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Em pleno Dia da Água, com a conivência de órgãos ambientais, a CHESF reduz para 650 m³/s a vazão defluente dos Reservatórios de Sobradinho e Itaparica

Situação do rio São Francisco fica ainda mais crítica e impactos ambientais são considerados catastróficos


Assoreamento do rio São Francisco - Pão de Açúcar, Alagoas

Assoreamento do rio São Francisco - Pão de Açúcar, Alagoas   Foto: Helio Fialho

Postado em: 22/03/2017 às 12:03:17   /   por Helio Fialho

Não bastasse os graves impactos ambientais causados pela redução da vazão do Reservatório de Xingó, com destaque para a salinização das águas do rio São Francisco na área que abrange os municípios de Piaçabuçu (AL) e Brejo Grande (SE), a CHESF, através de um comunicado oficial (FAX-SOC-007/2017), anunciou que, a partir desta quarta-feira (22), está baixando a vazão defluente  do Reservatório de Sobradinho e Itaparica, para o patamar de 650 m³/s.

Segundo a CHESF, no comunicado assinado pelo Assessor da Superintendência de Operação e Contrato de Transmissão de Energia (SOC), Tony Ulisses de Matos Firmino, “a prática desta vazão ocorrerá no trecho entre os Reservatórios de Sobradinho e Itaparica, com duração mínima de cinco dias”.

Na Região do Baixo São Francisco o quadro será muito mais catastrófico, pois a vazão do Reservatório de Xingó, em consequência desta anunciada vazão defluente, será reduzida, também, de 700 m³/s para um patamar inferior.

Isto significa que o leito do Velho Chico ficará ainda mais seco, fragilizado e sem correntezas, além de estar vulnerável a problemas que só apressam a morte iminente de um dos mais importantes rios do Brasil, pois são incalculáveis os prejuízos decorrentes dos impactos ambientais, destacando-se diversos problemas:  o assoreamento do leito, a salinização das águas, a proliferação de algas verdes, o desaparecimento de várias espécies de peixes, o surgimento do mexilhão dourado, o aparecimento de espécies antes só vista no mar, dentre outros.

 Não dá para entender como uma decisão tão séria e perigosa foi tomada dentro de um gabinete, com a conivência de representantes de órgãos que deveriam lutar pela vida do Velho Chico. E o mais incrível é que a população ribeirinha não foi consultada.

Segundo, ainda, a CHESF, esta decisão teve o apoio da ANA, IBAMA, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), CEMIG, Ministério de Minas e Energia, Ministério da Integração Nacional, Comitê da bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e Órgãos Gestores Estaduais de Recursos Hídricos e de Meio Ambiente.

“Foi sugerido pela ANA, sem óbice pelo IBAMA e sem qualquer manifestação contrária pelos demais participantes, a realização de testes de redução da vazão mínima para o valor de 650 m³/s, no trecho do Rio São Francisco compreendido entre os Reservatórios de Sobradinho e Itaparica, durante um período de cinco dias”, diz o comunicado FAX-SOC-006/2017.

Quem antes viu o caudaloso rio São Francisco serpenteando com toda a sua opulência em direção ao mar, fica dantescamente triste e preocupado com o atual cenário em que se encontra o Velho Chico que, sem o vigor do passado, hoje agoniza na UTI da irresponsabilidade de governos inconsequentes e de políticos gananciosos e corruptos.

Também não se pode isentar da culpa empresários ambiciosos e ribeirinhos egoístas que jamais se preocuparam com a preservação deste importante manancial que representa a sobrevivência de milhões de vidas, pois esgotos, dejetos, lixo, agrotóxicos e outros poluentes continuam derramando na calha do antigo Opará.

 Não  raro ouve-se as expressões “por que a classe política não faz nada para salvar o Velho Chico?” "A classe política é omissa porque se corrompe e tem as benesses do governo à sua disposição". 

É praxe neste País os políticos cederem aos lobbies de segmentos governamentais e empresariais responsáveis por obras de seus interesses e que são nocivas à vida do rio, a exemplo da Transposição. Em um país sério isto jamais aconteceria.

E o mais vergonhoso é que o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e os Órgãos  Gestores Estaduais de Recursos Hídricos e Meio Ambiente não se manifestam contra esta decisão absurda de reduzir drasticamente  as vazões defluentes destes Reservatórios controladores  do Velho Chico. Pelo contrário, foram a favor da autorização.

O problema chegou a um ponto tão crítico que os moradores ribeirinhos não devem mais esperar por decisões que jamais serão tomadas em defesa do rio São Francisco. Está na hora do povo ribeirinho sair da inércia e do comodismo, arregaçar as mangas e partir para a luta em defesa do Velho Chico, enfrentando uma casta insensível, irresponsável, ambiciosa e corrupta,  que só pensa no próprio umbigo e esquece de fender os interesses coletivos.

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