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Acusado de matar ex-esposa com 33 facadas quer aguardar julgamento em liberdade


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  Fonte: Cada Minuto - Por Gabriela Flores

Joana Mendes

Joana Mendes   Foto: Arquivo pessoal

Postado em: 29/10/2019 às 21:41:29

Arnóbio Henrique Cavalcante, acusado de matar sua ex-esposa, a professora Joana Mendes, assassinada aos 34 anos, com 33 facadas, em outubro de 2016, pode ficar em liberdade. O pedido para transformar a prisão preventiva em prisão domiciliar será julgado amanhã, quarta-feira, dia 30, pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas.

Em entrevista ao CadaMinuto, a irmã da vítima, Júlia Mendes comentou que “todos estão apreensivos com a possibilidade de um homem assim estar em liberdade; não sabemos o que pode fazer  principalmente com os filhos que agora estão tentando ter uma vida normal”.

Júlia comentou que na época do crime, o filho caçula do casal estava com apenas dois anos e hoje tem cinco, é uma criança e estamos todos temerosos. “O uso de tornozeleira eletrônica nunca impediu ninguém de cometer uma atrocidade”, reforçou ela.

“Arnóbio sempre foi um homem violento”, disse a irmã da vítima recordando que “apesar de ser réu primário ele tem inúmeras denúncias baseadas na lei Maria da Penha, chegou a bater na prima grávida de oito meses e atirou no carro da primeira esposa, além das inúmeras vezes que perseguiu Joana e ficava de plantão na frente da creche ou a seguia”, enfatizou ela.

Os pedidos do acusado

Júlia comentou que o acusado já teve dois pedidos de Habeas Corpus negados e agora entrou com recuso no TJ pedindo para desqualificar a sentença de pronúncia como feminicídio e crime hediondo para que seja julgado como crime comum.

Outra alegação de Arnóbio para aguardar o julgamento em prisão domiciliar é que precisa de cuidados médicos para um problema que tem na mão. Porém, o que não dizem é que “o corte no tendão da mão dele foi ocasionado quando assassinou minha irmã e ao bater no crânio dela com a faca, ela (a arma) escorregou e cortou a mão dele”, explicou a irmã da vítima.

Vale salientar que o tratamento para o problema da mão o juiz já liberou que seja efetuado dentro do sistema prisional e inclusive, já tem parecer para que seja permitida a transferência para o Presídio do Agreste onde teria melhor condição para o tratamento, no entanto “o réu disse que não ia fazer tratamento na prisão; isso está registrado nos autos do processo”, disse Júlia.

Os autos do Processo nº 07292071320168020001 revelam que a Gerência de Saúde – fl. 926 – comunicou ao Magistrado a recusa do réu em se tratar, quando, em 02 de março de 2018, o mesmo verbalizou: “Não entregará sua mão a ninguém no sistema prisional” (...) tão pouco a família do custodiado procurou esta Gerência de saúde ou sequer o serviço social da própria Unidade prisional (...).

“A extrema debilidade física do paciente não restou devidamente comprovada pelos documentos colacionados, mesmo porque as patologias apresentadas pelo acusado são passíveis de tratamento pela via medicamentosa e por fisioterapia”, reforçou a decisão.

O advogado do acusado, Raimundo Palmeira disse que “ele (Arnóbio) esta prestes a ter um câncer de tireoide e a perder o movimento da mão, o Brasil não tem pena de morte e nem pena de suplício físico, o Tribunal já negou a desqualificação do crime, é a condição de um presidiário não condenado ter um tratamento digno de saúde”.

“O pedido não é de liberdade, é para deixa-lo provisoriamente  em condições e fazer o tratamento de saúde completo e depois, se condenado, volta ao presídio, mas é o princípio da dignidade da pessoa humana”, ressaltou Palmeira.

Sobre a ida dele para o presídio do Agreste, Raimundo Palmeira falou que "lá ele ficou a pão e água, e ao ser constatado que lá não tinha a mínima condição para o tratamento foi aberto um processo na vara de execuções apurando eventual tortura contra ele".

O caso

O acusado e ex-companheiro de Joana Mendes, Arnóbio Henrique Cavalcante de Melo, por não aceitar o fim do relacionamento e ao saber que Joana iria embora da cidade, marcou com a vítima para conversar sob o pretexto de querer assinar os documentos do divórcio de maneira "amigável".

O encontro numa rua situada no bairro do Santo Eduardo, onde ele desferiu mais de 30 facadas no rosto dela, desfigurando-a. "A intenção dele não era apenas de matar minha irmã, mas sim de destruí-la", ressaltou a irmã, Júlia Mendes.

Com requintes de crueldade e traços de obsessão, segundo a irmã de Joana, Arnóbio sempre demonstrou ser alguém obsessivo e possessivo.

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