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Jogadoras de futebol: O sonho que virou pesadelo

Elas saíram de Alagoas e Sergipe para o São Carlos, foram enganadas, passaram fome e sofreram assédio sexual do presidente do clube


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  Fonte: Sabrina Andrade / Helio Fialho

  Foto: Cedidas por Érica Lira

Postado em: 06/01/2017 às 11:59:44

As mulheres lutam diariamente pelos seus direitos. A igualdade de gênero é uma luta secular e, apesar de muitas mudanças, ainda é necessário muito esforço para a igualdade ser alcançada.

O futebol brasileiro precisa olhar mais para as mulheres, valorizando-as e profissionalizando-as. Assim como acontece com meninos, muitas meninas sonham em viver do futebol, é um dom que poucos nascem trazendo, independentemente do sexo.

Na cidade de São Carlos, estado de São Paulo, localizada na região Centro-Leste e distante 230 quilômetros da capital, 12 meninas foram em busca de seus sonhos e para elas tudo se transformou em um grande pesadelo.

A jogadora Erica Lira divulgou em sua conta no Facebook um grande desabafo sobre tudo que ela e suas parceiras viveram dentro do clube. Inicialmente as atletas foram para o São Carlos Esporte Center com a promessa de que receberiam ajuda de custo, alimentação, alojamento e contrato assinado. O presidente Reginaldo Penha prometeu, ainda, que elas jogariam o Campeonato Paulista, Regionais, entre outros.

Erica é de um povoado chamado Meirus, no município de Pão de Açúcar, sertão de Alagoas, e estava jogando no Bola de Ouro, em Sergipe. Ela, muito talentosa como jogadora de futebol, fechou a matrícula na faculdade, deixou o emprego onde trabalhava como recepcionista de uma clínica de fisioterapia, na cidade natal, e rumou em busca de realizar seu grande sonho: tornar-se jogadora profissional. A atleta foi convidada por duas amigas a ir a São Paulo a pedido do próprio presidente do Clube. “Duas amigas sergipanas que eram, também, do Bola de Ouro e que já estavam no São Carlos, me convidaram, a pedido do presidente Reginaldo Penha. A proposta era de ganhar ajuda de custo mais alimentação e alojamento e que iríamos assinar um contrato, e ele mesmo falou que disputaríamos o campeonato Paulista, Regionais e outros”, disse ela à reportagem do Notícia Quente.

A jogadora relatou, ainda, que inicialmente não houve nenhum problema, mas alguns dias após sua chegada, as dificuldades foram surgindo: não foi feito o contrato, a ajuda de custo estava atrasada e ainda tinham que devolver dinheiro para o presidente.

O presidente disse que precisava prestar contas e, então, deus alguns recibos para elas assinarem. “Ele falava que tinha que devolver para pagar a alimentação. O primeiro que assinei tinha o valor de R$ 100 reais e devolvi R$ 50. Era para ser de R$ 250. Assinamos, ainda, dois vales no valor de R$ 250 e R$ 350 e sem receber nada. Assinamos recibos em branco, também.”

 Segundo Érica, elas eram ameaçadas de sair do clube, caso não assinassem os recibos que o presidente mandava. “O pai de Reginaldo obrigava as atletas a limpar o alojamento”, revelou a jogadora.

Sem a menor assistência e passando fome, Érica e algumas colegas tiveram que sair pedindo alimentos em lojas da cidade de São Carlos. Humilhadas e assediadas, as meninas denunciaram por assédio sexual o presidente do São Carlos Clube e o caso agora está na Justiça.

Segundo Érica, o treinador, também, não recebeu pagamento pelo trabalho que realizou no São Carlos, porém, mesmo assim, deu total apoio às jogadoras e foi como um pai para elas, pois a maioria estava vivendo longe da família.

Segundo a jogadora, o projeto de futebol feminino do São Carlos recebe ajuda financeira da prefeitura local, proveniente uma emenda aprovada pela Câmara de Vereadores, no valor total de R$ 61 mil reais.

Entretanto, a prestação de contas está completamente mascarada com falsas informações, a exemplo do nome do próprio preparador físico, que nunca compareceu ao trabalho, além de apresentação de recibos com valores jamais pagos às jogadoras.

“A Prefeitura repassou a primeira parcela do projeto, no valor de R$ 21 mil e somente libera as próximas parcelas quando a prestação de contas do dinheiro que já foi liberado é apresentada”, disse Érica.

Segundo a jogadora, que teve acesso ao escritório do clube, a convite do próprio presidente Reginaldo Penha, para realizar alguns trabalhos burocráticos, em razão do grau de instrução que ela possui, ela tirou algumas cópias de documentos que poderiam ajudar nas denúncias que já planejavam fazer por causa da grande humilhação que vinham sofrendo dentro do clube.

Em contatos mantidos com a jogadora Érica Lira, ela disse que chegou ao São Carlos no dia 6 de outubro deste ano e nos dois únicos amistosos que jogou como centroavante marcou três gols na primeira partida e dois gols na segunda.  

À proporção que a fome, as humilhações e os assédios sexuais iam aumentando, Érica Lira, com seu espírito de liderança, fora registrando tudo, inclusive, gravando vídeos, tirando cópias de documentos, dando orientações às colegas sobre como deveriam agir para denunciar o caso à Justiça.

Sobre o caso, segundo a atleta, as jogadoras procuraram a delegacia de polícia local e registraram um Boletim de Ocorrência (BO). O denunciado foi ouvido pela polícia e negou todas as acusações. O inquérito foi encaminhado e o processo está tramitando na Justiça, onde as vítimas e o acusado ainda serão ouvidos.

Algumas de suas colegas, por morarem mais próximas de São Carlos, já retornaram para suas casas. Érica, que mora em Alagoas, e as outras colegas que moram no estado de Sergipe retornarão nos próximos dias para suas casas, mas estão precisando de ajuda financeira para a viagem. “Vou continuar meus estudos na faculdade e continuar sonhando em realizar o meu grande sonho de jogar em um grande time de futebol” disse Érica.

Ela é considerada uma excelente jogadora, além de ser alagoana e sertaneja, assim como é a jogadora Martha, considerada a melhor do mundo e uma inspiração para todas as jogadoras do Brasil.

Que este caso sirva de referência na luta por dias melhores para o futebol feminino no Brasil, onde garotas talentosas alimentam o sonho de vencer e tornarem-se famosas na arte de jogar bola. Porém, para isto, é preciso que haja valorização, respeito e investimento sério no futebol feminino e que jovens talentosas nunca mais sejam abusadas, humilhadas e assediadas por diretores desonestos, antiéticos e imorais travestidos de cartolas.

A reportagem do Notícia Quente tentou, mas não conseguiu entrar em contato com o presidente do São Carlos Esporte Center, Reginaldo Penha, para ouvi-lo sobre as acusações. O espaço do Notícia Quente está aberto para que ele possa se manifestar.

Segundo Érica, as jogadoras envolvidas neste vergonhoso caso serão ouvidas no fórum da comarca das cidades onde residem, pois o processo está tramitando no Fórum de Justiça da cidade de São Carlos, estado de São Paulo.

Para quem não sabe, o crime de Assédio Sexual está previsto no art. 216-A, do Código Penal Brasileiro, que estabelece: "Constranger alguém com intuito de levar vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua forma de superior hierárquico, ou ascendência inerentes a exercício de emprego, cargo ou função: Pena: detenção de 1 (um) a 2 (dois) anos." A vítima deste tipo de crime deve ser indenizada, também, pelo dano moral que sofre.

Golden Gate Bridge with San Francisco in distance
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  • Keuliman 07 de Janeiro de 2017 Estive nesse lugar por 3 dias, é pelo que vi, era realmente desse jeito ! Não via a hora de chegar nesse alojamento, quando cheguei, não era nada daquilo que esperava ! Juro que não aguentei ficar três dias lá, e imediatamente, pedir para vim embora ! Sem contar que o Reginaldo disse que iria me reembolsar, pela passagem gasta quando fui! E quando pedi para ir embora, ele disse que não ia dar, que eu ia ir embora quando eu ele quisesse.. quando finalmente resolveu dar, me deu 40$, que ainda faltou da passagem até Sorocaba onde moro, tive que pedir para uma senhora me dar para poder ir ambora !