Homenagem póstuma a Florisberto Rodrigues Lisboa, conhecido como 'Florisberto do Caminhão'
À família enlutada expressamos votos de profundo pesar. Que o Divino Espírito Santo promova consolo aos familiares entristecidos com a morte deste patriarca, cidadão trabalhador, amante da sanfona, que soube fazer história.
'Florisberto do Caminhão' Foto: Reprodução/Arquivo/Maridelma Lisboa
Foi celebrada, às 17 horas, da última quinta-feira (10), na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na cidade de Palestina, a Missa do 7º Dia de Florisberto Rodrigues Lisboa, conhecido como “Florisberto do Caminhão” .
Segundo informações da filha Maridelma Lisboa, ele faleceu no dia 4 deste mês (um dia de sexta-feira), aos 87 anos de idade, às 05 horas da manhã, em sua residência, na cidade de Palestina, em consequência de várias enfermidades. Ele deixou quatro filhos: Maridelma, José Valmir, Eraldo e Rômulo Ryan, sendo três filhos do casamento com Luiza Oliveira Lisboa (já falecida e de quem ele ficou viúvo) e um filho do casamento com Quitéria Alves de Oliveira.
Há quatro meses, isto é, no mês de junho deste ano, foi detectada uma doença que desencadeou outras enfermidades em Florisberto. É importante destacar que ele viveu esses anos todos sem procurar um médico, pois "não gostava e nem precisava porque não sentia nada", segundo o próprio, que tinha o hábito de comer feijão até à meia-noite, pois nenhuma comida lhe fazia mal.
“Seu Florisberto”, como também era chamado, nasceu no Povoado Lagoa de Pedra, município de Pão de Açúcar. E no ano de 1956, a convite do chefe político José Ferreira de Melo, conhecido como “Zuza Ourive”, mudou-se para Retiro, que depois passou a chamar-se Palestina.
Apesar de muito popular e de prestar muitos serviços à população, Florisberto preferiu não seguir a carreira política. Em Palestina ele contou, também, com o apoio do então prefeito Zezé.
Viveu trabalhando, dirigindo o caminhão do qual era o proprietário, fornecendo paralelepípedo para vários municípios, principalmente para Pão de Açúcar, Palestina, Monteirópolies, Batalha e Belo Monte, participando, assim, da construção de tantas e tantas obras de calçamento nestas cidades e nos povoados.
Até hoje eu recordo dos meus tempos de criança e das ruas descalças de minha cidade,época em que o caminhão de Florisberto chegava carregado de paralelepípedos para a construção das obras de calçamento. E assim, as ruas de Pão de Açúcar foram calçadas, com Florisberto sendo o responsável pelo fornecimento de pedras. Por isso, ele faz parte da história de nossa cidade e de outros municípios, também.
Parece que estou vendo aquele homem magro, baixinho, chapéu na cabeça, relógio no pulso, bem vestido, com o caminhado semelhante ao do artista Charle Chaplin, a andar pelas ruas de nossa cidade e a frequentar a sede da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar, certamente para receber o pagamento pelo fornecimento de paralelepípedos.
Fui procurado por ele, em 2007, para que eu escrevesse uma carta para o apresentador da Rede Globo, Luciano Huck, pedindo para que o "Lata Velha" recuperasse seu caminhão, o qual se encontrava em péssimo estado de conservação. Escrevi a carta, Florisberto colocou nos Correios, porém não obteve a resposta que tanto esperava. E sem dinheiro para recuperar o caminhão que durante muitos anos dirigiu, ele teve que vender o veículo completmente sucateado, restando apenas a saudade.
Presenciei, algumas vezes, Florisberto tocando sanfona, instrumento pelo qual ele era apaixonado. Tanto o é que, durante o seu sepultamento, na tarde do último dia 4, o funeral aconteceu sob um clima de alegria e forró, animado pelo sanfoneiro Zé Lourenço e seu regional. E assim, aquele homem franzino, vaidoso, chegado a forró e mulher, que tanto ajudou na pavimentação de nossas ruas e praças, recebeu o último adeus da família e dos amigos.
Descanse em paz, Floriberto Rodrigues Lisboa ou simplesmente “Florisberto do Caminhão”, na Mansão Eterna! Eterna saudade.
À família enlutada expressamos votos de profundo pesar. Que o Divino Espírito Santo promova consolo aos familiares entristecidos com a morte deste patriarca, cidadão trabalhador, amante da sanfona, que soube fazer história.
Florisberto Rodrigues Lisboa - Fotos: Reprodução/Delma Lisboa/Arquivo


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