Coronelismo, compra de votos, corporativismo, perseguição, atraso e revanchismo - a triste realidade da política de Pão de Açúcar
Urge mudar este modelo ultrapassado de se fazer política na Terra de Jaciobá
Boca no Trombone/Imagem ilustrativa Foto: Divulgação
Silêncio Sepulcral
Aliados estão reclamando que foram abandonados por políticos que disputaram as últimas eleições em Pão de Açúcar. Antes e durante o período da disputa, ligações, abraço, aperto de mão, convites para festas eram comuns, porém, depois das eleições, os tais candidatos desapareceram e decretaram silêncio sepulcral, deixando os aliados completamente abandonados.
Certamente, quando se aproximar o próximo período eleitoral, os tais candidatos e líderes políticos voltarão a ligar, abraçar, dar aperto de mão, e convidar os aliados para festinhas, numa estratégia para reconquistá-los.
E poderá ser tarde demais porque os que entraram no barco furado, colocado à deriva por causa da tempestade do abandono, haverão de sobreviver e, assim, darão a merecida resposta nas vindouras eleições.
Nova audiência no dia 14
Comenta-se nas rodas de bate papo que, no próximo dia 14 (notícia ainda não confirmada pela Justiça) haverá nova audiência sobre o caso Bolsa Viver Bem Pão de Açúcar, envolvendo o atual gestor de Pão de Açúcar.
Segundo informações, o autor da denúncia contra o atual gestor contratou os serviços do advogado Adriano Soares, um dos melhores especialistas em Direito Eleitoral do Brasil.
Os mais otimistas comentam que há grande possiblidade de o atual gestor perder o cargo, já que a distribuição dos cartões do “Bolsa Viva Bem Pão de Açúcar” significa grave crime eleitoral.
Há quem diga que este caso é semelhante ao do ex-governador Antonny Garotinho, que montou um esquema de troca de votos por meio do programa chamado “Cheque Cidadão”. Denunciado, Garotinho foi preso pela polícia federal.
Segundo publicação no portal do Tribunal Superior Eleitoral, “O ilícito de compra de votos está tipificado no artigo 41-A da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). Segundo o artigo, constitui captação de sufrágio o candidato que doar, oferecer, prometer ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de mil a cinquenta mil Ufir, e cassação do registro ou do diploma. Além da Lei das Eleições, o Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) tipifica como crime a compra de votos (artigo 299). Prevê pena de prisão de até quatro anos para aqueles que oferecem ou prometem alguma quantia ou bens em troca de votos, mas também para o eleitor que receber ou solicitar dinheiro ou qualquer outra vantagem, para si ou para outra pessoa (artigo 299)”.
O pós-eleitoral pão-de-açuacrense, a partir da disputa de 2008, é tomado por uma expressão que gera tensão nos eleitores e simpatizantes dos candidatos que não saem vitoriosos na disputa e, por isto, ficam alimentando esperanças no eleitorado com a expressão “olhe a bomba”, mas a explosão da tal “bomba” jamais é ouvida. Será que o caso “Bolsa Viva Bem Pão de Açúcar” não passa de uma bomba ou um traque sem pólvora?
Modelo ultrapassado
O modelo coronelista de fazer política em Pão de Açúcar precisa mudar urgentemente. Uma terra banhada pelo Velho Chico, com um extraordinário potencial turístico, vista como celeiro de grandes artistas e intelectuais, terra rica em cultura, não pode continuar a mercê da desastrosa política da compra de votos, onde são eleitos somente os que gastam muito durante a disputa eleitoral.
Chega a ser ridículo o critério que os líderes políticos de Pão de Açúcar usam para indicar seus sucessores, isto é, os candidatos a prefeito – “tem que ter muito dinheiro para gastar na campanha” – podendo os tais escolhidos serem pessoas desprovidas de liderança política porque, para o líderes, o que interessa é “ter dinheiro para gastar”.
Ora, não deveria ser assim porque dentro do município moram pessoas bem aceitas pela população e com capacidade para assumirem o cargo de prefeito de Pão de Açúcar, porém, ficam fora da disputa porque não tem dinheiro para gastar na eleição com a compra de votos.
Este modelo coronelista e ultrapassado de fazer política em Pão de Açúcar precisa ser banido porque só traz atraso e precariedade para a Terra de Jaciobá. Ao longo dos anos o sofrido município de Pão de Açúcar tem sido palco da politicagem corporativista, onde vencem os que são melhores estrategistas na compra de votos – os que contrariam esta prática são colocados de escanteio. Está na hora de acabar com o continuísmo político que tem levado Pão de Açúcar à estaca zero do desenvolvimento.
Turismo: Pão de Açúcar a passos de caranguejo
Só dá para perceber o atraso que Pão de Açúcar está mergulhado quando a plaga de Jaciobá é comparada ao vizinho município de Piranhas. Enquanto Piranhas goza o conceito de “cidade lapinha” e desponta como um dos mais visitados destinos turísticos de Alagoas, Pão de Açúcar há mais de duas décadas não passa de “município com potencial turístico”, isto é, continua a passos de caranguejo rumo ao desenvolvimento.
A ausência de investimentos no setor turístico, a falta de infraestrutura, a deficiência do trade e a falta de vontade política têm sido as principais causas do atrofiamento turístico do “Paraíso da Água Doce”, uma terra possuidora de belezas mil, banhada pelo Velho Chico, porém, um ano-luz distante do progresso desejado pela população.
Piranhas, que já pertenceu a Pão de Açúcar, hoje é destino de turistas nacionais e internacionais, enquanto Pão de Açúcar, o maior polo de artesanato do interior de Alagoas, continua sendo destino de “farofeiros” que só fazem sujar a praia e nada compram no comércio local, pois quando viajam a Pão de Açúcar já levam consigo a comida e a bebida que vão consumir. “O verdadeiro discípulo é aquele que supera seu mestre”, já dizia o pensador Aristóteles.
Política de facção
A disputa política em Pão de Açúcar não evoluiu ao longo do tempo e continua sendo “política de facção”, onde a calúnia, difamação e outras mentiras fazem parte do jogo sujo que tem como objetivo atingir candidatos a cargos eletivos e pessoas que os apoiam.
Durante a última disputa eleitoral algumas denúncias de compra de votos foram feitas na Justiça Eleitoral contra os principais candidatos majoritários – e por causa de um flagrante desta prática delituosa, a disputa eleitoral segue nos tribunais.
No dia 29 de dezembro de 2016, o autor deste blog declarou em entrevista concedida ao Jornal Jaciobá, que dos candidatos majoritários que disputaram as eleições municipais em Pão de Açúcar, saiu vencedor o que usou melhor estratégia.
Acrescente-se à declaração da entrevista que o candidato vencedor teve melhor estratégia e mais dinheiro para gastar – porque os demais competidores fizeram uso desta mesma prática (tão comum na região), apesar de ser proibida, com exceção de apenas um postulante.
Alguns estudiosos políticos comentam que, se for para fazer justiça e punir os que compraram votos, o único que vai sair livre deste julgamento é o candidato Cliuton Santos – porque este fez uma campanha humilde, não comprou votos e tampouco fez uso de artimanhas financeiras, objetivando conquistar a prefeitura.
Neste caso específico de Pão de Açúcar, se for para a Justiça fazer justiça, quem tem direito a assumir como prefeito de Pão de Açúcar é Cliuton Santos, a única exceção desta prática nas últimas eleições. Chega de hipocrisia e demagogia, gente!
Escassez de candidatos
O autor deste blog discorda quando afirmam que está havendo escassez de candidatos a prefeito para competir nas futuras eleições em Pão de Açúcar. Realmente existe um número reduzido de pessoas não possuidoras de fortuna, porém, o município está repleto de lideranças em condições de disputar o pleito eleitoral e tornar-se chefe do Executivo municipal.
Basta, agora, que essas lideranças tenham coragem para contrariar as decisões imperativas dos líderes maiores e lancem seus nomes na disputa democrática, pois este um direito de todos os cidadãos. Chega de autoritarismo!
Revanchismo em grande escala
A atual gestão municipal assumiu o poder com muita sede de vingança. Tem perseguido até mesmo os filhos e filhas de alguns cidadãos que integraram a gestão anterior. Alguns profissionais chegaram a ser humilhados por alguns assessores da atual gestão porque têm o sobrenome do pai ou da mãe.
Em conversa com certa profissional, no momento de sua contratação, duas integrantes do primeiro escalão do governo municipal chegaram a fazer o seguinte comentário: “você é uma excelente profissional, mas tem um problema: é filha de...” (e fez menção ao nome do pai da profissional).
A jovem não aceitou tamanha humilhação e já conseguiu outro trabalho. Este gesto revanchista e vergonhoso, alimentado por pessoas soberbas, vem se repetido com outras pessoas, lamentavelmente. Para os perseguidos fica aqui uma frase de um saudoso farmacêutico e filho de Pão de Açúcar, com referência ao modelo de política coronelista existente em Pão de Açúcar: “Mais durou o Império Romano – com os Doze Césares – e um dia chegou ao fim”.


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