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Jovem deixa família em Maceió para buscar emprego em GO e morre de Covid-19

No dia do enterro, o cortejo fúnebre foi feito por profissionais da saúde local, que preservam na memória o caso do rapaz como um dos mais emblemáticos do enfrentamento da Covid, até então.


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  Fonte: Com TNH1 - Por Metrópoles

Jovem deixa família em Maceió para buscar emprego em GO e morre de Covid-19

Jovem deixa família em Maceió para buscar emprego em GO e morre de Covid-19   Foto: Reprodução/Metrópoles

Postado em: 06/06/2021 às 07:12:23

Sem trabalho em Maceió (AL) e com dois filhos pequenos para criar, Jamerson Lima da Silva, de 29 anos, deixou as crianças, a mãe e a esposa em casa, em dezembro, para buscar emprego em Porteirão (GO). Ele chegou sozinho à cidade, que fica na região forte do agronegócio goiano, e, assim que conseguiu trabalho fixo, quatro meses depois, pegou Covid-19, morreu e foi enterrado a 2,3 mil km de distância da família.

Porteirão, conforme levantamento feito pelo Metrópoles, é a cidade brasileira com a maior quantidade de casos de Covid, em relação ao total da população. Cerca de 40% dos moradores já foram diagnosticados com a doença, desde o início da pandemia. Jamerson é uma das 22 pessoas que morreram no município, e o caso dele comoveu a comunidade local, devido à distância dos familiares.

Sem dinheiro para viajar, a mãe do rapaz, Elenaide Lima da Silva, de 47 anos, ainda não conseguiu visitar o túmulo do filho. Ela conta que recebia notícias pelo celular e que só viu o enterro porque um pastor de Porteirão, uma das pessoas que ajudou Jamerson na cidade, filmou o sepultamento.

“Infelizmente, eu não pude ir ver o meu filho. Ele deixou dois filhos pequenos, um de 9 anos e outra de 4. Ou eu dava assistência (financeira) às crianças ou eu ia para Porteirão”, diz a mãe.

No dia do enterro, o cortejo fúnebre foi feito por profissionais da saúde local, que preservam na memória o caso do rapaz como um dos mais emblemáticos do enfrentamento da Covid, até então.

 

“Sonho dele durou poucos dias”

Jamerson decidiu ir para Porteirão ao ver que um tio havia conseguido trabalho na cidade. O município, apesar de pequeno, com menos de 4 mil habitantes, é rodeado por usinas de cana-de-açúcar e lavouras, que atraem pessoas de outros estados do Brasil em busca de emprego. É a chamada “população flutuante”, que se muda para a região conforme as safras das plantações.

O tio de Jamerson, José Luiz Lima Feitosa, de 42 anos, trabalha para a usina de uma empresa multinacional. Ele atua como motorista de rodotrem e fica entre Alagoas e Goiás, de acordo com as temporadas da safra da cana.

Quando o sobrinho se mudou para Porteirão, o tio não estava na cidade. Ele já havia retornado para Alagoas. Quando voltou para Goiás, o rapaz já estava com os sintomas da doença.

“Eu já vi ele estranho, quando ele chegou em casa e tossindo muito. Eu pedi para levá-lo para o hospital e ele dizia que não queria, que estava tudo bem. Acho que ele pegou no trabalho, porque ele estava bom, tudo certo. A gente conversava e ele contava sobre o sonho dele, que era trabalhar e mandar dinheiro para os filhinhos dele. O sonho dele se foi em poucos dias”, lamenta o tio.

Um dia depois de começar a trabalhar como auxiliar de produção numa usina de cana-de-açúcar, com carteira assinada, e viver a alegria de contar para a família a novidade, Jamerson começou a sentir os sintomas da Covid. “A ideia dele era levar todos nós para morar com ele”, conta a mãe, Elenaide, que espera um dia poder ir a Porteirão para visitar o túmulo do filho.

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