Hacker confessa ter invadido celular de Moro e de centenas de autoridades.
Preso pela PF em Araraquara (SP), "Vermelho" acumula processos por estelionato, falsificação de documentos e furto.

Fonte: Estadão Conteúdo
Invasão de celular: Preso pela PF admite que clonou celular de Sergio Moro e de mais centenas de autoridades e jornalistas Foto: Oliver Nicolaas Ponder / EyeEm/Getty Images
Preso em Araraquara, interior de São Paulo, na Operação Spoofing deflagrada nesta terça-feira, 23, Walter Delgatti Neto, o “Vermelho”, confessou à Polícia Federal que hackeou o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), o procurador Deltan Dallagnol (coordenador da Operação Lava Jato no Paraná) e centenas de procuradores, juízes e delegados federais, além de jornalistas. “Vermelho” acumula processos por estelionato, falsificação de documentos e furto.
Em seu Twitter, Sergio Moro postou nesta quarta-feira, 24, que “pessoas com antecedentes criminais” são a “fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime”.
O ministro não citou nomes em sua mensagem. Ao apontar para “pessoas com antecedentes criminais”, o ministro se refere ao grupo aprisionado pela PF na Operação Spoofing.
Desde junho, Moro é alvo de divulgação de diálogos a ele atribuídos com o procurador Deltan Dallagnol, pelo site The Intercept. O site afirmou que recebeu de fonte anônima o material, mas não revelou a origem. Moro nega conluio – ele e Dallagnol afirmam não reconhecer a autenticidade das conversas.
Nesta quarta-feira, os diretores do site The Intercept, Leandro Demori e Glenn Greenwald, comentaram, também no Twitter. “Está cada vez mais claro: Moro virou político em busca de um foro privilegiado pra poder falar impunemente em público as coisas que dizia antes em chats secretos”, disse Demori.
“Nunca falamos sobre a fonte. Essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são nossa fonte fica por sua conta. Não surpreende vindo de quem não respeita o sistema acusatório e se acha acima do bem e do mal. Em um país sério, o investigado seria você”, afirmou o jornalista, em resposta à declaração de Moro, na rede social.
Já Greenwald afirmou que Sergio Moro está “sendo Sérgio Moro – está tentando cinicamente explorar essas prisões para lançar dúvidas sobre a autenticidade do material jornalístico”.
“Mas a evidência que refuta sua tática é muito grande para que isso funcione para qualquer pessoa”, disse.
Investigação
Além de “Vermelho”, a Polícia Federal prendeu o casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suellen Priscila de Oliveira e também Danilo Cristiano Marques. A PF investiga supostos patrocinadores do grupo.
Ao decretar a prisão temporária de quatro investigados, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.º Vara Federal de Brasília, apontou para a incompatibilidade entre as movimentações financeiras e a renda mensal do casal em dois períodos de dois meses – abril a junho de 2018 e março a maio de 2019 – movimentou R$ 627 mil com renda mensal de R$ 5.058.


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