Após ataque hacker explorar brecha, Anatel proíbe ligação para o próprio número
Nos próximos dias, as empresas de telefonia também deverão reforçar ações para incentivar os usuários a adotarem senha para acesso da caixa postal. A campanha terá caráter educativo e será coordenada pela Anatel.

Fonte: Estadão - Por Anne Warth / BRASÍLIA
Foto: Reprodução/Estadão
Numa reação às investigações da Polícia Federal sobre a invasão de celulares de autoridades, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou que as operadoras de telefonia corrigissem uma brecha na rede que permitiu aos supostos hackers terem acesso à caixa postal de seus alvos.
Nos próximos dias, as empresas de telefonia também deverão reforçar ações para incentivar os usuários a adotarem senha para acesso da caixa postal. A campanha terá caráter educativo e será coordenada pela Anatel. Novas medidas poderão ser adotadas, já que os técnicos da Anatel e da Polícia Federal devem realizar reuniões para discutir o assunto.
Até agora, quatro pessoas foram presas, suspeitas de envolvimento na invasão do celular de autoridades dos Três Poderes, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro.
Modus Operandi. Para invadir o celular das autoridades e obter o histórico de mensagens trocadas, os hackers associavam as características da caixa postal a fragilidades do aplicativo Telegram.
Diferentemente do WhatsApp, o Telegram permite que o usuário inicie múltiplas sessões, com dois ou mais dispositivos logados de forma simultânea - é possível, por exemplo, manter o aplicativo mais de um computador ao mesmo tempo. Além disso, o usuário do Telegram pode solicitar o envio da senha do aplicativo por mensagem de voz para ativar o serviço web. Por fim, por meio de um aplicativo malicioso, o hacker conseguia "espelhar" o celular de outra pessoa usando serviços de voz por IP (VoIP).
A Anatel não tem poder sobre aplicativos de mensagem, mas a agência pode tomar medidas em relação às teles - como o bloqueio de ligações para o próprio número de celular.
Esta foi a primeira ação adotada após a PF enviar um ofício à Anatel, na semana passada, informando o modus operandi do grupo responsável pelos ataques virtuais.
Outra ação que está sob o guarda-chuva do órgão regulador é a organização de campanhas de conscientização. Boa parte dos usuários não altera a senha padrão de acesso à caixa postal, enviada pelas operadoras, o que facilita a ação dos hackers. Essa será uma das mensagens da campanha, que ainda está sendo desenhada pela Anatel e pelas empresas.
Telegram. O Telegram ganhou muitos usuários brasileiros após várias decisões judiciais que bloquearam o WhatsApp, em 2016. Golpes que utilizam o acesso por meio dos aplicativos têm sido comuns em todo o mundo.
Procurada, a Anatel informou que está colaborando com a Polícia Federal e empregando todos os instrumentos e equipes técnicas disponíveis. "Para garantir o necessário sigilo à operação, não serão divulgadas mais informações no presente momento", disse o órgão regulador.
(Com MSN)


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