Governo Lula evitará embate com o STF ao abordar caso Master
Presidente defenderá investigações sem embate com Supremo.

Fonte: CNN Brasil
Presidente defenderá investigações sem embate com Supremo. Foto: Reprodução/CNN Brasil
O Palácio do Planalto decidiu a linha do discurso que presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotará, a partir de agora, ao se posicionar sobre o caso Master.
A estratégia de autocontenção envolve evitar um confronto direto com o STF (Supremo Tribunal Federal), ao mesmo tempo em que Lula reforçará o discurso em defesa das apurações “doa a quem doer”, porém, sem se referir diretamente a ninguém ou a nenhuma instituição.
Interlocutores dizem que o presidente sustentará que a Polícia Federal deve continuar avançando com independência sobre “quem quer que seja”, sem restrições.
A avaliação interna é de que um embate aberto com o STF poderia ampliar tensões políticas e fazer o caso respingar no governo. Auxiliares no Planalto avaliam que, nos últimos anos, o Supremo atuou como braço de apoio em decisões positivas ao governo.
O presidente tem dito, sob reserva, que não vê, até o momento, envolvimento direto de integrantes do governo nas suspeitas. Ainda que haja suspeita sobre as relações do PT da Bahia com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. A percepção de Lula, porém, é de que petistas baianos têm cumprido papel de se defenderem do caso.
A estratégia de Lula também inclui reforçar a narrativa de que investigações desse tipo avançaram apenas durante governos petistas. Auxiliares afirmam que o presidente deve destacar que, em governos anteriores, a exemplo de Temer e Bolsonaro, a situação não teve o mesmo nível de transparência.
Além de uma crítica mais centralizada ao Banco Central de Roberto Campos Neto, com revelações sobre a cooperação de diretores da autarquia com Vorcaro.
No caso do ex-presidente Michel Temer, a acusação se dá sobre a venda do banco Máxima, que já havia sido alvo de investigações antes da transação.
Embora haja um plano para conter danos, integrantes do Planalto reconhecem que a crise pode respingar no governo e que uma escalada no tom de Lula pode comprometer a imagem do presidente e a agenda dele no Congresso.


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