A presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL, Anne Caroline Fidelis de Lima, revelou ao TNH1 que, de janeiro deste ano até hoje, 68 casos de justiçamento foram registrados pela entidade, e desses, 16 pessoas terminaram em morte.

Fonte: Com TNH1 - Por João Victor Souza
Foto: Reprodução/TNH1
O linchamento de Rafael dos Santos Pereira, 24 anos, suspeito de estuprar e matar uma adolescente em Maceió, trouxe novamente a discussão sobre o crime de justiçamento, quando a população agride um infrator como forma de fazer justiça com as próprias mãos. Em Alagoas, o número de mortos por linchamento, quando a agressão acaba em morte, em 2020, em apenas oito meses, já superou as estatísticas dos anos anteriores.
Dados
De 2014 a 2019, o número de casos de justiçamento havia triplicado no Estado. De 38 registros, com oito óbitos, os crimes saltaram para 123 em cinco anos, com um número maior de mortes também.
Detalhadamente, as estatísticas mostram que houve 38 casos de justiçamentos com oito óbitos em 2014, 36 casos com três mortes em 2015, 35 justiçamentos com seis óbitos em 2016, 81 casos com 15 mortes em 2017, 116 registros com 13 óbitos em 2018, e 123 justiçamentos com 15 óbitos em 2019.
Neste ano, com 68 casos e 16 óbitos, o cenário é de maior número de mortos e os casos já correspondem a mais da metade em relação ao ano anterior, sendo que ainda faltam quatro meses para o fim de 2020.

O caso
Rafael dos Santos Pereira é suspeito de assassinar, depois de ter violentado sexualmente, uma jovem de 13 anos nas proximidades do Parque dos Caetés, no Benedito Bentes. O corpo da menina foi encontrado na manhã do último dia 20, com sinais de estupro, marcas de esganadura no pescoço e ferimento no olho esquerdo.
Logo após o achado do cadáver, a população teria se juntado e, acreditando que Rafael foi o responsável pelos crimes, dado início a uma sessão de apedrejamento contra o suspeito. Os primeiros levantamentos da perícia mostraram que ele sofreu múltiplos traumatismos na cabeça em decorrência das pedradas que levou.
Um exame realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) com o material genético das vítimas pode confirmar se a adolescente foi estuprada ou não por Rafael. O órgão informou à reportagem que não vai dar detalhes sobre o procedimento para não atrapalhar as investigações da Polícia Civil.
Até o momento, a polícia não confirmou nenhuma prisão de envolvido na morte de Rafael. Os dois crimes serão investigados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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