Descaso: há três meses está faltando material para exames de laboratório na Unidade Mista de Pão de Açúcar
Ninguém consegue fazer um simples exame de fezes ou de urina na Unidade Mista de Pão de Açúcar.
Unidade Mista de Pão de Açúcar Foto: Reprodução/Internet
A Saúde anda mesmo combalida no município de Pão de Açúcar. Há três meses o laboratório da Unidade Mista Dr. Djalma Gonçalves dos Anjos não realiza exames de fezes, urina e sangue. Está faltando material para a realização destas análises.
Na justificativa aos pacientes, os responsáveis dizem que o material foi comprado e vai chegar logo, mas a espera já dura aproximadamente 90 dias.
Enquanto isso, as pessoas que aceitam fazer exames de laboratório na cidade de Santana do Ipanema recebem uma autorização, porém a despesa com o deslocamento fica por conta do paciente.
O descaso foi constatado, na manhã desta segunda-feira (24), por uma pessoa que faz parte da equipe do Notícia Quente. Ela precisou providenciar exames de sangue, fezes e urina para uma criança que é sua filha e procurou o laboratório da Unidade Mista. A mãe da menor, in loco, foi informada por funcionários do setor que está faltando material e, por isto, estão autorizando fazer em Santana do Ipanema, mas o deslocamento é por conta do paciente.
A situação fica complicada para as pessoas que precisam dos exames com urgência e não podem pagar a um laboratório particular ou pagar despesas de deslocamento para outro município. Mas para quem paga plano de saúde e tem poder aquisitivo, a situação não é preocupante.
O Notícia Quente apurou que os exames de sangue, urina e fezes vinham sendo feitos no laboratório da Unidade Mista porque a gestão anterior havia deixado um estoque de material. E depois que o estoque acabou ninguém consegue fazer sequer um simples exame de fezes, o que é considerado um grande descaso e falta de respeito para com os usuários do SUS.
No setor foi constatado, ainda, que os técnicos do laboratório vão trabalhar todos os dias e, por causa da falta de material, ficam de braços cruzados porque não podem realizar as tarefas profissionais.
Críticas construtivas
Quando qualquer falha era cometida na Saúde durante a gestão anterior, a oposição, que hoje é a situação, fazia críticas contumazes ao gestor. E a oposição estava certa porque as oportunas críticas faziam com que os erros fossem imediatamente corrigidos. Mas cabe aos próprios aliados fazerem críticas construtivas, também.
Em se tratando de órgão público, quando o gestor tem espírito democrático, as críticas construtivas ajudam a colocar a gestão no prumo. Só no período da Ditadura Militar as críticas construtivas eram vistas como algo negativo e as pessoas que faziam críticas eram presas, humilhadas, torturadas e mortas.
Já dizia Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra. Quem pensa como a unanimidade não precisa pensar”.
É preocupante quando gente fanática, desprovida de caráter, rebate críticas construtivas, dizendo que “quem crítica é porque perdeu a mamata” e “está sentindo no bolso porque perdeu o emprego”.
Cargo comissionado, como o próprio nome já diz, é cargo de confiança. Geralmente o cargo é dado a quem merece a confiança do gestor. E cabe a cada gestor escolher seus assessores. Não cabe aos que fizeram oposição gerar expectativas sobre ocupação de cargo.
Portanto, aos fanáticos fakes que vivem criticando pessoas que integraram a gestão anterior, dizendo que estes perderam a “mamata”, a resposta deve ser dada sem fazer uso de baixarias, pois é melhor perder um emprego que perder a dignidade, a moral e a vergonha.
Trabalho produtivo não pode jamais ser chamado de “mamata”. Mamata é trabalho desonesto que, na maioria das vezes, gera enriquecimento ilícito e “fortuna milagrosa”. “Mamata” é dinheiro oriundo de esquemas. Dinheiro conquistado com suor, competência e trabalho honesto jamais pode ser visto como “mamata”. Só pessoas incompetentes, portadoras de mau-caratismo, que não assumem a própria identidade, são capazes de confundir trabalho honesto com “mamata”.
Profissionais competentes, de mãos limpas, que gozam de grande credibilidade popular, não precisam de “mamata” para viver. Eles sempre encontram, na condição de cidadão nacional, uma porta aberta no competitivo mercado de trabalho, onde desenvolvem de forma honesta suas atividades laborais e são sempre recompensados monetariamente.
Críticas construtivas devem e precisam ser respeitadas, independentemente de quem esteja no poder e de quem as faça. Até porque o poder político é efêmero (e ilusório), pois emana do povo.
Por este motivo, criticar a gestão municipal de Pão de Açúcar pelo fato de estar faltando material para fazer exames de laboratório na Unidade Mista Dr. Djalma Gonçalves dos Anjos, é prestar um importante serviço à sociedade; é falar a língua do povo sem esconder-se covardemente por trás da figura de um fake.


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