Jovem deixa família em Maceió para buscar emprego em GO e morre de Covid-19
No dia do enterro, o cortejo fúnebre foi feito por profissionais da saúde local, que preservam na memória o caso do rapaz como um dos mais emblemáticos do enfrentamento da Covid, até então.

Fonte: Com TNH1 - Por Metrópoles
Jovem deixa família em Maceió para buscar emprego em GO e morre de Covid-19 Foto: Reprodução/Metrópoles
Sem trabalho em Maceió (AL) e com dois filhos pequenos para criar, Jamerson Lima da Silva, de 29 anos, deixou as crianças, a mãe e a esposa em casa, em dezembro, para buscar emprego em Porteirão (GO). Ele chegou sozinho à cidade, que fica na região forte do agronegócio goiano, e, assim que conseguiu trabalho fixo, quatro meses depois, pegou Covid-19, morreu e foi enterrado a 2,3 mil km de distância da família.
Porteirão, conforme levantamento feito pelo Metrópoles, é a cidade brasileira com a maior quantidade de casos de Covid, em relação ao total da população. Cerca de 40% dos moradores já foram diagnosticados com a doença, desde o início da pandemia. Jamerson é uma das 22 pessoas que morreram no município, e o caso dele comoveu a comunidade local, devido à distância dos familiares.
“Infelizmente, eu não pude ir ver o meu filho. Ele deixou dois filhos pequenos, um de 9 anos e outra de 4. Ou eu dava assistência (financeira) às crianças ou eu ia para Porteirão”, diz a mãe.
No dia do enterro, o cortejo fúnebre foi feito por profissionais da saúde local, que preservam na memória o caso do rapaz como um dos mais emblemáticos do enfrentamento da Covid, até então.
“Sonho dele durou poucos dias”
Jamerson decidiu ir para Porteirão ao ver que um tio havia conseguido trabalho na cidade. O município, apesar de pequeno, com menos de 4 mil habitantes, é rodeado por usinas de cana-de-açúcar e lavouras, que atraem pessoas de outros estados do Brasil em busca de emprego. É a chamada “população flutuante”, que se muda para a região conforme as safras das plantações.
Quando o sobrinho se mudou para Porteirão, o tio não estava na cidade. Ele já havia retornado para Alagoas. Quando voltou para Goiás, o rapaz já estava com os sintomas da doença.
Um dia depois de começar a trabalhar como auxiliar de produção numa usina de cana-de-açúcar, com carteira assinada, e viver a alegria de contar para a família a novidade, Jamerson começou a sentir os sintomas da Covid. “A ideia dele era levar todos nós para morar com ele”, conta a mãe, Elenaide, que espera um dia poder ir a Porteirão para visitar o túmulo do filho.


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