'Jamais cometeria hoje o que cometi', diz Vanessa Ingrid em depoimento no júri da morte de Franciellen
Principal acusada da tortura e morte da vítima, em 2013, ela admitiu que tomou decisões erradas aos 19 anos, mas negou o homicídio. Além de Vanessa, outros 4 réus são julgados.

Fonte: G1 AL
Vanessa Ingrid é acusada de ter planejado morte de Franciellen; ela responde por homicídio triplamente qualificado Foto: Itawi Albuquerque/TJ-AL
A principal acusada da morte de Franciellen Araújo Rocha, 18, prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (23), durante o júri popular no Fórum da Capital, no Barro Duro. "Jamais cometeria hoje o que eu cometi nos meus 19 anos", disse Vanessa Ingrid da Luz Souza lamento, se referindo à idade que tinha quando o crime aconteceu.
Franciellen foi torturada e queimada viva na noite de 14 de fevereiro de 2013. Segundo a acusação, foi Vanessa quem planejou a morte dela porque a vítima estava tendo um relacionamento com o namorado da acusada à época. Ela nega o homicídio, mas admite que a torturou.
Além de Vanessa, primeira ré a depor, outros 4 réus são julgados por envolvimento no crime: Thiago Handerson Oliveira Santos, Saulo José Pacheco de Araújo, Victor Uchôa Cavalcanti e Nayara da Silva.
"Eu tinha, sim, omitido muitas coisas. Estava deixando de dizer algumas coisas e hoje eu decidi contar. Na delegacia, eu fui ouvida sozinha. Thiago e Victor ficaram em uma sala especial. No calor no momento, a gente fica assustada e acaba omitindo coisas", disse Vanessa.
Segundo a acusação, Vanessa marcou uma festa em um apartamento em Cruz das Almas e convidou algumas pessoas, com o objetivo de atrair a menina que tinha um caso com o namorado dela. Foi nesse apartamento que Franciellen foi torturada. Depois foi levada para um matagal na serraria, onde morreu carbonizada.
Durante o depoimento ao juiz Geraldo Cavalcante Amorim, do 3º Tribunal do Júri de Maceió, a acusada negou que tivesse ameaçado as outras pessoas envolvidas para que fizessem o que ela mandava.
"Ali foram escolhas. Todo mundo tinha o direito de fazer ou não fazer. Ele (Saulo) mais que todos sabia o que estava fazendo", disse Vanessa.
Na sequência, quem prestou depoimento foi Thiago Santos. O réu afirmmou que estava no apartamento quando Franciellen chegou, mas nega que tenha torturado a vítima ou cometido o homicídio.
"Foi ela, a Vanessa. Por conta do ciúme dela com a menina que tinha ficado com o marido dela", disse o acusado.
Ele disse que foi convidado por Vanessa Ingrid para a festa, lá usou drogas, tomou bebida alcoólica, e tentou ir embora depois que viu o que estavam fazendo com a vítima.
"Chamei o Saulo pra sair e ela [Vanessa] me ameaçou, dizendo que ia mandar matar, mãe, pai, filho, seja lá quem for. Para mim, foi uma tragédia", lamentou Thiago Santos.
Ainda em depoimento, ele disse que quando chegaram ao matagal onde a vítima foi carbonizada, só as mulheres desceram do carro.
"Quando a gente chegou lá, o Saulo parou o carro no terreno, a Albertina, a Marina e a Vanessa desceram, e a Vanessa voltou falando 'matei, matei, matei'", contou o réu.
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Thiago Santos é acusado de participar do homicídio de Franciellen (Foto: Matheus Tenório/G1)
Depois deles, prestam depoimento os réus Victor Uchôa Cavalcanti, Saulo José Pacheco de Araújo e Nayara da Silva.
Pela manhã, a primeira testemunha a depor foi uma amiga da vítima, que estava no apartamento onde aconteceu a emboscada e disse ter visto Franciellen após a tortura: "Estava com lesões e cabelo cortado".
Na sequência, uma outra menina que também estava no apartamento deu detalhes da noite em que o crime aconteceu.
"Um dos rapazes perguntou de que forma ela queria morrer: pulando do prédio ou da outra forma", relatou a segunda testemunha.
Essa fala foi atribuída a Thiago Santos, que negou a acusação em depoimento ao juiz.
A promotoria afirma que pretende levar todos os réus à condenação máxima e alega que todos tiveram participação no crime. Contudo, apenas Vanessa, Thiago e Vitor respondem por homicídio triplamente qualificado. Saulo responde por emprego de fuga. Nayara Silva, por tortura.
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Corpo de Franciellen foi encontrado em uma área de mata na Serraria, em Maceió, em fevereiro de 2013 (Foto: Henrique Pereira/G1)


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