Candidato a vereador mais bem votado em Canapi não consegue se eleger por causa da legenda
“Luciano de Vieira” foi prejudicado pelo modelo usurpador e injusto de eleição proporcional brasileiro
Foto: Gazeta do Povo
Não é a primeira vez que o modelo de política ultrapassada brasileiro contraria a vontade do povo. Isto mesmo, quando um candidato a cargo eletivo consegue ser individualmente o mais votado numa disputa e não consegue se eleger por conta da legenda, está caracterizada a maior injustiça praticada contra o cidadão nacional aprovado nas urnas pelo voto popular.
Um exemplo deste modelo falido, é o candidato a vereador Luciano Alves Carnaúba, conhecido como “Luciano de Vieira”, morador do município de Canapi, no sertão de Alagoas. Ele disputou a eleição pelo PT do B, obteve 604 votos e foi o mais votado, porém, não conseguiu se eleger.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato fazia parte da coligação “Unidos por Canapi”, formada pelos partidos PT do B e PP, que conseguiu somar 782 votos, mas precisa de 876 votos para fazer um vereador. E por causa de 92 votos, a coligação não conseguiu garantir uma das 11 vagas na Câmara Municipal de Canapi.
Neste caso, o sistema eleitoral proporcional vigente no País determina que Justiça calcule o quociente eleitoral, que é a divisão do número de votos válidos (sem branco e nulos) pelo número de cadeiras em disputa.
O número de votos de uma coligação dividido pelo quociente eleitoral determina quantos parlamentares ela poderá eleger. Se uma coligação conquista, por exemplo, duas vagas, são eleitos seus dois candidatos mais bem votados.
Neste sistema, pode ocorrer de um candidato com uma quantidade expressiva de votos ajudar a eleger candidatos de uma coligação que tenha obtido menos votos que concorrentes de outras coligações, como aconteceu com o candidato “Luciano Vieira” que foi o mais votado e não conseguiu ser eleito por conta de um sistema eleitoral injusto e antidemocrático.
Uma proposta que corrigiria esta distorção foi apresentado para votação na Câmara dos Deputados, em Brasília, e foi rejeitado no dia 26 de maio de 2015, ao ser mantido o atual sistema, ficando confirmado pela maioria dos deputados federais, que a reforma política que o Brasil precisa deve ser muito mais ampla, geral e justa.
A proposta conhecida como “Distritão”, defendida por alguns caciques do PMDB, foi rejeitada na Câmara Federal, graças
Para quem não conhece, “Distritão” é o modelo pelo qual os deputados e vereadores seriam escolhidos em eleição majoritária, ou seja, só seriam eleitos os parlamentares que conquistassem maior número de votos, sem precisar, para isto, contar com os benefícios do chamado voto de legenda.
Porém, em razão do modelo ultrapassado, usurpador de sonhos e injusto existente no Brasil, fatos curiosos serão sempre registrados nas eleições proporcionais brasileiras.
Se o candidato Luciano Alves Araújo foi o mais votado e ficou fora da lista dos vereadores eleitos no município de Canapi, nas eleições de 2016, a primeira suplente Aline de Oliveira Zolin (PSD), que teve só um voto nas eleições de 2012, assumiu uma cadeira na Câmara de Vereadores de Dracena, estado de São Paulo, em razão de o vereador Rodrigo Castilho ter o mandato cassado porque trocou, fora do prazo legal, o PSD pelo PSDB, fato considerado “infidelidade partidária” pela Justiça Eleitoral.
Partindo destas duas realidades e para reparar injustiças como estas, urge uma mudança séria neste modelo gatuno e ultrapassado de eleição proporcional brasileiro, o qual desrespeita a vontade do povo e fere crassamente a democracia do Brasil. Confira abaixo a lista dos 11 eleitos em Canapi, todos com número de votos inferior ao de “Luciano de Vieira” (604 votos)
1 – Aloísio Basílio (DEM) - 585
2 – Té de Zequinha (DEM) - 555
3 – Lília (PMDB) - 516
4 – Cícero Luciano (PHS) - 508
5 – Agnaldo do Capiá (PSD) - 503
6 – Zé Divo (DEM) - 460
7 – Cicinho (PSD) - 452
8 – Maciel de Zé de Nego (PHS) - 429
9 – Urso Biano (PRP) - 426
10 – Zé iran (PPS) - 407
11 – Júnior Mulungu (PHS) 406


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