NOTÍCIAS

Brasil deve ter relação pragmática com Argentina caso Javier Milei ganhe eleições, dizem especialistas

Itamaraty não vai cortar laços se deputado ultraliberal de direita que venceu primárias se tornar presidente, segundo analistas


icon fonte image

  Fonte: R7 - Por Augusto Fernandes

 Milei tem apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro

Milei tem apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro   Foto: Reprodução/R7/Alejandro Pagni/AFP

Postado em: 16/08/2023 às 07:43:00

Se o economista e deputado de extrema-direita Javier Milei vencer a eleição presidencial na Argentina, em outubro, especialistas acreditam que o Brasil vai manter um comportamento pragmático em relação ao vizinho, a despeito de posicionamentos políticos distintos entre Milei e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No último fim de semana, Milei venceu as eleições primárias, consideradas uma prévia da votação oficial na corrida à Casa Rosada.

Nas primárias, Milei teve 30,26% do total nacional (6,86 milhões de votos), um percentual que não havia sido previsto nas pesquisas. O resultado das prévias, segundo analistas, não vai mudar a relação diplomática do Brasil com a Argentina, já que elas servem apenas para qualificar os candidatos que irão disputar os cargos por cada partido.

No entanto, a tendência é de que o Itamaraty não mantenha a mesma proximidade que tem hoje com o presidente Alberto Fernández, amigo pessoal de Lula, se Milei confirmar a vitória no pleito de outubro.

De todo modo, o Brasil não vai cortar os laços caso Milei se torne presidente, visto que a Argentina é o principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul e o terceiro no mundo. De janeiro a julho deste ano, as exportações para a Argentina somaram 11 bilhões de dólares, enquanto as importações registraram a marca de 6,9 bilhões de dólares.

Em uma eventual vitória de Milei em outubro, podemos esperar uma relação pragmática com o Brasil, assim como ocorreu na relação Jair Bolsonaro-Alberto Fernández. Apesar das diferenças ideológicas e políticas, seria prejudicial para a Argentina perder um importante parceiro econômico como o Brasil, principalmente, com os indícios de que a crise econômica argentina ainda deve se prolongar, mesmo com a ascensão de um novo governo. (Nicholas Borges, consultor de Análise Política e Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados)

Eliminação do Banco Central argentino

Milei é considerado um político ultraliberal. Algumas de suas propostas para a economia incluem a eliminação do Banco Central argentino. Ele também defende a dolarização da economia e a adoção do ouro e de criptomoedas como padrão monetário. Além disso, o argentino se mostra favorável a propostas como taxação da educação e da saúde e permissão à venda de armas e órgãos humanos.

Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria, Günther Richter Mros diz que Milei pode vir a ter algum problema com o Brasil mais pela postura ultraliberal na economia do que pelo comportamento ideológico diferente do de Lula. Para ele, a relação comercial com outros países da América do Sul também pode ser impactada.

Comentários

Escreva seu comentário
Nome E-mail Mensagem