se organizar de forma quase independente – com muita comunicação via WhatsApp. Por isso, não é difícil encontrar motoristas pedindo intervenção militar ou apoiando o pré-candidato do PSL, o deputado Jair Bolsonaro.

Bueno e Fonseca preferem não entrar nesse debate. Eles se dizem apartidários e preferem não ser identificados com posicionamentos radicais – e nem se aprofundar nas consequências políticas da greve.

(Com MSN)

 

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  • Helio Fialho 26 de Maio de 2018 Os caminhoneiros representam a classe com maior poder de mobilização do Pais. Sem barulho, sem baderna, sem violência e destemidos, eles estão dando uma extraordinária lição às demais categorias organizadas do Brasil. Claro, a greve está trazendo prejuízos para todos os setores, inclusive, para os próprios caminhoneiros. Porém, o movimento objetiva dar um basta nos contínuos e abusivos aumentos de preços dos combustíveis. Os aumentos desenfreados dos combustíveis, imposto pelo Governo (ou DESGOVERNO?) refletem no preço dos alimentos e de outros produtos, isto é, atingem diretamente o bolso do trabalhador brasileiro. A "Greve dos Caminhoneiros", apesar dos prejuízos a curto prazo, trará benefícios a médio e a longo prazo para toda a população brasileira. Infelizmente, o povo brasileiro, culturalmente falando, é muito imediatista... O posicionamento dos caminhoneiros deveria ser seguido pelas demais categorias profissionais, pois, é uma maneira eficiente e eficaz de dar um basta nos abusos cometidos por uma quadrilha organizada que continua roubando o nosso Brasil: os políticos inescrupulosos. A greve já está atingindo a mim e à minha família. E está atingindo a você, também. Mas esta "medida de choque" no Palácio do Planalto, na Câmara Federal, no Senado e no Congresso Nacional estava precisando acontecer. Já estamos cansados de pagar os rombos financeiros provocados pelos políticos corruptos que roubam e envergonham o nosso Brasil. Lamento profundamente que pessoas inocentes estejam sofrendo as consequências desta greve. Todavia, para consertar o Brasil e tirar o nosso Pais do domínio de políticos ladrões, é preciso sacrifícios e, até mesmo, óbitos. Infelizmente, é o preço da grande luta travada. O presidente Temer anunciou o uso de tropas federais para desbloquear as rodovias e acabar com o movimento grevista. O que esperar de Michel?!... Este recado dos caminhoneiros está sendo muito oportuno e espetacular! Os prejuízos estão sendo enormes, porém, EU APOIO A GREVE DOS CAMINHONEIROS!!!!