NOTÍCIAS

Indígena, gay, universitário e adepto das redes sociais; no Dia do Índio, conheça brasiliense que representa mais de 300 povos do país

Fe?txawewe Tapuya, das etnias Fulni-ô e Guajajara, tem 22 anos e nasceu no Distrito Federal. Ele é um dos 21 indígenas que mostram, em programa especial da TV Globo, como é a vida dos primeiros habitantes das terras brasileiras.


icon fonte image

  Fonte: Com G1Distrito Federal

Fêtxawewe Tapuya Guajajara é indígena, nasceu e mora no Distrito Federal

Fêtxawewe Tapuya Guajajara é indígena, nasceu e mora no Distrito Federal   Foto: Reprodução/G1/Alex Vieira de Farias

Postado em: 19/04/2021 às 20:32:10

Indígena, gay, estudante universitário e um usuário assíduo das redes sociais. Essas são algumas das características de Fe?txawewe Tapuya Guajajara, das etnias Fulni-ô e Guajajara.

O jovem, de 22 anos, nasceu e cresceu no Distrito Federal sabendo, desde cedo, quais eram suas origens. Nesta segunda-feira (19), Dia do Índio, as lutas e as histórias de Fe?txawewe fazem parte de um programa especial da TV Globo.

"Falas da Terra" será exibido logo após o BBB 21. O programa traz 21 depoimentos de indígenas que narram como é a vida dos mais de 300 povos existentes no Brasil.

O especial teve a participação de indígenas na frente e por trás das câmeras. O G1 conversou com Fe?txawewe Tapuya para saber como é ser indígena na capital federal, no século 21.

A figura do indígena

Jovem indígena caminha pelo Eixo Monumental, em Brasília, durante Acampamento Terra Livre, em imagem de arquivo — Foto: Paulo Sales/ TV Globo

Jovem indígena caminha pelo Eixo Monumental, em Brasília, durante Acampamento Terra Livre, em imagem de arquivo — Foto: Paulo Sales/ TV Globo

Fe?txawewe é estudante do curso de ciências sociais da Universidade de Brasília (UnB). Ele conta que quando entrou na UnB ficou surpreso com a quantidade de professores "desorientados sobre as causas indígenas, com estereótipos e preconceitos enraizados".

Para ele, ser indígena é estar em uma constante luta que envolve reconhecimento e resistência. O jovem afirma que a sociedade ainda tem uma imagem enraizada do indígena do período colonial.

"A gente sofre muitos preconceitos. Por exemplo, você não pode ser indígena e ser LGBT, estar na cidade, nas redes sociais, porque senão você deixa de ser indígena", diz Fe?txawewe.

Segundo o brasiliense, os jovens indígenas estão ajudando a desmistificar a antiga imagem. "A juventude está trazendo várias pautas novas e, ao mesmo tempo, mesclando com demandas antigas, como demarcação de terras e acesso a saúde", conta.

Dia do Índio

Indígenas em frente ao STF, em Brasília, em foto de arquivo durante julgamento sobre demarcação de terras — Foto: Guilherme Cavalli/CIMI

Indígenas em frente ao STF, em Brasília, em foto de arquivo durante julgamento sobre demarcação de terras — Foto: Guilherme Cavalli/CIMI

Ao ser questionado sobre o que ele acha do Dia do Índio, Fe?txawewe diz "é só mais um dia de luta e resistência". Para ele, a data é um lembrete que os indígenas merecem respeito.

"Não tem tanto significado, porque eu já vivo o Dia do Índio todos os dias. É só mais um dia de luta e resistência, que lembro da nossa perda", diz.

Segundo ele, muitas vezes o indígena não é visto como ser humano, ou como um igual. "Eu gostaria que as pessoas olhassem pra gente como seres humanos. Que tenteassem compreender que somos o que restou de muitos", aponta.

A luta pela terra

Indígenas Guajajara na região do Noroeste, em Brasília, em foto de 2017 — Foto: Marília Marques/ G1

Indígenas Guajajara na região do Noroeste, em Brasília, em foto de 2017 — Foto: Marília Marques/ G1

Fe?txawewe mora, desde que nasceu, em um terreno dentro do Santuário dos Paje?s, na região do Noroeste, em Brasília. O local, a 11 quilômetros do Congresso Nacional, apenas foi reconhecido como terra indígena em 2018, após uma década aguardando uma decisão judicial.

Ele explica que o lugar onde vive era usado como passagem para os seus antepassados. Segundo Fe?txawewe, as terras guardam as memórias dos povos indígenas que estiveram na região muito antes da construção de Brasília.

Índia Guajajara resiste durante tentativa de obras no Setor Noroeste, em Brasília, onde vivem indígenas, em foto de 2016 — Foto: Mariana Zoccoli/G1

Índia Guajajara resiste durante tentativa de obras no Setor Noroeste, em Brasília, onde vivem indígenas, em foto de 2016 — Foto: Mariana Zoccoli/G1

"Aqui era uma rota de passagem e de abrigo. Antes existia nascente e era um espaço mais fechado do movimento dos não indígenas. Existem estudos arqueológicos que mostram isso e mostram cemitérios de indígenas nesse território", conta.

Para o estudante, o reconhecimento e a demarcação da terra é uma vitória. O brasiliense afirma que o santuário representa um local de força e esperança para os outros indígenas.

"É uma terra demarcada no berço da capital do Brasil e no berço da política”, diz.

Comentários

Escreva seu comentário
Nome E-mail Mensagem